(Foto: Reprodução da Internet)

Resgatando histórias: 30 anos do Grenal do Século

Há 30 anos, Inter e Grêmio disputavam o maior clássico da história. O Grenal do século. O centroavante Nílson, autor dos gols da vitória colorada e Bonamigo, meio-campo gremista, que chutou uma bola no poste, recordam momentos da partida disputada no estádio Beira-Rio.

Dia 12 de fevereiro de 1989 ficará marcado na história do futebol gaúcho. Pois, neste dia, Internacional e Grêmio, os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul, decidiam uma vaga para a decisão do campeonato brasileiro de 1988, chamado de Copa União.

O campeonato daquele ano havia começado em setembro de 1988. Os 24 clubes, divididos em dois grupos, disputavam oito vagas para a disputa das finais em 1989. Entre os semifinalistas estavam Bahia e Fluminense, Grêmio e Internacional.

O primeiro duelo no estádio Olímpico aconteceu em uma quarta-feira de cinzas, o clássico terminou 0 a 0. Vantagem para o colorado que tinha melhor campanha e jogava por empate no tempo normal e também na prorrogação.

No jogo de volta, realizado no domingo, 78.083 pessoas lotaram o estádio Beira-Rio para acompanhar o clássico 297.

Os entrevistados

Em 1989, o gaúcho Paulo Afonso Bonamigo, era um dos remanescentes do elenco tricolor, campeão do Mundo em 1983. Prata da casa, o jogador era um dos destaques de um meio-campo formando com Cuca e Cristovão. “Tínhamos um time muito bom. Uma defesa boa, um grupo espetacular. Era eu, Cristovão, Cuca e Jorginho . Era muita qualidade com a bola no pé. Ficamos amargurados, pois, seria uma vitória importante e talvez, teria mais importância, porque éramos mais maduros para enfrentar o Bahia que venceu o Inter e acabou sendo campeão.“ — relata o ex-jogador gremista.

O paulista de Santa Rita do Passa Quatro, Nílson Esídio Mora, ou simplesmente Nílson, chegou ao Beira-Rio no segundo semestre de 1988, após se destacar no campeonato paulista, quando fez 14 gols pelo XV de Jaú. Meia de origem, Nílson estreou com a camisa colorada na vitória diante do Coritiba, era estreia também do técnico Abel Braga que o colocou na segunda etapa, centroavante. A partir dali, o jogador não parou de fazer gols tanto que chegou para disputa do clássico com 13 gols marcados. O goleador lembra que quase ficou de fora da partida. “Foi uma semana difícil, agitada já que na quarta-feira de Cinzas empatamos o primeiro grenal no Olímpico e no domingo nós faríamos o segundo jogo em casa tínhamos a vantagem. Lembro que na véspera do jogo tive uma lesão no tornozelo quase fiquei fora, mas graças a Deus com a competência do departamento médico, tive a felicidade de poder jogar.” — recorda Nílson.

O primeiro tempo

Quando o árbitro Arnaldo César Coelho apitou o início da partida, o público presente no estádio Beira-Rio já esperava um jogo tenso e aguerrido, onde cada espaço do gramado seria disputado como se fosse um prato de comida.

Os primeiros minutos do clássico começou com o Grêmio comandado pelo experiente técnico Rubens Minelli buscando o ataque, tanto que a primeira chance foi tricolor com o atacante Jorginho, cobrando uma falta que acertou a trava do goleiro Taffarel.

O Inter respondeu com um chute do lateral Luis Carlos Winck. O jogo estava equilibrado até que aos 25 minutos, o lateral gremista Airton, lança para o atacante Marcus Vinicius que chuta cruzado fora do alcance do goleiro colorado. Gol do Grêmio.

Para piorar o momento do Inter, o lateral Casemiro fez falta violenta no zagueiro Trasante e acabou expulso. Com a vantagem, o Grêmio quase amplia com Cristovão e em seguida uma bola no travessão, batida pelo jogador Bonamigo.

“Eu lembro que foi uma bola rolada. Engraçado que eu não era canhoto, mas ela se oportunizou que eu batesse com a canhota. Bati com a parte interna do pé e ela fez a curva indo em direção ao gol. Se não me engano foi o Jorginho ou Cuca que ajeitou, eu cheguei e a bola bateu bem na “forquilha”, se tivesse feito um pouco mais de curva ela tinha entrado.” — lamenta Bonamigo.

“A nossa equipe estava totalmente apática, desconhecida dentro de campo. Fomos atropelados pelo Grêmio. Quando o Casemiro foi expulso a nossa equipe não conseguia jogar, foi um primeiro tempo irreconhecível. Poderíamos já ter perdido a nossa classificação naquele primeiro tempo.” — relembra Nílson.

