Publicada em 01/02/2018, às 14:23

São Paulo acertou os lados do campo, agora precisa de um camisa 10

Escalados abertos nas beiradas, Brenner e Marcos Guilherme são os responsáveis pelas jogadas ofensivas do Tricolor; meio de campo é território ainda não utilizado pelo time

O técnico Dorival Júnior vai, aos poucos, dando sua cara ao time (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

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O São Paulo versão 2018 ainda está em fase de ajustes. A equipe do técnico Dorival Júnior não fez boa partida contra o Madureira, apesar da vitória magra, por 1 a 0, e vai se adaptando ao novo modelo de jogo (4-3-3) com dois pontas bem abertos. Aos poucos, a ideia vai sendo implantada e os jogadores vão se acostumando ao estilo. O problema, porém, é que o Tricolor precisa urgentemente de um meio-campista com características de armação.

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A escalação de Marcos Guilherme, pela direita, e Brenner, pela esquerda, está dando certo. Ambos ficam quase na linha lateral do campo, abrem a defesa adversária e são velozes pelas pontas. Acontece que, nesta fase final de pré-temporada, este é o único recurso do Tricolor para vencer suas partidas e, quando os dois são bem marcados ou a energia chega ao fim, o São Paulo não tem nem uma variação tática sequer para conseguir seus gols.

O time quase não consegue chegar à defesa adversária pelo meio de campo. Não há infiltração dos volantes e é possível observar uma total ausência de passes em profundidade para os dois pontas e também para Diego Souza, escalado como centroavante desde a sua chegada ao clube.

Desta forma, as jogadas da equipe limitam-se aos cruzamentos rasteiros - por onde saíram os gols contra Corinthians e Madureira. As bolas aéreas quase sempre são afastadas pelas zagas adversárias. A consequência dessa limitação são os poucos gols feitos pelo clube neste início de temporada (4 em 5 partidas, média de apenas 0,8 por jogo).

Escalado nas três últimas partidas do Tricolor, Shaylon não está conseguindo dar conta do recado. Apesar de ser bem prestativo à equipe e arriscar algumas jogadas, o garoto tem dificuldades para chamar a responsabilidade na posição e também não tem chegado tanto à área adversária para concluir as jogadas.

Diante da dificuldade, a diretoria foi buscar o meia Nenê, no Vasco, e ainda conta com o peruano Cueva no elenco, que ainda tem destino incerto dentro do São Paulo após pedir para não viajar para o jogo contra o Mirassol - terceira rodada do Paulistão - e externar publicamente seu descontentamento com a reserva (desmentida, dias depois, pelo próprio jogador).

Seja quem for que vá assumir a vaga de camisa 10, precisa fazer o time mudar de postura durante os jogos e desafogar os lados dos campos. O Tricolor necessita arriscar mais de fora da área e ter um articulador que saiba lançar bolas em profundidade para seus dois pontas. Sem esse tipo articulação fica difícil abrir os ferrolhos defensivos adversários.

Vale lembrar que os dois laterais titulares (Militão e Edimar) possuem características defensivas e, com isso, Dorival pode liberar Petros ou Jucilei para chegarem ao gol adversário. O treinador, aos poucos, vai ajustando a equipe conforme suas crenças. O São Paulo carrega uma pressão grande e os resultados não virão do dia para a noite. Há de se ter paciência, torcedor.

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!

Publicada em 22/02/2018, às 18:22

Perfil do elenco e estratégias de Dorival não combinam no São Paulo

Técnico vem apostando nos principais reforços trazidos pela diretoria, mas não consegue implantar o que treina nas partidas e vive sob intensa pressão no segundo mês do ano

Dorival aposta em estratégias que se mostram ineficazes com o elenco do São Paulo (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

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Não deu liga. Essa é a análise, até agora, da tentativa de Dorival Júnior de impor seu jogo ofensivo, explorando os lados do campo e a subida de meio-campistas e laterais, com o elenco que o São Paulo montou para a temporada. Na busca de aliar suas convicções táticas com os reforços trazidos pela diretoria, o técnico está longe de agradar e sob intensa pressão no clube.



Quem ouve Dorival apontar evolução nas entrevistas coletivas depois das pouco convincentes apresentações na temporada, certamente, questiona. O fato é que o técnico se baseia no que treina, e é fato que se vê no CT da Barra Funda uma equipe trabalhando para atacar pelas pontas e posicionada para não sofrer gols pelo alto. Mas a derrota para o Ituano, nessa quarta-feira, deixou claro, mais uma vez, como pouco ou nada disso se aplica nos jogos.

O gol que decidiu a vitória por 2 a 1 dos anfitriões em Itu saiu em uma jogada intensamente trabalhada por Dorival, mas saiu tão desajustada que sobrou para o pequeno Cueva tentar, em vão, evitar o cabeceio de Alison. O primeiro gol, originado em bola perdida na frente, teve ainda Bruno Alves não respeitando a linha de impedimento tão praticada nos treinos para ajudar na recomposição.

Mas erros defensivos estão longe de ser uma exclusividade do São Paulo. O principal sintoma de que o que se treina não pode ser aplicado está no ataque. Dorival parece, de alguma forma, se sentir pressionado a escalar Nenê, Diego Souza e Cueva. É claro que nenhum dos três tem a característica de jogar pelos lados como o técnico quer. Contudo, mesmo sem ninguém com o perfil que pediu, ele insiste em tentar fazer, na marra, sua estratégia dar certo.



Nessa quarta-feira, a nova tentativa foi um 4-4-2, com Cueva mais próximo de Diego Souza. Mas o que se viu foi o camisa 9, que se encaixa mais saindo do meio-campo e pouco tem ajudado como centroavante, atuando no setor do campo em que menos contribui: abrindo para os lados. Assim, para aparecer alguém na área, só com a correria de Cueva e Marcos Guilherme.

Nenê se mexeu como pôde para tentar ajudar, mas só auxiliava mesmo na bola parada. Na desorganização, Marcos Guilherme corria para trombar com adversários, porque já vinha desde muito atrás. E Cueva flutuava, pedia a bola, tentando ser uma solução que até conseguiu ser, já que graças aos seus lampejos algo positivo ocorreu em Itu - apesar de ter perdido pênalti no último lance da partida.

No segundo tempo, Dorival apostou em Valdívia e Tréllez nas vagas de Nenê e Diego Souza e conseguiu dar um fator que falta para a sua estratégia: fôlego. Mas ficou longe de mostrar qualquer ajuste suficiente para que a equipe fosse além das jogadas individuais de Cueva para levar real perigo a um Ituano que, até bater o Tricolor, não estava nem na faixa de classificação de seu grupo no Campeonato Paulista. E ainda ficou mais exposto.

Se continuar ganhando o voto de confiança da diretoria, Dorival terá de aceitar, definitivamente, a realidade: ou abre mão de tentar agradar aos dirigentes que pouco o ouviram nos pedidos por reforços, ou percebe que o seu sonho de implantar o estilo ofensivo que o marca é simplesmente impossível de se aplicar com o elenco que tem em mãos no São Paulo.

Veja abaixo como foi o posicionamento do time no primeiro tempo:



Conteúdo publicado originalmente no site Lance!