Publicada em 09/02/2018, às 08:54

Garoto de 10 anos repete feito de Neymar, e Cruzeiro traça plano para manter joia

Estevão Willian é o atleta mais jovem no Brasil a assinar contrato com a Nike e tem despertado interesse de vários clubes brasileiros; diretoria celeste vê no jogador um futuro promissor

Estevão Willian tem chamado a atenção no Cruzeiro (Foto: Reprodução)

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Estevão Willian tem apenas 10 anos, mas já vem chamando a atenção nas categorias de base do Cruzeiro. "Novo" Neymar, Ronaldinho, Ronaldo, são alguns dos apelidos dados ao pequeno, que demonstra muita qualidade e ousadia com a bola nos pés. E não é apenas o clube celeste que sabe do talento que ele tem. Recentemente, ele superou um feito alcançado por Neymar, aos 13, e Rodrygo, aos 11 (atualmente no profissional Santos): conseguiu um contrato de patrocínio com a fornecedora de material esportivo Nike.

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Tudo começou em 2015, quando seu pai, Ivo Gonçalves, saiu de Franca, para apresentar o garoto ao Cruzeiro. O motivo da escolha pelo clube mineiro foi a indicação de um empresário de Belo Horizonte, que assistiu aos jogos da criança em São Paulo e gostou muito do que viu. Foi preciso apenas um DVD e poucos minutos em campo para Carlos Alberto Lins de Faria, conhecido como Bebeto, se encantar. Ele trabalha há 14 anos nas categorias infantis do clube celeste e foi o primeiro treinador de Estevão na Raposa.

- Ele chegou com o pai dele em Belo Horizonte, me procurou no Cruzeiro com um DVD caseiro, veio junto com um amigo. Eu assisti na hora e gostei muito. Aí eu disse: "Agora, o próximo passo é a gente trazer ele (Estevão) aqui". Já tínhamos a categoria dele, na época era o sub-9. Coincidentemente, eu era o treinador da categoria. Ele fez a avaliação e foi muito acima dos meninos. Ele chegou no sub-9, mas já treinava com o sub-10. Ele começou a se desenvolver demais e a aparecer muito - afirmou Bebeto.

Excursões para torneios fora de BH se tornaram comuns na vida de Estevão e, consequentemente, o assédio de clubes brasileiros aumentou. Para Bebeto, agora ex-treinador do garoto, o menino é o jogador mais talentoso com quem trabalhou. Ele atua como meia, é canhoto, e veste, geralmente, a camisa 10 no Cruzeiro.

- Fomos para a Go Cup (em 2016, em Goiás), com a categoria sub-10, e ele se destacou demais. O Brasil inteiro começou a procurá-lo: Santos, Vasco, Botafogo, Flamengo. Todos que estavam lá começaram a assediar ele. Voltamos para Belo Horizonte, eu falei com o pai dele que iria reunir com o pessoal da categoria de base e ia passar a situação para eles. Fui na Toca, me reuni com a diretoria e falei que o menino era muito acima da média. Estou com 14 anos de Cruzeiro. Dos que passaram por mim, esse menino é o mais diferente. Ele é um menino com um potencial de ser um futuro jogador profissional a nivel de Ronaldinho, Ronaldo, Neymar. Paralelo a isso, levei ele para o futsal. No futsal… ele sobrou muito. Já viu aqueles vídeos do Neymar? Do Ronaldinho? Quando eles eram criança? Estevão é isso aí. Daquele jeito. Pega a bola no meio de campo, dribla o time todo e faz o gol.

Ivo Gonçalves, pai de Estevão, é pastor e precisou se transferir de igreja para morar em BH, em 2015, com a esposa Hetiene e a filha, na época ainda de colo, Ester. O início na capital mineira não foi fácil, mas eles contaram com ajuda de algumas pessoas e também do agora agente do jogador, Fernando Morais. O desejo dos clubes do Brasil de contar com o futebol do jovem de 10 anos também chega a Ivo.

- Ligam sempre para a gente. Principalmente, para mim, que sou o pai. Recebo telefonema todos os dias praticamente de clubes procurando, interessados. A maneira de lidar com isso é deixar o Estevão jogar futebol. Blindamos muito ele nessa questão. Deixamos ele sempre à vontade para jogar futebol. A questão extra-campo, nós procuramos resolver a gente mesmo. Às vezes, (Estevão) fica sabendo. O acesso é muito grande. Então, às vezes, acaba vazando alguma coisa. Mas, procuramos administrar bem essa questão na vida dele.

Hudson Júnior, representante da Nike em Minas, comenta o motivo de a fornecedora de material esportivo investir no jogador e confirmou que o garoto é o mais novo a assinar um contrato com a empresa.

- A gente monitora todos os atletas do Brasil. Tentamos pegar os melhores. O Estevão passou por esse processo de monitoramento. Ele chamou muito a atenção, porque é um menino muito novo e joga numa categoria acima. Chama muito atenção, e achamos, por bem, já fechar um contrato com ele.

