Publicada em 03/01/2018, às 13:20

Falamos com Arnaldo: lateral-direito foi da construção civil à Libertadores

Ao LANCE!, titular do Botafogo fala sobre o ano de crescimento, mudanças, lembra do passado em Minas Gerais e afirma querer muito mais na carreira, no futuro, no Glorioso

A vida de Arnaldo mudou radicalmente na última temporada. E ele quer mais (Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Já estávamos no terceiro milênio, o que significa que não faz tanto tempo que Arnaldo dividia as atividades anuais entre o futebol e a construção civil. Mas o ano que passou proporcionou ao lateral-direito a consolidação como um jogador de primeira divisão. Foi titular de uma equipe que impressionou. E agora, o atleta de 25 anos, quer continuar crescendo na profissão, se afirmando no Botafogo e conquistando títulos. Ele exercia a atividade de pedreiro na terra natal, Uberaba, Minas Gerais. Hoje em dia, vai à cidade para férias. E de lá é que ele concedeu essa entrevista exclusiva ao LANCE!.

Você considera 2017 o melhor ano da sua carreira?
Profissionalmente, foi, sim, o meu melhor ano. Fui campeão do Interior jogando todas as partidas (pelo Ituano), terminei o ano vestindo uma camisa grande. Esse ano vai ficar marcado.

Mas o que houve com o Botafogo para a queda de rendimento na reta final?
O Botafogo teve 9 meses bons, jogando bem, fazendo grandes jogos, chegando em quartas de final da Libertadores, semifinal de Copa do Brasil, e estávamos na parte de cima da tabela do Brasileiro. Nunca estivemos em risco. Mas poderia ter sido melhor, porque nos últimos jogos nós caímos de produção. Oscilamos no último mês e não tivemos tempo de recuperar. Muita gente vai lembrar do último mês, mas não pode manchar. Claro que fica o gostinho de quero mais.



Tem explicação?
Não sei dizer o que realmente aconteceu, mas a bola começou a não entrar, levamos muitos gols e houve as derrotas em casa. Perdemos para o Fluminense, que foi clássico, mas perdemos também para o Atlético-PR e para o Atlético-GO, além do empate com o Cruzeiro. Precisávamos de uma vitória ali. Isso pesou. Fizemos jogos bons fora. Em casa, contra o Atlético-GO, a bola não entrou. Pode ser que tenhamos jogado intensamente durante todo o campeonato (então cansamos), mas não sei pontuar. O futebol tem oscilação, e a nossa foi, infelizmente, na última fase do ano. Os outros times oscilaram antes. Nós não tínhamos mais tempo de nos recuperarmos. Tínhamos pontos
"ganhos" e demos mole no final. Houve quatro jogos em que o resultado estava na mão.

Pessoalmente, mudou muito sair de um time pequeno e viver tudo que envolve o Botafogo?
Sim, faz muita diferença sair de um time pequeno para grande, muda muito. Mas o importante é que não “senti” a camisa pesada. O Botafogo é time grande e eu mantive os pés no chão. Feliz a gente fica sempre.



E para 2018, que aspectos do seu futebol você pretende melhorar?
O último terço. Venho fazendo trabalho específico à parte, para melhorar o meu passe para gol e o meu cruzamento. Se eu ficar mais atento, posso criar mais ainda.




E quais são os seus próximos objetivos na carreira?
Continuar me afirmando. Esse (2017) foi um ano para me conhecerem no cenário brasileiro e mundial. Quero continuar fazendo o que faço. Tenho muito a crescer. Quero continuar aqui no Botafogo e ganhar títulos. O Botafogo merece títulos e tem tudo para consegui-los.

E fora do campo, mudou muito a vida no Rio?
Muda o estilo de vida, as regras. Antes, ninguém me conhecia. Agora, eu tenho que escolher o lugar para ir. A gente sonha com isso. Esse ano que passou foi muito bom. Quando vinha de férias era de um jeito, agora já me procuram mais, mas é bom.


Até quando você precisou trabalhar de pedreiro?
O meu pai é pedreiro até hoje e, quando eu era mais jovem, jogava praticamente só estadual, pelo calendário, e depois trabalhava com ele, parei de trabalhar nas obras, de vez, com 19 anos. Saímos de casa já pensando nisso (ser jogador de futebol), eu e meu irmão. Meu irmão teve que parar de jogar. O meu pai tem 50 e poucos anos e gosta de trabalhar, mas não trabalha como antes, não.

Você, que passou por equipes pequenas, passou muitos perrengues nestes clubes menores que defendeu?
Eu não tenho o que reclamar dos lugares em que passei. Só da Portuguesa, que não me pagou quatro meses de salários até hoje. Outros times pequenos não têm estrutura de time grande, mas estão sempre dando suporte.

Gol na sua carreira é raro... e no Botafogo, vai sair quando?
Pois é... tenho quatro gols, mas pelo Mirassol. Contra o Grêmio e contra o Avaí quase saíram. Contra Atlético-PR também quase saiu. Já tem cobrança em casa (risos).

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!