FOGO NA REDE - Por: Diego Mesquita

Paulo Autuori foi apresentado como treinador do Botafogo, nesta quinta, 13, no Estádio Nilton Santos. Em coletiva, o profissional de 63 anos lembrou que já tinha decidido não treinar mais clubes no Brasil e só abriu mão da decisão por se tratar do Botafogo.

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— Honra de estar ao lado do Espinosa. Campeão da vida. Sempre nos mostrou algo fundamental. É possível ganhar com naturalidade e caráter. Tudo que eu sou eu devo a esta instituição. Foi um clube que me abriu as portas. Antônio Rodrigues e Montenegro me abriram as portas. É um orgulho para mim. Só abri mão da minha decisão de não ser treinador por ser o Botafogo.

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Chegada após tanto tempo
— As portas só estavam abertas pelo que o trabalho proporcionou. Mas a partir de hoje não vou me referir mais a 1995, porque queremos criar uma atmosfera de conquista para frente. Espero contribuir com isso.

Exigências
— Não exigi nada. Chego completamente ciente das dificuldades que não tem a ver com o Botafogo, mas com o futebol brasileiro. É uma realidade geral. O que eu não posso aceitar é, de forma passiva, o fato dessas coisas tornarem-se corriqueiras. Cabe a nós trabalharmos de maneira que não sejamos violentados. Estou ciente das dificuldades. Aceitei o Botafogo porque devo tudo a esse clube.

O que pode agregar ao Clube
— Um orgulho muito grande de estar por aqui. O meu objetivo é contribuir, nesse momento, para que o clube possa ganhar tranquilidade em relação ao seu núcleo de futebol. Ninguém nasceu para perder. Todos nós nascemospara ganhar. As circustâncias na vida nos levam a ter vitórias ou não. O contexto atual exige desafio, até pela vinda de profissionais de fora. Acho saudável isso. Precisamos mostrar aquilo que somos também.

Acordo para ser CEO da SA

— Não há. Há ideia clara de dar início a esse trabalho à frente do futebol.

Honda
— Foi uma contratação muito bem feita. É um profissional exemplar. Necessitamos de referências assim. Tanto dentro quanto fora de campo. Em termos técnicos vai agregar muito ao grupo. Extremamente competitivo.

Defasagem de treinadores brasileiros
— Já falei isso em 2013. Não tem a ver com defasagem em relação a conhecimento. É muito simples. O futebol brasileiro perdeu coisas importantes que tinham, como participar de torneios de verão na Europa. Isso, por si só, já se permitia um intercâmbio. A tendência que ocorria em áreas distintas da nossa.

— O calendário brasileiro precisamos combater. É o grande vilão. Você joga a cada três dias. Isso não ocorre em algum momento do ano, é o ano todo. Não vi ninguém fazer algumas perguntas para os profissionais estrangeiros, por exemplo: se eles já iniciaram uma competição com 12 dias de trabalho. Não vi perguntar se já iniciaram a competição com equipe reserva. Primeiro, a necessidade de estar focado só aqui porque não tem tempo para nada, só jogar. Isso, por si só, gera uma atrofia do repertório de treinos e ideias de jogo. O calendário brasileiro exige isso. Isso nos fez ficar longe daquilo que estava em transformação do jogo. Falei issoem 2013, alguns colegas não aceitaram e hoje estamos pagando o preço por isso.

Reforços
— Em nenhum clube que passei, exigi jogador. O meu trabalho tem como característica o desenvolvimento do jogador. Gosto de jogadores com sangue puro. O futebol precisa de um trabalho de base bem feito. Precisamos fazer os jogadores de base participarem do projeto desportivo deste clube. Nem toquei em nome de reforço, até porque sei da realidade. Não me assusta em nada. Pelo contrário. Dentro desta perspectiva, estou perfeitamente tranquilo, consciente.

— O importante é que a vinda dos jogadores obedeça um critério. Não simplesmente “eu gosto deste jogador”. Precisamos de atletas como Carli, Marcelo que sirvam de referência para os mais jovens. Vamos obedecer critérios claros em eventuais contratações.

