Publicada em 30/01/2018, às 11:15

Roger desfruta de sobrevida no futebol e extravasa com gols: "Vitória de todos"

Centroavante vibra com primeiros gols após tumor e projeta nova fase "mais leve" em 2018 com a camisa do Inter

Roger fala sobre a recuperação e o 2018 para desfrutar (Foto: Eduardo Deconto)

CLIQUE AQUI e receba notícias do Internacional direto no seu Messenger.

Roger chega para a entrevista, se acomoda em um banco em frente às piscinas do CT do Parque Gigante e dispensa formalidades para iniciar a falar, sem quaisquer rodeios. A voz rouca desvenda uma série de histórias e lições de persistência que, volta e meia, o conduzem a uma palavra recorrente em seu vocabulário e que norteia seus planos para 2018: "desfrutar". Desfrutar de cada minuto dentro de campo. Desfrutar de uma singela refeição com um colega de clube. Desfrutar de todo e qualquer instante ao lado dos filhos Giulia e Nicolas e da esposa Elizabeth.

CONTINUA DEPOIS DOS ANÚNCIOS





Que venham marcadores ferrenhos, sessões de treinamento sob sol escaldante e tudo mais. Não importa. Roger quer, mais do que nunca, desfrutar. E faz todo o sentido a quem viveu um final de 2017 repleto de incertezas, superadas uma a uma com boas doses de carinho. Nos últimos dias de setembro passado, o centroavante foi diagnosticado com um tumor benigno no rim direito. O cisto de três centímetros foi retirado com uma cirurgia bem sucedida em 8 de outubro, mas não demoveu a onda de solidariedade que tomou conta do cenário do futebol brasileiro de imediato e que persiste até hoje.

No último sábado, Roger balançou as redes, e logo duas vezes, pela primeira vez desde que se iniciou todo o drama que comoveu o país, na vitória do Inter por 3 a 0 sobre o Avenida. Ali, no gramado do Beira-Rio, se ajoelhou, de olhos cerrados para agradecer... À torcida colorada? Claro. Mas também a todas as cores e bandeiras que lotam os estádios brasileiros. A enxurrada de mensagens que tomou seu celular, minutos mais tarde, era a prova de que o Brasil todo torce por sua retomada.


"Eu vivo a melhor fase da minha vida, como atleta, como pai, como pessoa. E desfrutando. Essa é a palavra de 2018. É desfrutar do futebol, de cada momento, de cada entrevista, de um jantar com o amigo do clube. Daqui a pouco, isso acaba. O futebol voa." (Roger)


O atacante recebeu a reportagem do GloboEsporte.com para 20 minutos de uma conversa conduzida com leveza e tranquilidade, às margens do Guaíba, nesta segunda-feira. Mas a verdade é que Roger contava até os segundos para o que o restante do dia lhe reservava. De mudança feita para um condomínio na Zona Sul de Porto Alegre, o centroavante tomaria os rumos do Aeroporto Salgado Filho para recepcionar a esposa, Elizabeth, e os filhos Giulia e Nicolas. E para desfrutar ainda mais da nova vida com a camisa do Inter. Por falar em "desfrutar", suas histórias rendem lições valiosas que podem muito bem ser aproveitadas.

> Confira a entrevista:

GloboEsporte.com: Como foi aquele momento em que você deslocou o goleiro e logo se ajoelhou para comemorar o primeiro gol pelo Inter? O primeiro também após a cura do tumor...

Roger: Foi um momento de muita alegria, de lembrar de tudo. Na hora que eu ajoelhei, lembrei de todo o processo que foi, da minha chegada aqui, ao longo dos quatro meses, a luta que foi. A família. Todos os clubes do Brasil, eu tenho até guardado no meu telefone todos os "Twitters" de todos os clubes, todas as mensagens. Foi especial. Não é uma vitória só minha. É uma vitória de todo mundo que orou e torceu por mim.

Num momento desses, parece que todo mundo torce por você, que não tem adversário, né?

