Publicada em 18/01/2018, às 11:06

Dos braços para trás ao soco no ar: o estilo Felipe Conceição no Botafogo

De muito mais perto que o habitual, o LANCE! acompanhou as reações do novo comandante da equipe na estreia dele na função. E num jogo para lá de tenso

(Foto: Felippe Rocha)

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Braços cruzados por trás do corpo. A mão direita segura pouco abaixo do cotovelo esquerdo. A posição de observação do treinador do Botafogo é essa. Foi essa, quase sempre, durante a estreia dele no cargo e do Glorioso na temporada. Tudo era novo. O gestual de Felipe Conceição refletiu um primeiro jogo para lá de tenso. De perto - bem mais do que de costume, o LANCE! presenciou as reações do comandante na partida da última terça-feira. Não houve nada mais intenso do que aqueles braços saindo de trás das costelas e explodindo no ar em forma de soco. Era o momento do empate dramático, nos acréscimos do segundo tempo.

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Nem aplausos, tampouco houve vaias quando Felipe subiu para o Estádio Nilton Santos pela primeira vez como técnico principal do Alvinegro. A habitual discrição do comandante casou - saindo pela direita - com a entrada dos jogadores em campo. Estes, sim, aplaudidos pelos arquibaldos. Verdade que um erro do locutor também contribuiu para a baixa percepção da entrada do treinador. O anúncio foi com o sobrenome Oliveira, verdadeiro, mas não o utilizado Conceição.

Rivais, árbitros e jornalistas cumprimentaram o debutante. Bola rolando e o ritmo de instruções foi frenético, nos primeiros minutos: recado direto para Brenner, aplausos de incentivo e parabéns a João Paulo e aos outros. O primeiro gol da Portuguesa foi um baque para o qual a reação imediata não foi a cabeça baixa, mas um breve silêncio somente.

Na parada técnica, o setor criativo foi o principal alvo. Rodrigo Pimpão, Luiz Fernando, João Paulo e até Arnaldo, que tanto tentou infiltrar por ali. Copos d'água foram cinco ou seis ao longo do jogo. Um não resistiu à metade e foi atirado ao gramado, após a primeira de duas reclamações de pênaltis não marcados a favor do Botafogo.

Jair Ventura, antecessor de Felipe Conceição, disse que as primeiras vaias recebidas foram o batismo como treinador. Elas haviam demorado mais de um ano para acontecer ao filho do Furacão da Copa de 1970. O coro de burro e os primeiros xingamentos do atual comandante demoraram menos de 45 minutos. Após o segundo gol da Lusa, aquela ofensa de quem direciona o outro a algo foi ouvida somada ao velho apelido.

- Tigrão, vai...

Na descida para o túnel, no intervalo, o treinador já foi muito mais percebido do que na subida. Teve de ouvir novos xingamentos que não eram em coro, mas também não foram de uma pessoa só.

A segunda etapa rendeu, primeiramente, palmas fortes. Típicas de quem quer diminuir o estresse, promovidas logo que Brenner levou à rede a bola que estava na marca da cal. Estresse diminuído, mas não findado. Tanto que o comandante tomou uma senhora bronca do árbitro quando reclamou de maneira firme. O homem do apito sinalizou que quem mandava naquele campo ele e não quem estava na área técnica.

O tempo passava e o gol de empate não ocorria. Logo depois da parada técnica, as reclamações contra Felipe Conceição aumentaram quando ele olhou para o banco de reservas. Na segunda, a torcida que pedia a saída de Rodrigo Pimpão e a entrada de Ezequiel viu o treinador concordar e chamar a prata da casa. Marcos Vinícius entrou naquele momento também.

Foi de Marcos o gol que levantou as mãos do treinador. As mãos que gesticularam, que bateram palmas, que orientaram e que reclamaram viraram soco no vento. Naquele momento, para quem se lembra, as comemorações efusivas dos tempos de jogador voltaram.

Ao fim, centro do gramado e cumprimento a todos jogadores - rivais também -, que passavam por ele. Educação? Alívio? Gratidão? Seja o que for. A imagem final foi de aplausos recíprocos, depois das vaias que ameaçaram ganhar forma junto ao setor oeste inferior.

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!

Publicada em 09/02/2018, às 10:32

Cartola admite que situação do técnico Felipe Conceição é muito difícil

Jefferson fala de enorme tristeza por queda na Copa do Brasil e críticas

Felipe Conceição começa a ser contestado (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

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Os jogadores do Botafogo retomaram os treinamentos no Nilton Santos ainda juntando os cacos da vexaminosa eliminação na Copa do Brasil para a Aparecidense, de Goiás. Com viaturas da Polícia Militar na porta do estádio como precaução após os incidentes no desembarque de quinta-feira , o gerente de futebol Anderson Barros foi o porta-voz da diretoria e deixou claro que a situação do técnico Felipe Conceição é muito difícil.



Ele não garantiu o treinador no cargo nem mesmo em caso de vitória sobre o Flamengo, sábado, às 16h30, em Volta Redonda, pela semifinal da Taça Guanabara. Segundo Anderson Barros, o trabalho será avaliado dia a dia.

Com o clima pesado, o goleiro Jefferson, ídolo da torcida, foi o escalado para a entrevista coletiva. E admitiu ter ficado muito triste com as críticas após a eliminação na Copa do Brasil pelo fato de aparecer sorrindo numa imagem da TV: "O que mais doeu foi ver minha torcida duvidando do meu caráter. Como se você chegasse em casa e visse sua esposa e filhos duvidando de você. Mas, enfim, os verdadeiros torcedores não duvidam. Se fosse de outros torcedores, eu entenderia. Nem dormi praticamente."

Ele também lamentou a forma como a delegação foi recebida no Rio: "Foi muito triste, saímos como bandidos, pelos fundos. Os próprios torcedores estão repudiando quem foi lá. Isso é importante. Nós repudiamos o que aconteceu no aeroporto." Jefferson defendeu a manutenção do treinador. "A gente quer que o Felipe continue pela pessoa que é, o pouco tempo de trabalho, mas sabemos que a pressão está em cima dele. Vamos fazer do jogo contra o Flamengo a nossa vida, correndo por ele, mas também pelo Pimpão, Gilson, torcedores e nossos familiares. Vamos suar sangue para conseguir a classificação", prometeu.



Além do período de enorme pressão e instabilidade, para chegar à decisão da Taça Guanabara, o Botafogo terá que vencer o jogo de amanhã, já que o Flamengo tem a vantagem do empate.

Como mudou o esquema do time na derrota para a Aparecidense, a escalação para o clássico virou um enigma.

Conteúdo publicado originalmente no site O Dia