O segundo tempo e a virada colorada

O segundo tempo começou nos vestiários. Pelo lado do Grêmio, o técnico Rubens Minelli, pedia atenção, como revela Bonamigo. “Um lance que marcou muito, foi que dentro do vestiário, o Minelli, já nos alertava que nada estava decidido, para não entrar na euforia do primeiro tempo. Algumas pessoas já comemoravam a vaga, mas ele pedia para focar nos 45 minutos que tinha pela frente.”

No vestiário do Inter, Abel Braga dava uma bronca e fazia uma alteração ousada. “Na hora do intervalo ele chamou a atenção do time, acordando todo mundo. Disse que tínhamos que voltar para o campo e resolver aquela situação. Ele foi muito ousado, talvez tenha surpreendido o Grêmio. Ele tirou um volante e colocou um atacante. Nossa equipe voltou atropelando.” — revelou Nilson.

Abel Braga tirou o volante Leomir e colocou o atacante Diego Aguirre, e mesmo com o Grêmio criando uma chance logo no início do segundo tempo com Cuca, o Inter foi para cima, tanto que aos 16 minutos. Através de uma cobrança de falta de Edu Lima, Nílson de cabeça empata o jogo.

“O Edu é derrubado pelo Alfinete e na cobrança dessa falta antecipo a zaga na marca do pênalti. Tive a felicidade de cabecear muito bem e o Mazaropi não teve chance nenhuma de defender.” — descreveu Nílson.

A partir daí, o colorado tomou conta da partida, tanto que dez minutos depois, após uma jogada de Maurício, Nílson faz o segundo gol, fazendo “explodir” o estádio Beira-Rio.

“O Maurício ganha na ginga de corpo do Airton, e se eu não me engano do Bonamigo. Ele passa no meio dos dois dá um tapa no fundo, e bate cruzado, entro no segundo pau só tem o trabalho deixar a bola bater no meu pé entrar fazendo os dois gols e virar a partida. Foi uma emoção muito grande.” — relembrou o herói da partida, que na comemoração, faz “tchauzinho” em direção a torcida do Grêmio.

O Grêmio tentou reagir, criando mais algumas chances, já o técnico Abel Braga tentava recompor a defesa colocando o zagueiro Nórton no lugar do atacante Mauricio. Apito final, Inter, estava na decisão da Copa União, garantia uma vaga na Taça Libertadores da América e terminava com um jejum de 12 clássicos sem vencer o rival.

Passado 30 anos, o gremista Bonamigo, até hoje assiste a partida. “Foi um grande jogo de futebol, o internacional jogou com muito espírito, o Grêmio também foi bem, um jogo bem aberto ofensivo, assisto até hoje e fico pensando que partida emocionante e de muita qualidade dos dois times.”

Meses depois do clássico, Bonamigo deixou o Estádio Olímpico para se juntar ao elenco colorado que seria semifinalista da Taça Libertadores, sendo eliminado pelo Olímpia do Paraguai em pleno Beira-Rio.

Para o centroavante Nílson, que foi o artilheiro da Copa União com 15 gols, o clássico 297, foi o grande jogo da sua carreira.“Esse jogo entrou para minha vida. Foi onde tudo começou. O inter foi meu primeiro time grande, era o segundo grenal da minha carreira. Entrei para a história do Internacional, do futebol brasileiro, pois, era uma semifinal de brasileiro e o Brasil inteiro estava vendo esse jogo. Então para mim esse jogo será inesquecível não só para mim, mas para os torcedores do Internacional que daqui a 100 anos vão estar comentando sobre esse clássico.” desse jogo.

A Copa União de 1988, teve o Bahia, de Bobô, Zé Carlos e Charles como campeão derrotando o Inter em Salvador por 2 a 1 e levantando o troféu em Porto Alegre em um empate em 0 a 0.

Ficha do Jogo: GreNal 297
Local: Beira-Rio
Arbitragem: Arnaldo Cesar Coelho
Gols: Marco Vinicius (G), aos 26 minutos do primeiro tempo, e Nílson (I), aos 16 e 26 minutos do segundo tempo.

Internacional: Taffarel; Luis Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Norberto, Leomir (Diego Aguirre), Luis Carlos Martins e Mauricio (Nórton); Nílson e Edu Lima.

Grêmio: Mazaropi; Alfinete, Trasante, Luis Eduardo e Airton; Bonamigo, Cuca, Cristóvão e Jorginho (Reinaldo Xavier); Marcos Vinicius e Jorge Veras (Serginho).

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