Publicada em 07/02/2018, às 17:37

Felipe Melo, sobre boa fase no Palmeiras: "O que mudou é que estou falando menos"

Volante tem sido destaque do Verdão neste início de temporada e, aos 34 anos, com mais dois de contrato, fala em encerrar a carreira no clube

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

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Um dos principais destaques do Palmeiras neste início de ano com 100% de aproveitamento, Felipe Melo foi o entrevistado desta quarta-feira na Academia de Futebol. Ele chegou a se surpreender com as perguntas sobre seu momento mais calmo, mas voltou a demonstrar muito carinho pelo Palmeiras e, pela primeira vez, falou em encerrar a carreira no clube. Felipe Melo está com 34 anos e tem mais dois de contrato.

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– Não mudou muita coisa. Obviamente, quando a equipe vence, com 100% ainda, a gente jogando, tudo contribui para que as coisas aconteçam da melhor maneira possível. Vou ganhando confiança a cada dia. A minha última expulsão foi na Inter (de Milão), com dois amarelos. Faz tempo que não sou expulso. A experiência dá isso. A cada ano, vai adquirindo mais experiência, tomando conta da situação. Melhorar é sempre bom para o ser humano – disse Felipe Melo.

– Estou falando menos, bem menos. É experiência. Revi tudo aquilo que fiz no passado, o que fiz de errado, o que posso melhorar. É não cometer os erros do passado. Dentro de campo, é o mesmo início. Não muda muita coisa. O que mudou é que estou falando menos – completou.

Questionado se esse tom mais comedido é uma mudança de postura, Felipe Melo respondeu:

– Depende do ponto de vista. Tem gente que fala que tem ser dessa forma. Tem gente que fala que é ator, personagem. São formas de pensar, de analisar. Creio que minha autenticidade eu não vou perder nunca. Não é só na frente das câmeras. Ao longo dos anos, tenho aprendido a não falar. Posso ser autêntico deixando de falar uma coisinha ou outra.

Na última pergunta da coletiva, sobre a possibilidade de um dia voltar a jogar na Europa, Felipe Melo surpreendeu e disse que considera encerrar a carreira no Verdão. Ele está com 34 anos e tem mais dois de contrato com o clube.

– Minha ideia é continuar no Palmeiras, ganhar títulos aqui e quem sabe encerrar minha carreira com uma festa legal.

Lembrado por um repórter que há extamente um ano ele dava entrevistas sobre "dar tapa na cara de uruguaio", às vésperas da estreia do Palmeiras na Libertadores, Felipe Melo disse que não pretende repetir esse tipo de discurso, principalmente diante do Boca Juniors, um dos rivais do Verdão na primeira fase.

– Óbvio que a gente não vai repetir palavras do passado. É um jogo importante, tão pegado quanto com o Peñarol. Porém, contra um time tecnicamente melhor. Vai ser o encontro de dois gigantes do futebol sul-americano. Tem tudo para ser um grande jogo.

Sobre a campanha perfeita do Verdão até o momento (cinco vitórias em cinco jogos), Felipe Melo disse que é importante continuar "jogo a jogo", sem deixar se empolgar pelos elogios.

– A gente tem que pensar no hoje: jogando, ajudando os companheiros. É bom deixar bem claro que é apenas o início de trabalho. O oba-oba é externo. A gente quer continuar vencendo, está seguro do que quer. Passado é passado.

Felipe Melo falou sobre essa relação com a torcida:

– Acho que isso vem de uma entrega dentro de campo. Tecnicamente, não são em todos os jogos que vou acertar um bom passe ou roubar todas as bolas. Falei que o Palmeiras estava colocando comida na minha casa, e era a verdade. Daria o máximo pelo clube. Creio que estou no caminho certo para conquistar a torcida e coisas importantes aqui.

