Publicada em 05/02/2018, às 11:19

Opinião: Jair Ventura ainda tem 25 dias para montar o Santos; cobrá-lo antes é errado

Ainda cheio de desfalques, Peixe perde para o Palmeiras no primeiro clássico do ano, mas foco tem de ser a estreia na Libertadores

(Foto: Ivan Storti / Santos FC)

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Com desfalques como Bruno Henrique, Vitor Bueno e Gabigol, o Santos perdeu seu primeiro clássico no ano por 2 a 1 para o Palmeiras, em São Paulo, neste domingo. Por ter levado um gol logo aos dois minutos, muitos santistas temeram por uma goleada. Mas o time, dentro de suas limitações, lutou. E até criou chances para empatar.

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Se isso acontecesse, porém, seria um resultado mentiroso. O Palmeiras foi melhor. Ponto. Aliás, o Palmeiras é melhor. Tem o elenco mais estrelado do Brasil. Mas a diferença técnica entre as equipes será bem menor quando Jair Ventura tiver seus principais jogadores à disposição e mais tempo para treinar. Com Gabigol e Bruno Henrique ele pode, sim, ter maiores aspirações.

O foco do treinador, certamente, é a estreia na Libertadores: dia 1º de março, contra o Real Garcilaso, na altitude de Cusco (3.400 metros acima do nível do mar), no Peru. São 25 dias, portanto. Até lá, certamente, Jair poderá montar o time do jeito que ele tanto quer e que a torcida sonha – um time veloz, envolvente, com jogadores próximos uns dos outros e que não sofram de solidão aguda, como foi o caso de Eduardo Sasha no primeiro tempo.

No momento, qualquer tipo de cobrança a Jair é inútil e injustificável. O técnico só recebeu três reforços (Romário, Sasha e Gabigol), sendo que o primeiro nem teve aval dele (foi obra da gestão anterior) e o último ainda nem estreou. A diretoria promete reforços, mas, sem dinheiro, fica difícil. Um meia para chegar e ser titular é o maior sonho. Até lá, Vecchio vai jogando.

Com o que tem em mãos, por enquanto, Jair tem de correr para sanar o problema da lateral esquerda. Caju nunca mais repetiu as boas atuações que chegou a ter em 2016, com Dorival Júnior. Teve lesões desde então, é verdade. Mas erra tanto que fica quase impossível defendê-lo. Ironicamente, Copete, o chamado "atacante esforçado", tem dado mostras de que pode render mais na lateral esquerda. E ainda tem o meia Jean Mota que pode ser improvisado no setor. Ou seja: nenhum dos dois laterais-esquerdos do Santos (Caju e Romário) parecem aptos a ocupar um lugar no time titular. Ambos já tiveram chances. Jair tem a semana livre para testar uma terceira via no sábado, contra a Ferroviária – no caso, Jean Mota, já que Copete está suspenso.

O jogo

Diante do melhor time do Brasil, fora de casa, num estádio lotado apenas com a torcida adversária, o Santos de Jair Ventura teve hombridade e lutou. Esbarrou em suas limitações técnicas, é verdade, mas lutou, sim, e muito. Não haveria cenário pior para se ter o primeiro clássico do ano, ainda mais com um gol bobo logo no início (David Braz perdeu a disputa no alto para Antônio Carlos no escanteio cobrado por Dudu) e as lesões de Luiz Felipe e Eduardo Sasha ainda na etapa inicial.

"Se" é aquela palavrinha danada que vira e mexe aparece nos debates sobre futebol, mas a verdade é que, se a cabeçada de Sasha aos 13 minutos vira gol (Jailson fez uma defesa impressionante, veja no vídeo abaixo), o jogo seria outro. Um empate poderia colocar pressão sobre o Palmeiras, que carrega naturalmente o status do favoritismo. Mas foi mesmo só um lance ao acaso. No geral, o Santos em nada assustou o rival no primeiro tempo.

O segundo gol palmeirense, de Borja, aos 4 minutos da etapa final, é um daqueles lances de defesa desentrosada, nos quais todos em volta cercam, ninguém dá o bote de forma certa e a bola sobra redonda para o adversário.

Jair, então, lançou Rodrygo. Um garoto de 17 anos entrar em campo com o time sendo derrotado por 2 a 0, num clássico, fora de casa, só com torcida adversária. Mas era ele ou nada mais. E Rodrygo foi pra cima. Não conseguiu fazer a diferença. Mas tentou, assim como Arthur Gomes. Ninguém pode criticar esses garotos por falta de personalidade. Eles têm entrado à vontade com a camisa do time profissional. Isso também é mérito do treinador.

O Santos acabou achando um gol com Renato, de cabeça, numa jogada confusa em que os palmeirenses chegaram a reclamar a saída da bola, aos 17 minutos. Havia mais 30 para serem jogados. Mas aí o técnico do Palmeiras, Roger Machado, resolveu usar o banco de reservas. Entraram Bruno Henrique, Keno e Gustavo Scarpa. E ainda tinha Guerra, Michel Bastos, o promissor Artur...

É difícil encarar esse super Palmeiras. Mas o santista tem motivos para confiar no trabalho de Jair Ventura. Quando todos os jogadores estiverem à sua disposição, não haverá esse abismo todo entre as equipes.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 23/02/2018, às 14:16

Santos economiza R$ 2 milhões com “choque de gestão”, diz presidente

(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/SantosFC)

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O presidente José Carlos Peres afirma que o Santos economiza R$ 2 milhões por mês com o choque de gestão implantado nas primeiras semanas de gestão, iniciada oficialmente em janeiro.



“Estamos com dois milhões de reais de economia por mês. Estamos reorganizando o clube através de uma empresa (de auditoria). Ela estará capacitando todos os funcionários no Santos. A última gestão teve balanços reprovados. Houve uma mudança no clube, sejam boas ou não as formas que somos obrigados a trabalhar, poderemos propor alguma mudança no estatuto no futuro. Não vão ter coisas ruins no clube. Pretendemos ter boas notícias. Vamos caminhar o clube à dívida zero. Não vamos fugir de nossa política”, disse o presidente, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, na Vila Belmiro.

Peres assume as negociações do Santos após a demissão do executivo de futebol Gustavo Vieira. É ele quem comandará as tratativas por reforços.

“Eu estou dando sequência. Ele (Gustavo) me passou o que estava fazendo e estamos trabalhando nesse sentido. Não terceirizamos. O novo diretor deve chegar, mas não temos pressa. Falei com Jair e William (Machado), a conversa foi produtiva, e passei sobre a tranquilidade do clube. Não houve barulho, isso é maturidade. Seguimos dessa forma, sem pressa. Estarei próximo do futebol nesse período, trabalhando com eles e vamos atrás de reforços”, explicou Peres.



O gerente William Machado fica à frente do departamento de futebol por enquanto. O Santos tem interesse no retorno de Sergio Dimas, hoje diretor do Red Bull Brasil.

Conteúdo publicado originalmente no site Gazeta Esportiva