Não tem. Recebi muitas mensagens inclusive do rival, que nem era meu adversário hoje. Pessoal me ligou de lá, me dando abraço, boa sorte. A gente tem que deixar o lado torcedor de lado e abraçar o ser humano, a história. É muito bonito. A minha história de superação serve de inspiração para muitas pessoas que estão passando por problemas. Se a gente puder dar um abraço, vai fazer toda a diferença.

Falando em abraço... Você foi muito abraçado aqui no Inter, mas como vai ser essa disputa por posição com o Damião?

O Damião é um amigo que eu fiz, um cara que a gente tem uma relação bem bacana no clube. Eu sempre digo. Hoje o Damião é o titular, tem toda uma história, quase 100 gols. Está chegando. Tem uma história bem linda com a camisa do Inter. A gente está aí para ajudar. Estou aqui para ajudar. Claro, todo mundo quer ser titular. Mas sei que meu ano é mais de ajuda, de preencher espaço quando tiver oportunidade e fazer um Inter bem forte em 2018.


"Eu tenho até guardado no meu telefone todos os 'Twitters' de todos os clubes, todas as mensagens. (O gol) Foi especial. Não é uma vitória só minha. É uma vitória de todo mundo que orou e torceu por mim". (Roger)


Como foi essa virada na sua vida, já com esse início tão positivo pelo Inter?

Estou muito feliz, vivendo momento muito especial. Ainda lutando com o corpo, a gente sabe que o período que a gente fica parado é muito, acaba destreinando muito o corpo. Ainda estou lutando com o corpo para treinar forte, jogar num nível maior. Vou precisar de mais alguns dias de treino para estar num nível bom. Mas estou feliz com os gols e com o momento que a gente está vivendo aqui.

Você tem toda uma vida de superação. Já falou que teve problema com álcool, o tumor... Por tudo isso, dá para dizer que o Roger vive um 2018 bem mais leve?

É por aí. Quando eu disse a palavra desfrutar, é de tanta coisa que passei em 2017. Teve a repercussão da Giulia, que trouxe um peso muito grande também. Aí veio o problema do tumor, enfim. Quero desfrutar os próximos quatro anos que eu devo jogar. É desfrutar do futebol, de cada momento, de cada entrevista, de um jantar com o amigo do clube. Daqui a pouco, isso acaba. O futebol, ele voa. As coisas passam num estalar de dedos.

O D'Alessandro já disse que sua trajetória é uma lição de vida. Os próprios dirigentes dizem que você serve de exemplo a todos. Muda algo para você levar esse peso a mais?

Na verdade, isso não me toca pelo amanhã. Eu sou isso, entendeu. Eu sou assim. Eu não acordo querendo ser mais exemplo ou menos exemplo. Sou um cara que eu treino, eu descanso, visto a camisa da minha equipe. Eu sou um cara que tenho minhas limitações como atleta, como todos têm. Mas eu procuro passar o melhor para essa rapazeada. Não é todo mundo que tem a oportunidade de jogar no Inter. A gente vê o Campeonato Gaúcho, três, quatro meses, grande parte dos atletas fica desempregada. Eu tento passar o que eu sou todos os dias. A minha história de vida é bonita, mas eles têm que fazer ponde para viver uma história bonita.

Voltando um pouco a 2017... Como você se viu obrigado a ter de lidar com um tumor logo no melhor momento de sua carreira?

De início, você acaba não entendendo. Você fala: "cara, por que aconteceu isso? Por que comigo?" Depois você vai entendendo que Deus tem seus caminhos, tem seus meios. E que acontece com bastante gente no Brasil, no mundo. Por que não poderia acontecer comigo? Uma doença que acontece com muita gente, e, como eu, as pessoas são curadas. Tem felicidade após isso aí. Num pequeno momento, me perguntei, mas depois eu vi que era só para as coisas ficarem ainda melhores. Para eu viver esses momentos com mais alegria.

Qual foi sua reação ao ouvir a notícia do tumor?

