Publicada em 29/01/2018, às 11:44

A crônica de uma saída anunciada: por que acabou a relação Nenê-Vasco

Partes já não se entendiam desde o ano passado, num cenário que inclui salários atrasados e desgaste interno. Torcida, antes aliada, passou a se dividir

Nenê em sua última partida pelo Vasco: gol na derrota para a Cabofriense (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

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O casamento entre Nenê e Vasco terminou de vez na sexta-feira. Mas, como um casal que há tempos não se entendiam, o desgaste entre as partes é antigo. Data do início de 2017, quando o meia pediu, pela segunda vez na época, para deixar o clube. Ao todo, foram quatro tentativas de sair - esta última, enfim, atendida, graças ao interesse do São Paulo.

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Nenê chegou ao Vasco em agosto de 2015. A empatia foi imediata. Com grandes atuações, liderou uma reação cruz-maltina no Campeonato Brasileiro. O clube, antes lanterna, brigou contra o rebaixamento até a última rodada, mas não evitou a descida.

Valorizado, Nenê foi procurado por diversos clubes no início de 2016. Inclusive pelo rival Flamengo. Optou por continuar, mas a renovação não foi simples. Ele fez um pedido alto para o Vasco, e o presidente Eurico Miranda bancou, para a surpresa do jogador. De vínculo novo, o meia brilhou na conquista do Campeonato Carioca daquele ano, mas, a partir disso, caiu de rendimento.

Em 2017, Nenê quase saiu

A diretoria da época percebeu. Tanto que, se segurou o jogador em junho de 2016, quando ele manifestou vontade de sair, mostrou-se disposta a liberar o meia em janeiro de 2017 e, principalmente, julho de 2017, quando ele novamente solicitou deixar o Vasco.

No último episódio, o desgaste era grande. Nenê pediu para não viajar para enfrentar justamente o São Paulo e ficou afastado à espera de propostas. Nenhuma se concretizou, ele foi reintegrado e teve papel importante na classificação para a Libertadores.

Queda na popularidade

Ainda assim, Nenê não era mais unanimidade. Ainda com Milton Mendes no comando, chegou a ser barrado. Com Zé Ricardo, recuperou espaço, mas até a torcida, antes completamente rendida a seu futebol, passou a questioná-lo. Com lampejos de brilhantismo, o meia decidiu jogos, mas o desempenho nos 90 minutos não era de todo satisfatório.

Internamente, Nenê também não era unanimidade. A grande queixa em relação ao jogador era de que ele gostava de ser o centro das atenções – por isso, ganhou o apelido de Mickey dos companheiros. A partir do momento em que perdia a camisa 10, era substituído ou barrado, ele mostrava descontentamento.

O relacionamento com Mateus Vital é um exemplo. O garoto, joia da base vascaína, chegou a usar a camisa 10 por um tempo, com Nenê vestindo a 11. Eles também trocaram de posição, com o jovem centralizado e o veterano na ponta.

Para muitos dentro do clube, Nenê tinha ciúme de Vital. Apontavam, inclusive, lances em que o craque não tocava a bola para o jovem.

Para finalizar, pessoas da antiga gestão acreditavam que Nenê tinha relações com Julio Brant, candidato da oposição. Ele teria sido um dos jogadores que se reuniram com o ex-jogador Felipe, uma das acusações feitas pelo então vice de futebol, Eurico Brandão, em coletiva.

Nenê lamenta falta de prestígio

Por outro lado, Nenê tinha suas razões para pensar em deixar o Vasco. Ele sai do clube com cinco meses de salários atrasados, segundo seu empresário, Gilvan Costa. Uma dívida de R$ 1,5 milhão, referente, principalmente, a direitos de imagem.

A grande queixa de Nenê é que ele nunca se sentiu valorizado pelo Vasco. O jogador acredita que segurou muita pressão pelo clube, mas não foi retribuído da mesma forma.

- Nenê vem jogando pelo respeito que ele tem com o Vasco. Está há cinco meses sem receber. Preciso saber qual é a realidade do clube – disse Gilvan Costa, empresário do jogador, no início das conversas com o São Paulo.

