Publicada em 12/01/2018, às 10:24

Praia, tereré... Carioca no improviso, Gatito finca raiz e busca título após "melhor ano"

Goleiro paraguaio adota o estilo de vida do Rio com adaptações, curte a fama após temporada de sucesso e se prepara para forte concorrência com Jefferson pela titularidade do Botafogo em 2018

Ele não fala o "s" com som de "x" no fim das palavras, tampouco chama outras pessoas de "irmão" nas ruas, não tem aquele bronzeado de praia e muito menos é baladeiro.

– Sou mais "caseiro". É assim que se fala, né?

É sim, Gatito Fernández. Um dos gringos mais brasileiros do futebol do país – onde joga há quase quatro temporadas –, o goleiro de 29 anos da seleção do Paraguai e do Botafogo agora tenta ser um pouquinho carioca também. Apesar das diferenças, ele se esforça e improvisa.



Domingo, ele já foi ao Maracanã, só que não para torcer, e sim jogar pelo time que é fã. Curte o Rio de Janeiro que continua lindo, mas preferência para pontos turísticos menos concorridos. E, embora seja de montanha, passou até a frequentar a praia. Mas nada de açaí: seu companheiro no calor é o tereré, bebida à base de chá frio de erva-mate e plantas medicinais.

Gatito com a namorada na Pedra do Telégrafo, atração da Zona Oeste do Rio (Foto: Divulgação)





Na manhã da última quinta-feira, Gatito foi pela terceira oportunidade à praia. Desta vez, para encontrar com a reportagem do GloboEsporte.com em um dos quiosques do Posto 8 da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, para uma entrevista. Ah, e claro, atender os fãs: desde pedido de fotos à aprovação do goleiro para saltos "como um gato" no futebol na areia.




A fama do paraguaio cresceu no Brasil após a grande temporada de 2017, segundo ele a melhor da carreira. E até torcedores adversários o reconhecem. Adaptado ao seu estilo, Gatito quer fincar raízes no Rio e no Botafogo com títulos em 2018. E sabe que terá que enfrentar a forte concorrência do ídolo Jefferson, mas garante estar preparado para isso.

Confira a entrevista completa:


PRÉ-TEMPORADA
Estou acostumado a trabalhar nessa época do ano. Volta de férias com um trabalho mais intenso, mas a gente está acostumado e faz o que gosta. O cuidado é muito importante. Sabemos que o período de folga é muito curto, o tempo de preparação. Então esse período, essa etapa de pré-temporada, o pós-treino é mais importante também que o treinamento.

LARGADA EM 2018
No ano passado a gente deu mais importância à Libertadores e deixou mais de lado o campeonato estadual. Esse ano já estamos focados no Carioca e nos preparando para a Copa do Brasil que já está perto (estreia dia 6/02). E sabemos que temos uma competição internacional que é a Copa Sul-americana, que não é a Libertadores, mas mesmo assim é muito importante para o nosso clube.

O QUE REPRESENTOU 2017?
Representou o meu melhor ano e fora do meu país. Pude me consolidar no futebol brasileiro. Quando vim para o Brasil, queria chegar em um clube grande. Consegui chegar ao Botafogo, fazer uma grande campanha na Libertadores e entrar para a história do clube. Foi muito bom para mim.

Galera que estava jogando bola na praia reconheceu o goleiro e foi lá tietar (Foto: Thiago Lima)



O QUE MUDOU NAS RUAS?
Normalmente o torcedor me reconhece, dos outros clubes também, tem muito respeito pela minha pessoa. Isso é muito lindo, em um país tão grande você ser reconhecido é muito legal.

REPERCUSSÃO NO PARAGUAI
Fui lá nas férias e teve muita repercussão pelo que vivi em 2017. Muitas pessoas não sabiam o que tinha acontecido comigo no Botafogo, e depois dos jornais e televisão todos ficaram sabendo que tive um 2017 muito bom.

COBIÇA DA EUROPA
Desejo um dia poder ter outra chance na Europa (já jogou pelo Utrecht, da Holanda), mas por enquanto meu pensamento sempre foi o Botafogo. Não chegou oferta e estou muito feliz aqui.

RENOVAÇÃO
Por enquanto não tem nenhuma conversa, mas acho que é muito cedo (contrato vai até dezembro). Está só começando o ano, o clube está contratando novos companheiros... Acho que daqui a pouco deve acontecer isso.

REFORÇOS
A gente também fica na expectativa para saber quem serão nossos companheiros, para somar com o grupo. Mas sabemos que perdemos vários do ano passado. Costumo conhecer quase todos os jogadores, quem eu não conheço aos poucos vou perguntando (risos).

ADAPTAÇÃO AO RIO
Estou muito adaptado (risos).

Paraguaio foi só três vezes à praia no Rio: uma para entrevista e duas com a namorada (Foto: Thiago Lima)



GOSTA DE PRAIA?
Não muito, é a terceira vez que estou vindo à praia. Sou mais de montanha.

AÇAÍ OU TERERÉ?
Açaí não, com o tereré já estou bem (risos). Com esse calor tem que tomar todo dia. Gosto só com água, mas às vezes coloco um limão dentro.

LAZER NO TEMPO LIVRE
Fico mais em casa, sou mais caseiro. É assim que se fala, né? Dou uma volta no shopping com a namorada, gosto de cinema... Mas não sou muito de praia, não (risos).

METAS PARA 2018
Minha meta é conseguir um título com o Botafogo. Essa é uma dívida que temos com a nossa torcida pelo ano passado. E depois manter a regularidade quer tive em 2017.

QUEBRAR RECORDE NOS PÊNALTIS?
Não pensei nisso, mas se tiver chance, gostaria de quebrar também (Gatito defendeu oito em 14 cobranças em 2017).

TITULAR DO GOL, GATITO OU JEFFERSON?
Não sei, tem que perguntar para o professor Felipe (Conceição). Mas sei que os dois estão dando o melhor para o nosso time.

CONCORRÊNCIA
Sempre é complicado, é um grande goleiro. Ter um no mesmo time é um desafio bom. A gente briga cada um pelo seu, dando nosso melhor nos treinamentos. É saudável. Desde o ano passado tenho uma boa relação com o Jefferson, e isso é melhor para o clube. Os companheiros também veem que a disputa pela posição é uma coisa normal.

Gatito terá a forte concorrência de Jefferson para começar 2018 (Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)



ACEITARIA O BANCO?
Nenhum problema. Sei o que representa o Jefferson, né? Mas eu também procuro o meu espaço sempre onde estou, com muito profissionalismo. Então temos que deixar isso na mão do nosso treinador.

REVEZAMENTO
Eu nunca passei por isso, de revezar. Então não sei como é, mas quero jogar todos, não ficar fora (risos).

FELIPE CONCEIÇÃO
Um treinador jovem, mas que já vem trabalhando há muito tempo no Botafogo. Foi auxiliar do Jair (Ventura), então conhece bem o grupo, essa é uma vantagem que ele tem. E está colocando as ideias dele, tentando jogar com um time bem compacto. Ter muita intensidade durante o jogo, bem alto para sempre ficar mais perto do gol do adversário. Aos poucos a gente está pegando, tomara que no consiga colocar isso em prática.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte