Publicada em 02/02/2018, às 11:38

Reforços, oscilação e dúvidas: veja análise do elenco do São Paulo neste início de 2018

Tricolor começa temporada com altos e baixos, mas pode evoluir

Dorival Júnior é o técnico do São Paulo (Foto: Érico Leonan/saopaulofc.net)

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A torcida do São Paulo está desconfiada e ressabiada com o time versão 2018. O começo de temporada é oscilante: cinco jogos, duas vitórias, um empate e duas derrotas. Dorival Júnior mudou a ideia inicial do planejamento de revezar dois times, em função da curta pré-temporada, e passou a escalar sempre o que tem de melhor à disposição.

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Apesar do início com altos e baixos, natural para quem perdeu Pratto e Hernanes, pilates do time de 2017, a tendência é que o São Paulo evolua. Alguns fatores precisam entrar no contexto das análises:

1 - Cueva: o peruano é um dos principais, ou o jogador de maior peso, do São Paulo. Mas por diferentes razões (criadas pelo próprio meia), ele só fez um jogo na temporada. Há a expectativa para saber se ele voltará a ficar à disposição contra o Botafogo, neste sábado, no Morumbi.

2 - Reforços chegando: Nenê e Tréllez foram anunciados nesta semana e aos poucos entrarão no time. O meia, inclusive, poderá estrear no sábado.

3 - Time ideal: Dorival tem tentado dosar o uso de alguns jogadores no começo da temporada para não perder ninguém com lesão.

4 - Qualidade entre os reservas: por motivos variados, Jean, Hudson e Reinaldo abriram o ano como suplentes, mas têm qualidade para jogar. Os três são caras novas do elenco de 2018 (o goleiro foi contratado, enquanto o volante e o lateral retornaram de empréstimo) e aumentam a competitividade interna.

5 - Adaptação dos garotos: Dorival conta hoje com 16 atletas de Cotia, sem incluir Rodrigo Caio, atleta mais rodado. Alguns deles acabaram de estrear como profissionais. Ou seja, é necessário ter paciência (palavra complicada para o torcedor machucado pelo difícil ano de 2017 e sedento por títulos).

Dorival Júnior tem 34 jogadores à disposição para trabalhar. Há espaço para a contratação de mais um ponta. Valdívia, emprestado do Internacional ao Atlético-MG, é um alvo. O Tricolor recebeu uma sondagem de um clube chinês e uma proposta do Al-Hilal, da Arábia Saudita, por Cueva, mas fechou a porta para a saída. Maicosuel está acertado com o Grêmio, e Júnior Tavares foi barrado de três jogos, mas voltou a ser chamado para o duelo contra o Madureira.

Goleiros
Sidão – 5 jogos
Começou o ano como titular do time de Dorival Júnior. Teve momentos de hesitação, no clássico contra o Corinthians e diante do Madureira. Recebe críticas da torcida, mas é um dos líderes do grupo.

Jean – nenhum jogo
Foi contratado para aumentar a concorrência no setor e brigar por uma vaga de titular. Reforço para 2018, ele assinou um vínculo até 2022. Tem se destacado em alguns treinos. Aos 22 anos, é visto como um goleiro de futuro. Também bate faltas.

Lucas Perri – nenhum jogo
Era uma das apostas de Rogério Ceni, que lhe dedicava especial atenção nos treinos. Revelado na base, tem 1,97m de altura, passagens por seleções inferiores e é a principal promessa do clube para a posição. Antes quarto goleiro, agora ocupa o posto de terceiro, após as saídas de Denis e Renan Ribeiro. Tem 20 anos.

Lucas Paes – nenhum jogo
Também da base, hoje é o quarto goleiro do elenco profissional. Aos 20 anos, tem contrato até o fim de dezembro. Ele trabalhou com o time principal em 2015 e em alguns treinos no ano passado.

Laterais
Éder Militão – 4 jogos
Principal destaque do setor no começo de 2018, ele não é lateral de origem. O zagueiro/volante foi improvisado na posição desde o ano passado e não saiu mais. Deu duas assistências: uma para Brenner, no clássico contra o Corinthians, e outra para Diego Souza, diante do Mirassol. Revelado na base, é um dos garotos de Cotia que se firmou no profissional. Tem contrato até janeiro de 2019.

Bruno – 1 jogo
Reserva e em baixa em 2017, o jogador de 32 anos tem contrato até o fim da temporada. Tem característica mais ofensiva. Perdeu espaço na última temporada por conta de uma lombalgia e da ascensão de Militão.

Edimar – 4 jogos
Antes emprestado pelo Cruzeiro e posteriorente comprado definitivamente, começou a temporada como titular. Recebeu críticas direcionadas da torcida na vitória contra o Madureira, em Londrina, onde os tricolores pediram a entrada de Reinaldo. Tem característica mais defensiva do que o concorrente da posição.

Reinaldo – 1 jogo
Voltou ao São Paulo com moral depois das passagens por Ponte Preta e Chapecoense, mas começou a temporada como reserva. Teve o nome gritado pela torcida em Londrina. Tem qualidade nos cruzamentos e nas cobranças de bolas paradas. É candidato a ganhar a posição de titular.

Júnior Tavares – 1 jogo
Lateral-esquerdo de origem, começou a ser aproveitado mais adiantado entre o fim de 2017 e o começo deste ano. Jogou na estreia como ponta, diante do São Bento, em um time repleto de reservas, e teve atuação apagada. Depois foi barrado de três jogos e voltou a ser relacionado diante do Madureira, mas ficou no banco.

Zagueiros
Rodrigo Caio – 4 jogos
Atleta do elenco com mais partidas pelo São Paulo (258), ele segue como titular absoluto na defesa do São Paulo neste início de temporada. Salvou um gol certo do Mirassol em lance de recuperação na corrida, na vitória po 2 a 0, no Morumbi.

Anderson Martins – 3 jogos
Reforço contratado após surgir como oportunidade de mercado, tem sido o titular ao lado de Rodrigo Caio durante a ausência de Arboleda, lesionado. Cometeu uma falha de posicionamento no segundo gol do clássico contra o Corinthians.

Bruno Alves – 1 jogo
Reserva, foi contratado no ano passado após rescindir com o Figueirense. Atuou contra o Novorizontino, no empate sem gols no Morumbi. Era o suplente imediato da defesa em 2017 e agora ganhou a concorrência de Anderson Martins no setor.

Rony – 1 jogo
Revelado na base, começou a treinar com o elenco profissional em 2017 e foi promovido definitivamente nesta temporada. Atuou na estreia com derrota para o São Bento, por 2 a 0, em Sorocaba, em uma equipe alternativa. Ele e Aderllan são as últimas opções na defesa.

Arboleda – nenhum jogo
Titular da defesa ao lado de Rodrigo Caio, abriu a temporada com um estiramento leve na coxa direita e aos poucos está retomando a condição física. Durante a sua ausência, tem sido substituído por pelo reforço Anderson Martins.

Aderllan – 1 jogo
Nesse momento é, ao lado de Rony, a última opção na defesa. Reserva e contratado após sair do Valencia, em 2017, atuou com o time alternativo que perdeu para o São Bento, por 2 a 0, em Sorocaba. Fez três partidas no ano passado.

Meio-campistas
Jucilei – 4 jogos
Foi contratado definitivamente da China. É um dos líderes técnicos do time de Dorival. Destaca-se no começo da temporada pela boa distribuição de jogo e precisão nos lançamentos. Tem feito boas combinações de jogadas com o ponta Marcos Guilherme. Virou capitão do time na ausência de Petros, contra o Madureira. Titular absoluto da equipe.

Petros – 3 jogos
Capitão de Dorival no início de 2018, tem atuado com mais liberadade para subir ao ataque nesta temporada. É uma das lideranças do grupo no dia a dia. Titular da equipe, Petros se identificou rapidamente com o São Paulo e hoje é um dos atletas mais queridos pela torcida.

Hudson – nenhum jogo
Retornou do empréstimo ao Cruzeiro e voltou a ser relacionado nos últimos dois jogos do time. Ainda sente dores, fruto da lesão muscular sofrida no fim do ano passado, com a equipe mineira. Pode ser um dos pilares do novo São Paulo.

Araruna – 2 jogos
O volante revelado na base é reserva no time de Dorival. Atuou na estreia, com o time alternativo que perdeu para o São Bento, e substituiu Petros, suspenso diante do Madureira. Teve atuações discretas nas duas ocasiões.

Pedro Augusto – 1 jogo
Revelado na base, o garoto jogou com o time alternativo diante do São Bento e teve atuação apagada. Levou um cartão amarelo e teve uma finalização bloqueada pela defesa.

Paulo Henrique – 2 jogos
Outro garoto de Cotia, o meia se destacou na derrota para o São Bento. Aproveitou sobra da defesa, driblou e quase fez um gol. Em outra oportunidade, criou jogada interessante em combinação com Marquinhos Cipriano e Bissoli.

Cueva – 1 jogo
O peruano foi muito mais assunto por atos fora de campo do que dentro. Se atrasou seis dias para a reapresentação, recebeu multa, pediu para não ser relacionado contra o Mirassol, pois recebeu uma proposta para sair, e foi barrado dos últimos jogos do Tricolor. Agora vive a expectativa de voltar contra o Botafogo, neste sábado, no Morumbi.

Shaylon – 4 jogos
Na ausência de Cueva, tem sido o titular do time. Revelado na base, o meia oscilou entre momentos bons e ruins neste começo de ano. Perdeu algumas chances claras de gols. Há esperança de que ele possa render mais. Está no segundo ano como profissional.

Lucas Fernandes – 3 jogos
Foi titular em uma partida e saiu do banco em outras duas oportunidades. Deu assistência para um gol de Marcos Guilherme, contra o Mirassol. Está no terceiro ano como profissional.

Gabriel Sara – nenhum jogo
Promovido da base, não teve oportunidades nesta temporada. Participou da reta final da Copa São Paulo, nos jogos contra Internacional (semifinal) e Flamengo (final).

Nenê – nenhum jogo
Vive a expectativa de estrear contra o Botafogo, neste sábado, no Morumbi. Apresentado nesta semana, o reforço é um dos nomes importantes do elenco para 2018.

Atacantes
Diego Souza – 4 jogos
Principal reforço da temporada, o centroavante recebeu a camisa 9, antes usada por Pratto, e fez um gol. Assim como todo o time, teve oscilação nesse início de temporada e ainda vai evoluir. O atleta sonha em disputar a Copa do Mundo, com a Seleção.

Marcos Guilherme – 5 jogos
Ao lado de Brenner, é o principal destaque do Tricolor nesse começo de temporada. Fez um gol, deu uma assistência para o próprio Brenner e tem sido protagonista das principais jogadas de perigo da equipe. Aberto na ponta direita, é uma das armas do time de Dorival.

Brenner – 5 jogos
O garoto de Cotia é o principal destaque do Tricolor entre os novos meninos. Ele fez dois gols (contra Corinthians e Madureira) e tem mostrado rápida adaptação ao elenco profissional. Artilheiro na base, foi promovido em 2017 sob grande expectativa.

Tréllez – nenhum jogo
É o quinto reforço para a temporada. Apresentado com Nenê, ainda não teve a situação regularizada no BID da CBF. Atua como centroavante e também pelos lados do campo. O colombiano se destacou no Vitória em 2017, quando 11 gols em 26 jogos.

Morato – nenhum jogo
Soma um jogo com a camisa do São Paulo, em 2017, e aprimora forma física após se recuperar de uma cirurgia no joelho direito. Teve o contrato renovado até o fim da temporada.

Bissoli – 2 jogos
Revelado na base, atuou contra o São Bento, na derrota por 2 a 0, e entrou durante a vitória por 1 a 0 diante do Madureira, na última quarta-feira, quando acertou a trave e quase fez um gol. É reserva no elenco.

Marquinhos Cipriano – 1 jogo
Outro garoto de Cotia, o atacante estreou como profissional diante do São Bento. É considerado um dos atletas promissores da nova geração e negocia renovação contratual do vínculo válido até setembro.