A conversa com Campello

A realidade do Vasco é complicada. Por isso, o interesse de São Paulo abriu a porta para a saída de Nenê. Apesar de tudo, a nova diretoria cruz-maltina, liderada pelo presidente Alexandre Campello, não queria se desfazer de uma referência técnica do elenco sem luta.

A estratégia foi colocar o peso da decisão em Nenê. Com todos os detalhes encaminhados, Campello, em coletiva, ainda negava a saída. Dizia que precisava conversar com o jogador para saber de sua vontade. O vice-presidente, Fred Lopes, deixou claro que não era interessante manter um atleta que queria sair. Era preciso que o meia assumisse a vontade de sair.

Com o pedido de Nenê, restou acertar as arestas financeiras. Uma reunião do jogador com Fred Lopes e Paulo Pelaipe encaminhou a saída. A dívida de R$ 1,5 milhão do clube será abatida: o Vasco pagar R$ 800 mil, pois tinha pendências com o São Paulo pelas negociações de Brenno e Wellington - esse valor será parcelado em 30 vezes; Nenê vai abrir mão do restante a que teria direito.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte

Publicada em 09/02/2018, às 09:43

Dinamite se emociona com retorno a São Januário: 'Minha casa'

Ídolo e ex-presidente do clube voltou ao estádio convidado pelo atual mandatário Alexandre Campello após três anos afastado na gestão Eurico Miranda

(Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)

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Roberto Dinamite é o maior ídolo da história do Vasco. O ex-atacante marcou 644 gols em 955 jogos com a camisa Cruz-Maltina e foi presidente do clube por seis anos. Após três anos sem pisar em São Januário, Dinamite retornou ao local convidado pelo atual mandatário Alexandre Campello e se emocionou com o carinho dos torcedores.



- São Januário sempre foi a minha casa. Eu comecei lá com 14 anos, parei com 38 e depois fui presidente do clube. Não tenho grupo A, B ou C na política do clube. O Vasco é maior e está acima de tudo isso. Não fui nos últimos anos porque nunca tinha sido convidado. O atual presidente me convidou, o Campello trabalhou comigo e não tenho problema nenhum com ele - disse Dinamite, ao LANCE!, antes de completar:

- Foi muito legal retornar a São Januário. O torcedor me recebeu bem. Eu me emocionei, fiquei muito feliz. Pode parecer simples, mas esse convite me fez muito bem.

No rápido papo com a reportagem, Dinamite evita o assunto política do clube. Antes mesmo de ser questionado sobre o assunto, Roberto já deixou clara sua posição:



- No que eu puder ajudar, eu vou ajudar. Posso garantir que não vou atrapalhar e creio que se todos que estão envolvidos pensarem assim, vai dar certo. Torço para a atual diretoria, o Vasco e a sua torcida merecem dias melhores.

ELOGIOS A PAULINHO E EVANDER E PEDIDO POR REFORÇOS

Dois jogadores do atual elenco vascaíno foram destacos por Dinamite: os jovens Paulinho e Evander. O bom desempenho dos meninos que vieram da base fez Roberto lembrar do tempo em que trabalhou com alguns deles enquanto presidente:

- O Paulinho está aí marcando história como o jogador mais novo da história do Vasco a marcar na Libertadores. O Evander teve paciência para esperar o momento dele de brilhar. É muito legal ver essa molecada brilhando, 90% deles estiveram com a gente na base, isso mostra que o trabalho foi bem feito.

Sobre o time atual na Libertadores, Roberto manteve os elogios para o trabalho do técnico Zé Ricardo, mas ressaltou que as próximas fases serão muito complicadas e que o atual elenco precisa de reforços.

- A expectativa é boa. Temos que pensar grande, os adversários dessa fase preliminar não são do mesmo nível que o Vasco pode encarar lá na frente, mas o time está bem, o trabalho do Zé Ricardo é excelente. A garotada está dando conta do recado. Acho que mais pra frente é necessário que venham reforços, mas os meninos estão muito bem - finalizou.

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!