Clube-empresa
— Minha visão é completamente sistêmica. Óbvio que vou estar envolvido. Com o Espinosa o nosso objetivo é isso. Como falaria algo que tenho informações muito superficiais? Na hora do futebol a gente pode mergulhar fundo.

Como você chega nesse momento?
— Chego com 63 anos, bem diferente daquele que chegou em 1995. Esse clube me proporcionou ter um título brasileiro com 39 anos. Aquele grupo foi formado ao longo do tempo, ao longo da competição. Não tinha lastro. Chego diferente, com ideias muito clara. Vejo hoje uma discussão de terminologia, que não leva a nada. Essa discussão de transição ofensiva, último terço, não leva a nada. Mesmo com a idade passando. Velho é quando você joga âncora em águas passadas. O contexto é completamente diferente. As comparações são odiosas. Porque são contextos diferentes, pessoas distintas e momentos. Não sou chegado a comparações.

Sequência no Botafogo

— Nada me faz acreditar nisso. A não ser coragem. A mesma que tive quando entrei em Caio Martins. Só que agora, além de coragem, tenho lastro. Estou ao lado do Espinosa e isso tudo me traz tranquilidade. Futebol é vida. A gente quer botar o futebol em uma redoma. Não. Quem faz o futebol são as pessoas. Só vou lembrar a Premier League, a quantidade de treinadores que já saíram, algo impensado no passado. Há, de uma maneira geral, uma falta de tolerância enorme. Em tudo. Falar em pressão no futebol é a coisa mais vulgar do mundo. O futebol é cruel.

Como começar a preparação sem saber quando volta a atuar oficialmente
— A indefinição de datas é do futebol brasileiro. Sou crítico a isso. a gente não sabe quando vai ter jogos. Precisamos entender que, enquanto não houver uma ideia, em que os intervenientes do futebol – jogadores principalmente, comissão técnica, dirigentes, árbitro, imprensa — se não houver coesão, vai ser difícil vislumbrar algo de bom no futebol.

— A gente faz uma confusão grande entre time e clube. Quando gosto do clube, gosto em qualquer circustância. O programa de sócio-torcedor começa a mostrar como os torcedores estão envolvidos com o clube. Dentro dessa ideia aí, não vejo dificuldade nenhuma.

Metodologia
— Tem espaço para tudo. Tem horas que você tem conversar individualmente. Nosso lance é gerir pessoas.

Contato com Honda
— Se eu for falar japonês, vou contra a visão sistêmica, porque não vou conseguir concatenar as ideias para juntar as palavras e falar uma frase.

— Lamento em relação a nós treinadores a situação do Valentim. Primeiro, vou perguntar o que eles pensam de ideias. Levando em consideração as características, as circustâncias que nos envolvem. É um grupo jovem. Precisamos de equilíbrio desde que os jogadores preencham requisitos.

Filosofia de jogo
— A coisa mais linda da vida é diversidade. Acho isso extraordinário. É a essência da vida. O que me preocupa é a ditadura que está a acontecer com a maneira que se tem que jogar. As mesmas pessoas que falam do direito à diversidade são as que exigem a ditadura. Marcação alta, sair jogando de trás. Eu conheço profissionais vitoriosos com várias formas de atuar. Meu tipo de personalidade não me permite ficar acuado.

Conhecimento sobre o elenco
— Não conheço o peruano, sou muito sincero. Como todo profissional, não conheço mais nem menos. É um papel nosso de estar a par. Hoje, em função da globlização, Não tenho a presunção de dizer que tenbi coniecmento assim. Tenho amigos que estiveram aqui e certamente vou me dirigir a deles, que é o Barroca. É um amigo de longa data. Vai ter uma brilhante carreira. Muita tranquilidade, porque tenho o Espinosa que já está um tempo. Seguramente vou falar com o Alberto Valentim que tenho uma relação há um tempo. Até já trabalhou comigo como ex-jogador. Não deve ser um problema. O próprio Bruno Lazaroni vai me passar as informações.

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