O capitão do Palmeiras é Dudu, mas Felipe Melo tem exercido liderança no elenco. O jogador chegou a ser afastado do grupo no ano passado com o técnico Cuca, mas agora, com Roger Machado, é quem tem carregado a braçadeira quando Dudu é substituído (foi assim contra Santo André, Bragantino e Santos). Mas vale lembrar que Edu Dracena e Moisés, que chegaram a ser capitães do time no ano passado, ainda não foram titulares nesta temporada (o zagueiro nem entrou em campo, aliás).

– Tenho um espírito de liderança muito forte. Foi assim em todos os clubes, mesmo não tendo a braçadeira. É um grupo de vários líderes, um grupo que sabe escutar. Isso é importante.

Poupado em uma das cinco rodadas do Campeonato Paulista, ele ainda assim é o líder em desarmes na competição, com 18. O segundo melhor no quesito é o também palmeirense Marcos Rocha, reforço contratado neste ano para a lateral direita.

O próximo compromisso da equipe treinada por Roger Machado será às 19 horas (de Brasília) de sábado, diante do Mirassol, fora de casa.

Veja outros tópicos da entrevista de Felipe Melo:

Postura tática, com mais desarmes (líder do quesito no Paulistão, com 18):

– Eu vejo grandes clubes no mundo, o Barcelona com o Busquets, que tem a função de deixar a bola redondinha, o Casemiro no Real Madrid, tinha o Thiago Mota no PSG. Os grandes clubes sempre têm esse jogador. Para roubar bolas, sou ajudado. O Tchê Tchê e o Lucas Lima ajudam muito. O Roger consegue fazer com que façamos essa pressão no ataque, com Borja, o William. Existe uma situação de estar bem posicionado. É trabalho e ajuda mútua dentro de campo.

Ambiente

– O bom ambiente se vê nas derrotas. Já passei por clubes em que treinador não falava com o 10 do time, o 10 do time não falava com goleiro, mas ganhamos tudo, e ficava para o externo que estava tudo certo. E em outros que era uma família, e saíam burburinhos que não se davam bem. Chegaram contratações pontuais. O pessoal já se gostava bastante. É uma família de coração, que vai estar junta na vitória e na derrota.

Roger Machado

– Eu falo que de repente é igual ao ano passado, porque também tive essa sequência no início, mas infelizmente a gente não conquistou o Paulista. Tive regularidade na competição. Classificamos na Libertadores. Classificamos bem, em um grupo difícil. Mas ficou no passado. É importante tudo isso que o treinador tem feito, de deixar a gente alegre para jogar, para treinar. Não gosto de fazer comparações, são trabalhos diferentes, cada um pensa e tenta colocar em prática o que tem em mente. Está dando certo o trabalho do Roger. Falei que a torcida tem que abraçá-lo. E esse abraço é recíproco, entre jogadores e comissão técnica.

Mudança de função em 2018

- Não tem muita diferença. Com o Eduardo Baptista, era como eu jogo com o Roger. Não tem muita mudança.

Seleção

– Essa mudança tem a ver com o Palmeiras, comigo, com minha família. Cheguei aqui e falei que minha seleção era o Palmeiras. Ficaria muito feliz em servir a Seleção, mas meu foco é o Palmeiras, com regularidade dentro de campo, ajudando os companheiros. Se surgir a possibilidade, serei o homem mais feliz do mundo.

Jailson

– É um cara muito querido por todos nós, pelo goleiro e pela pessoa. É cativante, humilde, família. É um cara muito companheiro. A gente fica muito feliz. Ele está em uma fase espetacular. Contra o Santos, fez uma defesaça do Sasha, que se a bola entra, muda o jogo. A gente torce muito por ele, pela pessoa que é.

Conselhos para mudar postura

– Em casa, converso todos os dias com minha esposa. A gente sempre conversa sobre o que fazer, como melhorar. Tem o comentário de um filho ou outro, pais, amigos. Às vezes, a gente acha que está fazendo certo e acaba errando.

Desejo de encerrar carreira no Palmeiras

– Tenho minha característica, minhas funções. Cada jogador tem seu ponto fraco e forte. Minha ideia é continuar no Palmeiras, ganhar títulos aqui e quem sabe encerrar minha carreira com uma festa legal.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 22/02/2018, às 21:55

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