Publicada em 03/01/2018, às 15:11

De joia da base a garoto problema: conheça Leandro Carvalho, novo atacante do Bota

Revelado pelo Paysandu, ele é a primeira contratação do Botafogo para 2018. Veloz e habilidoso, jogador tem extensa lista de causos extracampo, mas garante ter mudado após nascimento da filha

Há pelo menos quatro anos que Leandro Carvalho é tratado pelo Paysandu como uma joia a ser lapidada. Ele estreou no time profissional com 18 anos e de cara foi eleito revelação do estadual em 2014. Mas a relação do atleta com o clube alviceleste sempre foi conturbada. Em campo, demonstrava talento incomum. Fora, comportamento tão imprevisível quanto seus dribles. Agora, ele desembarca no Rio de Janeiro para vestir a camisa do Botafogo, e a torcida alvinegra se pergunta: o que esperar do atacante paraense?

Logo que começou a carreira, em Belém, Leandro Carvalho atuava como segundo atacante, próximo da área, mas com muita mobilidade. Fez 24 jogos em seu ano de estreia e pouco depois assinou seu primeiro contrato milionário. Já em sua última passagem pelo Papão e no Ceará, ambas sob a batuta do técnico Marcelo Chamusca, o paraense se aperfeiçoou atuando pelas pontas, principalmente no lado direito do campo. Arredio, gosta de cortar para o meio e arriscar de fora da área, apesar dessa não ser a sua principal arma – falta mais precisão no chute.

Em campo, esse é um bom resumo de Carvalho, que no primeiro semestre do ano passado chamou a atenção de Dorival Júnior, na época técnico do Santos, quando Papão e Peixe se enfrentaram pela Copa do Brasil. Entretanto, é fora das quatro linhas que residem (ou residiam) os problemas do jogador – que passou ileso a críticas no Vozão.



Ainda em 2014 Leandro foi punido duas vezes pela diretoria do Papão. Primeiro deixou de comparecer a sessões de fisioterapia enquanto estava lesionado e depois, já recuperado, faltou treinos e sequer justificou as ausências. Foi "rebaixado" ao time sub-20 como punição. Em agosto de 2015, reintegrado ao profissional, voltou a sumir e foi multado no salário.

Fora dos planos do então técnico Dado Cavalcanti, em 2016 foi emprestado três vezes. Jogou o Paulistão pela Penapolense e a Série D no Linense. Não obteve números expressivos, mas atuações consistentes. No segundo semestre o Paysandu quis emprestá-lo mais uma vez, para a Tuna Luso, onde disputaria a Série B do estadual. O negócio estava fechado, porém o atacante faltou a apresentação no cruzmaltino paraense, que desistiu na contratação. Acabou indo disputar a mesma competição pelo Carajás. Foi “devolvido” pelo Pica-pau depois de faltar inúmeros treinos.



Apesar de tudo isso, em 2017 voltou a ter sequência no time profissional do Paysandu, uma aposta pessoal do então presidente Sérgio Serra. Foi titular na maioria dos jogos da equipe no Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e no início da Série B. Ao lado de Bergson, era um dos pontos de desequilíbrio do time, quebrando a defesa com dribles ou cruzando da linha de fundo. Marcelo Chamusca se encantou com o jogador e, quando se transferiu ao Ceará, pediu a contratação do atacante. Antes de sair, cometeu nova indisciplina ao faltar a mais um treino.




Já no Ceará, não decepcionou. Chegou ao time no meio de 2017 e logo conseguiu a titularidade. Estreou no dia 19 de agosto, fez 16 jogos e marcou dois gols. Em toda a temporada de 2017 ele fez 41 partidas e sete gols. Foi um dos homens de confiança de Chamusca no acesso à Série A. No clube nordestino não houve queixas de problemas extracampo. A explicação está em casa.

– O que me fez mudar foi minha filha. Quando vi a minha filha crescendo eu coloquei na minha cabeça que ela ia precisar de mim. Esse foi um empurrão para que eu pudesse mudar – afirmou Carvalho em entrevista ao repórter Brenno Rayol, da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará.
Apesar da empolgação com a expectativa de jogar a Série A e a Copa Sul-americana em 2018, Leandro Carvalho confessou que sua ansiedade é maior para o clássico contra o Vasco, no Campeonato Carioca, quando irá reencontrar um velho parceiro dos tempos de Paysandu.


– Eu tenho um amigo que jogou comigo no Paysandu, que é o (Yago) Pikachu. Ele está no Vasco e eu já até mandei mensagem para ele. Disse para ele se preparar que eu vou botar ele para correr (risos) e vou procurar ganhar dele no clássico – brincou o atacante.

Apesar do relacionamento complicado com a diretoria bicolor, Leandro Carvalho se mostra humilde e grato ao clube que o revelou – e que ainda detém 50% de seus direitos econômicos.

– Quando eu fazia as coisas erradas enquanto vestia a camisa do Paysandu, eles me apoiavam, nunca me deixaram de lado. O Paysandu, para mim, é muito importante, porque se eles não tivessem feito isso por mim, se não me resgatassem de novo, eu não estaria aqui hoje, indo para o Botafogo. O Paysandu é muito importante para mim – frisou o jovem atacante de 22 anos.

Entre as experiências que obteve como jogador profissional, jogar no Botafogo será, sem dúvida, o principal desafio de Leandro Carvalho. Se continuar apresentando o futebol que demonstrou, principalmente com as camisas de Paysandu e Ceará, tem tudo para se tornar uma boa opção no Alvinegro carioca. Resta saber se a cabeça estará em dia com os objetivos dentro da quatro linhas.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte