Publicada em 02/02/2018, às 12:14

Divergência interna e novo estatuto: o que está por trás da crise política do Flu

Decisões tomadas de forma isolada por Abad incomodam dirigentes. Eleição do novo presidente do Conselho Deliberativo determinará rumo de texto que tira poderes e profissionaliza o clube

Protesto de torcedores suspendeu sessão de terça do Conselho Deliberativo (Foto: Reprodução Redes Sociais)

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A invasão de torcedores ao Salão Nobre das Laranjeiras, na última terça-feira, e o pedido de união feito, no dia seguinte, por Abel Braga, após a classificação à segunda fase da Copa do Brasil diante da Caldense, são duas consequências da crise do Fluminense.

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Mas o que está por trás dela? O agravamento das dificuldades financeiras e a maneira pela qual algumas medidas foram aplicadas evidenciaram uma divergência entre integrantes da direção: decisões tomadas de forma isolada pelo presidente Pedro Abad.

Paralelamente, a eleição do presidente do Conselho Deliberativo, suspensa pelo protesto, gera disputa entre grupos políticos, afinal, a reforma do estatuto está em jogo. Tudo isso caminha sob críticas e pedidos de renúncia da torcida contra o mandatário tricolor.

Teoria da eleição x prática da gestão

Na campanha presidencial de 2016, Abad e a Flusócio, grupo político do presidente, fizeram um acordo com a Unido e Forte, união de correntes que compunham a então chapa de Cacá Cardoso (atual vice-presidente) e Diogo Bueno (atual vice de finanças) - estes dois se uniram após a saída de cena de Pedro Trengrouse. A ideia, ao agrupar modelo de gestão e visões do Flu, era gerar maioria no eleitorado para não correr riscos de perder o pleito a Mario Bittencourt ou Celso Barros.

Deu certo. A gestão, então, começaria com um acordo de compartilhar as decisões e divisão de representatividade política:

- Flusócio, na figura de Abad, ficou com a presidência do clube.
- Unido e Forte ficou com o Conselho Fiscal, presidido por Gustavo Donati.
- Esportes Olímpicos, tradicional aliado da Flusócio, ficou com o Conselho Deliberativo, presidido por José Guisard.

Acontece que, por motivos pessoais, Donati e Guisard renunciaram. No Conselho Fiscal, houve o entendimento de todas as partes em ter Felipe Dias (Flusósio), um dos três integrantes, como presidente. No Conselho Deliberativo, o estatuto determina eleição, sem nova data após a confusão de terça.

E aí há uma divergência entre a Flusócio e a Unido e Forte. Enquanto o primeiro, para manter o acordo inicial, apoia Ricardo Lopes (Esportes Olímpicos) o segundo entende que o combinado foi quebrado e sustenta Fernando Leite (alinhado com a Unido e Forte), atual presidente em exercício. É bem verdade que Miguel Pachá (indicação de Cacá Cardoso) assumiu o Jurídico no lugar de Bruno Curi (Flusócio), mas o grupo do vice-presidente não acha a troca suficiente. Há a tentativa ainda de alcançar um consenso.

As divergências

A gestão compartilhada teve a primeira divergência na votação das contas do último ano da gestão de Peter Siemsen. Abad e a Flusócio fecharam questão pela aprovação. Cacá Cardoso e a Unido e Forte, por conta do que julgaram má administração dos recursos do clube, defenderam a reprovação. A tumultuada sessão no Conselho Deliberativo resultou na aprovação.

Houve mais desentendimentos. A decisão de Abad em ceder ingressos a torcidas organizadas pegou de surpresa e desagradou aos colegas de gestão. E, mais recentemente, o episódio de liberação de oito jogadores obrigou a direção a fazer duas reuniões para manter a unidade.

O plano original, idealizado em julho passado para aliviar a folha salarial, previa que as dispensas fossem feitas após a manutenção do time na Série A, com comunicado presencial e posterior negociação. Aconteceu de ser por telefone, durante as férias dos jogadores e às vésperas da reapresentação do grupo.

Por que o novo estatuto é importante?

Nos últimos três anos, uma comissão de seis conselheiros estudou e elaborou o anteprojeto de reforma estatutária. Além de prever o fim da reeleição e profissionalizar a gestão do clube, alguns pontos tocam em temas polêmicos e, por vezes, encarados como perda de poder de conselheiros.

- Redução do número de conselheiros de 300 (até 150 eleitos e até 150 natos) para 150 (100 eleitos e 50 natos).
- Uniforme não precisa ser mais aprovado pelo Conselho Deliberativo.
- Conselho Deliberativo passa a validar metas da direção e, por consequência, vira co-responsável.
- Elaboração do orçamento prevê que atividades deficitárias sejam reformuladas e, em caso de resultado negativo, extintas.

O presidente a ser eleito, então, decidirá o rumo do anteprojeto. Poderá ignorá-lo, poderá modificá-lo ou poderá colocá-lo em votação.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 23/02/2018, às 18:22

Fluminense e Diego Cavalieri chegam a acordo por rescisão; goleiro negocia com clube inglês

Fora dos planos do Tricolor desde o fim da última temporada, arqueiro entrou na justiça contra o clube buscando rescindir o contrato, assim como Scarpa e Henrique. Nesta sexta-feira (23), as partes chegaram a um acerto

(Foto: FOX Sports)

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O Fluminense anunciou na tarde desta sexta-feira (23 de fevereiro) que entrou em acordo com o goleiro Diego Cavalieri, que teve a rescisão de contrato com o clube publicada no Boletim Informativo Diário da CBF, o BID.



Dispensado de forma conturbada pelo Tricolor no fim de 2017, o arqueiro seguiu o caminho do zagueiro Henrique e do meia Gustavo Scarpa e pediu rescisão na Justiça Trabalhista, alegando atrasos de pagamento. Desde então, Diego e Fluminense iniciaram uma negociação para que o caso fosse resolvido de forma mais amistosa.

O jogador negocia com o Crystal Palace, da Inglaterra, e precisava da liberação do clube carioca. Os valores do acerto não foram divulgados pelo Tricolor das Laranjeiras.

Na publicação, o Fluminense aproveitou para agradecer os serviços prestados pelo goleiro: "O clube deseja sorte ao jogador que sempre honrou com profissionalismo as três cores que traduzem tradição em seu próximo passo na carreira".



Conteúdo publicado originalmente no site Fox Sports