Sinceramente, me apeguei mais ainda em Deus, na minha fé. Que Deus, que Jesus iam me curar. Era uma coisa que eu ia contar as vitórias. Só teve um momento nesse tempo em que eu chorei: quando meus pais chegaram ao Rio, e eu vi meu pai, mineiro, do interior, chorando. Aquilo me abalou um pouco. Mas eu queria mostrar para eles o tempo inteiro que eu estava bem, que eu estava inteiro. Que eu ia superar. Graças a Deus, estou com saúde, alegre, para viver coisas boas em 2018.


"De início, você acaba não entendendo. Você fala: 'cara, por que aconteceu isso? Por que comigo?' Mas depois eu vi que era só para as coisas ficarem ainda melhores. Para eu viver esses momentos com mais alegria".


Você recebeu muito carinho dos amigos, de colegas no futebol, de todo o Brasil...

Bom, foi especial. Todo mundo quando soube, o WhatsApp, todo mundo me mandando mensagens. Mas hoje, com os gols de sábado, foi muito mais especial. Mandando mensagens, falando da alegria que é me ver jogando novamente, de jogar 90 minutos. Isso talvez era improvável no começo de temporada.

Em algum momento, você pensou que não ia jogar mais?

Sim. No início, quando veio a notícia, havia possibilidade de eu ter que tirar parte do rim direito. Se tivesse que tirar parte do rim, talvez minha carreira estivesse comprometida. Mas logo o diagnóstico já foi de uma coisa bem tranquila, de um tumor bem pequeno. Já trouxe um pouco mais de alívio e alegria.

A (filha) Giulia lhe ajudou muito no processo de recuperação?

Ah, não só a Giulia, cara. A gente fala muito da Giulia, mas tem um carinha lá em casa, que é o Nicolas, que faz toda a diferença. A Giulia ganhou essa notoriedade no Brasil, mas o Nicolas é um filho que me completa. Eu me vejo muito nele. É competitivo, quer ganhar sempre. É especial. Eu tenho um casal de filhos abençoado, uma família abençoada e é isso que eu falo em desfrutar. Não é só no futebol. É a família, no jantar, numa festa, numa igreja, eu gosto de ir à igreja, fazer uma oração. Eu acho que isso é importante. Traz um pouco de paz. É desfrutar tudo. A vida passa muito rápido.

Como foi contar para a sua esposa, a Elizabeth, sobre o tumor?

Não foi fácil. Ela estava comigo no hospital, ela foi buscar meus filhos no colégio e chegou com o diagnóstico já pronto. Imagino o quanto ela deve ter sofrido. Ela passou um tempo bem complicado, muitas noites sem dormir, cuidando de mim no hospital, dando comida, me ajudando nos treinamentos durante as férias, me incentivando a treinar. Ela também faz parte dessa vitória, com certeza.


"A gente quer levar esse Gauchão, vamos fazer de tudo trazer essa alegria para o torcedor. No Brasileiro, (o objetivo) é colocar o Inter entre os quatro primeiros. Não tem como ficar abaixo disso. A grandeza dessa camisa merece uma vaga direta à Libertadores."


Você segue alguma recomendação especial?

Já teve. O processo de três meses, não pode tomar anti-inflamatórios, nada de remédios. Eu virei um cara super natural. Não dá mais. A gente procura poupar o rim, o corpo. Claro que estou curado, não tenho vestígio, mas é bom que a gente tome as precauções.

O Corinthians também lhe procurou para tentar contratá-lo no final do ano passado. O que pesou para você escolher o Inter?

O projeto do Inter para 2018 eu acho que encaixava melhor no projeto do Roger. Um projeto de recomeçar, de reconstruir. Um processo de reformulação do elenco, de fazer um clube forte. O projeto, as pessoas que me ligaram, que pegaram o voo aqui, foram ao Rio, jantaram comigo, acreditaram que eu podia voltar em alto nível. Isso pesou.

Você viveu e rodou bastante pelo futebol, mas só conseguiu se firmar, mesmo, na Ponte Preta, com 30 anos. Por que você acha essa afirmação chegou tão tarde?