Caique – 3 jogos
Tem sido uma das surpresas positivas do time no começo da temporada. Sempre pela ponta esquerda, entrou bem contra Novorizontino (sofreu pênalti não marcado) e Mirassol (criou jogadas perigosas). O garoto canhoto tem contrato até o fim da temporada.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 22/02/2018, às 18:22

Perfil do elenco e estratégias de Dorival não combinam no São Paulo

Técnico vem apostando nos principais reforços trazidos pela diretoria, mas não consegue implantar o que treina nas partidas e vive sob intensa pressão no segundo mês do ano

Dorival aposta em estratégias que se mostram ineficazes com o elenco do São Paulo (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

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Não deu liga. Essa é a análise, até agora, da tentativa de Dorival Júnior de impor seu jogo ofensivo, explorando os lados do campo e a subida de meio-campistas e laterais, com o elenco que o São Paulo montou para a temporada. Na busca de aliar suas convicções táticas com os reforços trazidos pela diretoria, o técnico está longe de agradar e sob intensa pressão no clube.



Quem ouve Dorival apontar evolução nas entrevistas coletivas depois das pouco convincentes apresentações na temporada, certamente, questiona. O fato é que o técnico se baseia no que treina, e é fato que se vê no CT da Barra Funda uma equipe trabalhando para atacar pelas pontas e posicionada para não sofrer gols pelo alto. Mas a derrota para o Ituano, nessa quarta-feira, deixou claro, mais uma vez, como pouco ou nada disso se aplica nos jogos.

O gol que decidiu a vitória por 2 a 1 dos anfitriões em Itu saiu em uma jogada intensamente trabalhada por Dorival, mas saiu tão desajustada que sobrou para o pequeno Cueva tentar, em vão, evitar o cabeceio de Alison. O primeiro gol, originado em bola perdida na frente, teve ainda Bruno Alves não respeitando a linha de impedimento tão praticada nos treinos para ajudar na recomposição.

Mas erros defensivos estão longe de ser uma exclusividade do São Paulo. O principal sintoma de que o que se treina não pode ser aplicado está no ataque. Dorival parece, de alguma forma, se sentir pressionado a escalar Nenê, Diego Souza e Cueva. É claro que nenhum dos três tem a característica de jogar pelos lados como o técnico quer. Contudo, mesmo sem ninguém com o perfil que pediu, ele insiste em tentar fazer, na marra, sua estratégia dar certo.



Nessa quarta-feira, a nova tentativa foi um 4-4-2, com Cueva mais próximo de Diego Souza. Mas o que se viu foi o camisa 9, que se encaixa mais saindo do meio-campo e pouco tem ajudado como centroavante, atuando no setor do campo em que menos contribui: abrindo para os lados. Assim, para aparecer alguém na área, só com a correria de Cueva e Marcos Guilherme.

Nenê se mexeu como pôde para tentar ajudar, mas só auxiliava mesmo na bola parada. Na desorganização, Marcos Guilherme corria para trombar com adversários, porque já vinha desde muito atrás. E Cueva flutuava, pedia a bola, tentando ser uma solução que até conseguiu ser, já que graças aos seus lampejos algo positivo ocorreu em Itu - apesar de ter perdido pênalti no último lance da partida.

No segundo tempo, Dorival apostou em Valdívia e Tréllez nas vagas de Nenê e Diego Souza e conseguiu dar um fator que falta para a sua estratégia: fôlego. Mas ficou longe de mostrar qualquer ajuste suficiente para que a equipe fosse além das jogadas individuais de Cueva para levar real perigo a um Ituano que, até bater o Tricolor, não estava nem na faixa de classificação de seu grupo no Campeonato Paulista. E ainda ficou mais exposto.

Se continuar ganhando o voto de confiança da diretoria, Dorival terá de aceitar, definitivamente, a realidade: ou abre mão de tentar agradar aos dirigentes que pouco o ouviram nos pedidos por reforços, ou percebe que o seu sonho de implantar o estilo ofensivo que o marca é simplesmente impossível de se aplicar com o elenco que tem em mãos no São Paulo.

Veja abaixo como foi o posicionamento do time no primeiro tempo:



Conteúdo publicado originalmente no site Lance!