Blog do Garone: A simbiose entre Vasco e Valdir

(Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)

Já disse aqui certa vez, e repito: todo vascaíno deveria nascer com um bigode e carregá-lo como uma marca de nascença, um símbolo de sua vascaínidade. Praticamente um rótulo. Mais do que isso: uma patente.

Baixe o App oficial do FutNet no Google Play Store ou na Apple App Store

CONTINUA DEPOIS DOS ANÚNCIOS





É bem verdade que ele não é uma exclusividade de Valdir. Sabará, Alfinete, Danilo Alvim, Ricardo Rocha, Orlando Lelé e tantos outros também sustentaram seus ‘mustaches’ enquanto vestiam a camisa cruzmaltina. E com sucesso.

QUER SABER MAIS SOBRE O VASCO? CLIQUE AQUI.

Valdir, porém, é a cara do Vasco. Há algo de umbilical entre os dois. Uma simbiose que potencializa as qualidades de ambos. Não à toa ele é o 10º maior artilheiro da história do clube.



Não se sabe ainda se Valdir é – ou será – um grande treinador. Com três jogos espaçados não dá nem para descobrir se prefere usar tênis ou sapato à beira do gramado, muito menos fazer uma avaliação de seu trabalho. Se eu pudesse palpitar, entretanto, minha resposta seria: descalço.

VEJA A CLASSIFICAÇÃO ATUALIZADA DO CAMPEONATO BRASILEIRO

Valdir sempre teve a simplicidade estampada no rosto. Assim como a força de vontade. Conseguiu escrever seu nome no futebol em uma época de grandes craques na sua posição, mesmo sem ser um deles. Não precisou ser o maior de todos para se tornar memorável. Fazia gols como se jogasse de pés pelados em uma rua qualquer, com a naturalidade de uma criança e a parcimônia de um monge. Era frio frente à rede imóvel e explosivo ao balançá-la.



E foi essa simplicidade que Valdir deu ao Vasco no pouco que pôde fazer em quatro dias após a saída de Zé Ricardo. E que já havia feito após as demissões de Cristóvão Borges – empate em 0 a 0 com o Botafogo – e Milton Mendes – vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense. Agora, são três jogos, dois clássicos e uma partida fora de casa, com dois empates, uma vitória, nenhuma derrota e apenas um gol sofrido.

Enfrentar o Cruzeiro no Mineirão é naturalmente difícil para qualquer equipe. Com a pior defesa dos times da Série A no ano e já tendo sido goleado na temporada, a partida, antes da bola rolar, se desenhava como um filme de terror na cabeça dos vascaínos. Valdir e suas escolhas, entretanto, mostraram – principalmente no 1º tempo – que é possível tapar alguns dos buracos da equipe e diminuir o risco de erros individuais.



Ciente das limitações do elenco, armou um time com três volantes de boa saída, povoou a entrada de sua área, dificultou as infiltrações e obrigou os mineiros a forçar cruzamentos da intermediária e chutes de longa distância. O Vasco, antes mais frágil que a moleira de um recém-nascido, pela primeira vez em meses resistiu à pressão constante de um rival de qualidade.

Aliás, nos primeiros 45 minutos, sequer deixou que esta pressão se tornasse sufoco.

O 4-2-3-1 de Zé Ricardo se tornou 4-5-1 nas mãos de Valdir, muitas vezes migrando para um 4-4-2 mais defensivo, com Wagner ou Pikachu encostando em Ríos, e os demais formando uma segunda linha de quatro. Com Andrey, Cosendey e Desábato próximos, a dificuldade para triangular e clarear as jogadas foi menor. Os laterais subiram pouco, mas os volantes tiveram mais liberdade. Com Yago mais livre para flutuar à frente, as opções de passe também aumentaram. Com isso, o time criou pelo meio, não mais pelas laterais. E achou espaço.

E foi nessa liberdade dos volantes para encostarem na frente que nasceu o gol vascaíno. Mais uma vez dos pés de Andrey, que por meses foi a 4ª – às vezes 5ª – opção de Zé Ricardo para a cabeça de área. A jogada, aliás, nasceu de uma antecipação de Ricardo Graça e contou com a participação de Cosendey, antes de ser magistralmente concluída pelo camisa 15. Três jogadores oriundos da base que só ganharam chances com Zé em razão das lesões e suspensões de Werley, Paulão, Erazo, Bruno Silva, Wellington e Bruno Paulista.

O condicionamento físico no 2º tempo, novamente, deixou a desejar, e o Vasco passou a se esfarelar. Com nove minutos, Wagner já deitava no gramado com o semblante de quem topou com o mindinho na quina da cama. Mas era apenas cãibra. O suficiente, porém, para Giovanni Augusto entrar no seu lugar.

A pressão do Cruzeiro, antes mais rotineira do que impetuosa, ganhou volume com o apoio da torcida.

Dedé virou atacante, Robinho virou zagueiro, Andrey virou lateral – com a saída de Luiz Gustavo, também com cãibras – e os mineiros quase viraram o jogo. Quase. Mas empataram, num dos raros lances em que a Raposa conseguiu tabelar pelo meio da defesa vascaína. Graça acompanhou Thiago Neves, Paulão não chegou em Raniel, Fernando Miguel não alcançou a bola, e a debochada da física ainda deu o giro certo para ela entrar, mansa e acanhada nas redes vascaínas.

Ainda assim, os cariocas conseguiram segurar o empate.

Resultado importante para o Vasco recuperar a moral do grupo, dar um pouco de tranquilidade para a chegada de Jorginho, e, principalmente, para mostrar que muitas das opções que o time precisava – e ainda precisa – estão dentro do próprio clube.

Andrey é uma delas. Graça é outro. E Valdir, em algum momento, também será.

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!

RECEBA NOTÍCIAS DO VASCO DIRETO NO SEU MESSENGER. NÃO PERCA TEMPO! É DE GRAÇA!