Eu mudei muitos hábitos na minha vida. Faz sete anos que eu não bebo mais. Eu passei a ser um cara extremamente profissional, chegar uma hora antes nos treinamentos. Eu plantei em alguma hora tudo o que estou colhendo hoje. Eu também não sei te responder. Posso dizer que os excessos talvez tenham me prejudicado um pouco, mas, sem dúvidas, eu vivo melhor. Eu vivo a melhor fase da minha vida, como atleta, como pai, como pessoa. E desfrutando. Essa é a palavra de 2018.

Você marcou seus dois primeiros gols. E agora? O que o torcedor pode esperar do Roger?

Pode confiar. Viemos para fazer história aqui. Eu, Damião, D'Alessandro, Pottker, Camilo. Tem um grupo de homens, que quer fazer o Inter campeão. A gente quer levar esse Gauchão, vamos fazer de tudo para trazer essa alegria ao torcedor. Copa do Brasil é o caminho mais rápido para a Libertadores. E no Brasileiro, sem dúvidas, é colocar o Inter entre os quatro primeiros. Não tem como a gente ficar para baixo disso. A grandeza dessa camisa merece uma vaga direta à Libertadores.

Sua família chega hoje (segunda-feira) a Porto Alegre. Já está instalado por aqui?

Porto Alegre é uma cidade maravilhosa. Já conhecia. Eu vim jantar aqui na churrascaria no CT, quando tinha, em 2009, com o Leandrão (centroavante do Boavista). É um amigo, fala sempre muito bem do Inter. É colorado. A gente veio aqui com o Vitória e jantou aqui. Eu estou em casa. Estou feliz para caramba aqui. Conhecendo a cidade ainda, os filhos chegando, a esposa, mas vai ser um grande ano, se Deus quiser.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 21/02/2018, às 11:53

Sorteio de mandos da terceira fase da Copa BR define que Flu e São Paulo decidirão fora de casa

Realizado no fim da manhã desta quarta-feira na sede da CBF, sorteio de mandos ainda confirmou que, caso passe de fase, Inter também decidem fora. Já Galo, se passar, decide em BH

Já classificados, Fluminense e São Paulo sabem que farão primeiro jogo como mandantes (Foto: Rodrigo Rodrigues/CBF)



Os clubes de ponta que estão na terceira fase da Copa do Brasil terão de decidir suas classificações longe de seus domínios. O sorteio realizado nesta quarta-feira na sede da CBF confirmou que Fluminense e São Paulo abrirão seus respectivos embates em casa.



Até o momento, o Tricolor paulista é a única equipe que tem seu adversário definido: encarará o CRB no Morumbi no jogo de ida. Depois, decidirá a vaga no Estádio Rei Pelé.

Já o Tricolor das Laranjeiras aguarda pelo vencedor do embate entre Avaí e juventude para saber com quem medirá forças. Porém, sua primeira partida será no Maracanã.

Ainda lutando por classificação à terceira fase, Atlético-PR, Internacional e Atlético-MG já sabem seus respectivos trajetos caso passem. O Furacão, que mede forças com o Tubarão, decidirá longe de casa contra o vencedor do duelo entre Ceará e Londrina.



O Colorado, que tem de passar pelo Remo na segunda fase, inicia sua terceira fase no Beira-Rio contra o vencedor de Criciúma e Cianorte. Enquanto isto, o Galo ganhou um bom trunfo se passar pelo Botafogo-PB segunda fase. A equipe define sua terceira fase, contra o vencedor de Figueirense e Oeste, em Minas Gerais.


CONFIRA OS JOGOS

ATLÉTICO-PR ou TUBARÃO x CEARÁ ou LONDRINA

GOIÁS ou BOA x CORITIBA ou UBERLÂNDIA

FERROVIÁRIO x JOINVILLE ou VILA NOVA

FLUMINENSE x AVAÍ ou JUVENTUDE

FIGUEIRENSE ou OESTE x ATLÉTICO-MG ou BOTAFOGO-PB

REMO ou INTERNACIONAL x CRICIÚMA ou CIANORTE

PONTE PRETA ou INTER DE LIMEIRA x PARANÁ ou SAMPAIO CORRÊA

SÃO PAULO x CRB

BRAGANTINO ou ALTOS-PI x VITÓRIA

NÁUTICO x CUIABÁ ou APARECIDENSE

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!