Publicada em 31/01/2018, às 11:19

Saiba como Roger faz atacantes ajudarem o Palmeiras a ter bons números defensivos

Time possui 100% de aproveitamento e a segunda melhor defesa do Paulistão

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O atual técnico do Palmeiras tem um lema: "Títulos são decididos pelos ataques, mas construídos por defesas sólidas". Roger Machado quer dizer com isso que é preciso ter um conjunto equilibrado. É exatamente, ao menos até aqui, o que tem sido seu time em 2018, como confirmam os números após quatro rodadas do Campeonato Paulista.

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- Única equipe com 100% de aproveitamento
- Melhor saldo de gols (seis)
- Melhor ataque (oito gols), ao lado do Corinthians
- Segunda melhor defesa (dois gols, um a mais do que o São Bento)
- Maior número de desarmes (73)
- Menor número de cartões amarelos (dois)

– Os campeões das principais ligas do mundo obedecem métricas parecidas. Se não me engano, nos últimos 17 anos de Brasileirão, só em quatro o campeão não teve a melhor defesa. Quando tu tens a melhor defesa, estás muito mais próximo de vencer. "Ah não, vai jogar defensivamente". Não é isso – diz o treinador.

Para Roger, todos os jogadores de linha precisam contribuir com ações defensivas. Isso não significa que os atacantes precisem voltar até a linha de fundo para marcar. Ele entende ser mais racional ocupar os espaços do campo sem necessariamente ter que fazer perseguições ao adversário. Com uma marcação por zona (e não individualizada), fechando linhas de passe, há menos perda de energia e melhor posicionamento para o momento da ação ofensiva.

– Não existe certo nem errado. As duas são eficientes, depende do que acredita. Eu acredito que, bem posicionado, não preciso fazer meu atacante correr atrás do lateral até a linha de fundo e dar carrinho. Aí roubou a bola, "obrigado, participou da ação defensiva". Mas como ele chega lá na frente? Agora, se ele estiver bem posicionado por dentro, ele vai transferir essa amplitude para o lateral, que é ele quem tem que chegar até a linha de fundo para dar o carrinho – argumenta.

– A marcação individual, com perseguições curtas, médias e longas, já tornou muitos times campeões, mas a primeira referência dela é o homem. Depois, é a – e o homem se estiver com a bola. E aí o espaço. A marcação zona inverte. Nela se acredita que sem espaço e sem a bola, o homem não joga. Esquece os que estão longe do jogo. Aqueles que estão longe não são problema nosso, são problema deles. Se a gente roubar a bola, vai gerar problema maior para eles.

Números e vídeos

O centroavante Miguel Borja tem feito sua parte, ainda que não esteja acostumado a atuar assim. Vem sendo comum vê-lo compor a marcação ao menos até o meio-de-campo. Para convencer o colombiano e os demais homens de frente, Roger lança mão de números e vídeos.

O técnico recorreu a dados dos analistas de desempenho do Palmeiras para comprovar que em 2016 e 2017 o índice de gols marcados e de vitórias, por consequência, foi superior nas partidas em que houve colaboração dos atacantes em roubadas de bola.

– Mostrei que não só o time ganha coletivamente, como eles são decisivos também para fazer gol. "Não estou dizendo que vocês ajudam a marcar e quem decide é o zagueiro". Quando roubaram de três bolas para menos, eles tiveram, (média de) 0,78 gol. Quando roubaram de quatro para mais, 1,50 gol. Está comprovado. Essa desculpa de quem marca não tem força para atacar não rola.

O exemplo mais claro foi em um gol justamente de Borja, na vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo. Willian tomou a bola na intermediária, tabelou e viu o colombiano empurrá-la para a rede.

– Os ataques vão continuar decidindo, o talento vai continuar decidindo no futebol. Só que esse talento organizado produz muito melhor, na minha opinião – justifica.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

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