Sem contrato profissional

De acordo com o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de atletas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), “o vínculo desportivo com atletas pode ocorrer a partir dos 14 (quatorze) anos de idade”. Ou seja, ele joga nas categorias de base do Cruzeiro, porém, não tem um contrato com o clube, pois não é permitido pela CBF. O que a diretoria celeste, pretende, então? Fazer um plano de carreira para o garoto. É o que afirma Guilherme Cruz, superintendente da base do clube.

- O Estevão tem demonstrado uma maturidade, uma intenção de alcançar o profissionalismo já com uma idade muito nova. Cada caso é um caso e tem que ser tratado de forma específica. Ele é um atleta que se dedica 100% no seu objetivo, demonstra seriedade e comprometimento e, dessa forma, é necessário uma atenção especial. Ele é prematuro. Tem jogado nas categorias mais velhas. Tem toda a atenção da diretoria e, certamente, vai ser traçado um plano de desenvolvimento diferenciado, dependendo da necessidade dele.

Atualmente, Estevão treina nos campos da Toca da Raposa l, sempre em categorias acima da sua idade. Recentemente, ele disputou uma competição sub-13, mesmo tendo 10 anos - completa 11 em abril. Além do Cruzeiro, ele também joga futsal pelo Olympico e pelo time do Colégio Batista, onde recebe bolsa de estudos integral. Para Guilherme Cruz, o clube celeste está atento à concorrência, mas acredita no plano de carreira que será proposto à família do jogador e também no respeito que a Raposa tem no mercado.

- Já com pouca idade, ele tem demonstrado uma técnica que sobrepõe. Chamou atenção de clubes como Palmeiras, Flamengo e outros. Mas, no Cruzeiro, assim como os demais clubes do Brasil, existe uma ética e um respeito muito grande com os atletas da base, principalmente, aqueles que ainda não tem idade para ter um contrato profissional firmado, nem mesmo o de formação. Ele tem se destacado, mostra o alto nível da base do Cruzeiro, estamos agora ainda mais fortalecidos. Temos uma previsão de um futuro promissor, o que podemos garantir, não só aos torcedores, mas a todos que acompanham o futebol, é que o Cruzeiro é um time de alto nível, que tem como princípio não aliciar jogadores de outras agremiações e que também não permite e impõe o respeito para que isso não ocorra com seus jogadores.

O agente de Estevão, Fernando Morais, afirmou que está aguardando novo contato com o Cruzeiro para analisar o planejamento do clube para o garoto. Ele ressaltou que a diretoria celeste sabe que o jovem é considerado diferenciado, principalmente, pela idade que tem.

- A gente está conversando, o Cruzeiro vai apresentar esse plano de carreira. Estamos aguardando. A família é quem tem a maior decisão. Queremos que a família esteja feliz, independentemente de onde. Mesmo a gente fazendo essa assessoria para ele, que eles estejam se sentindo bem. Esse plano de carreira é muito importante por ele ser um atleta muito diferente. O Cruzeiro está ciente disso também e está trabalhando nisso.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 23/02/2018, às 12:05

Cruzeiro faz força-tarefa para evitar novas lesões e programa volta de Dedé

(Foto: Washington Alves/Cruzeiro)

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Uma preparação especial para evitar novas lesões. O Cruzeiro programou uma série de treinos para fortalecer a musculatura de Dedé e impedir que o atleta volte a sofrer com problemas físicos. No sábado (24), ele deve fazer seu primeiro jogo como titular da equipe desde a recuperação.



Foi comum, sobretudo durante a pré-temporada, vê-lo treinando à parte. O zagueiro foi o único do elenco a treinar todos os dias na Toca da Raposa II. Mesmo durante as viagens do grupo, lá estava o defensor em sua rotina especial.

O foco dos trabalhos foi deixar as articulações dos joelhos mais resistentes. Nos bastidores, há muita preocupação em relação à condição física do atleta. O calvário de lesões de Dedé se iniciou em novembro de 2014. Desde então, ele fez apenas 12 partidas e acumulou problemas nos dois joelhos.

Para evitar que o jogador volte a sofrer com os problemas, Dedé foi acompanhado de perto por Sérgio Campolina, chefe do departamento médico do clube, e Emerson Polimeno, novo preparador físico da equipe. A dupla teve a incumbência de fazer o cronograma de Dedé e também de obrigá-lo a reduzir o ímpeto nas atividades.



"Essa sequência de treino foi até analisada pelos setores de fisiologia, fisioterapia e pelos médicos. Para isso, tive de fazer vários testes. Esse período todo de treinamento foi de muita evolução, me deu muita confiança. Graças a Deus estou treinando sem dor desde que comecei a fisioterapia. Tanto que fui até rápido trabalhar a parte física", declarou.
"No ano passado também estava me sentindo bem, mas tinha desequilíbrio do lado esquerdo. Aí sobrecarregou. E mesmo com o desequilíbrio no ano passado, acho que fiz bons jogos, sendo até eleito pela imprensa como melhor em campo. Mas nessa nova etapa estou me sentindo bem, diferentemente do ano passado", concluiu.

Conteúdo publicado originalmente no site UOL Esporte