Publicada em 28/12/2017, às 15:28

Ricardo Rocha quer devolver alegria e títulos ao São Paulo e dar atenção à base

Ex-comentarista do SporTV diz que ambiente em 2017 estava muito "carregado" e celebra nova parceria com Raí, com quem foi campeão brasileiro no clube em 1991 e tetra com a Seleção em 1994

Ricardo Rocha e Raí, coordenador e diretor de futebol do São Paulo (Foto: Divulgação)

A partir do dia 3 de janeiro, Ricardo Rocha começará com o comandante Raí um trabalho no departamento de futebol no São Paulo. O ex-comentarista do SporTV foi anunciado nesta quinta-feira como novo coordenador técnico no Tricolor Paulista. Os dois estiveram juntos no clube no título brasileiro em 1991, e na seleção brasileira conquistaram a Copa do Mundo de 1994. Rocha acha que a parceria tem tudo para dar certo. Sonha devolver o clube à briga por títulos, quer olhar mais atentamente a base e, analisando os problemas que deixaram o clube no momento conturbado de 2017, fez seu diagnóstico. E traz a receita: devolver a alegria.

- Teve um pouco de campo, um pouco de cabeça, gestão. O São Paulo tem um bom elenco. Tem que mudar algumas coisas. Tem que voltar a alegria. Acho o ambiente no São Paulo muito carregado no geral. Times grandes brasileiros, principalmente o São Paulo, têm que ir em busca de títulos. Libertadores é consequência. Precisa resgatar isso junto ao seu torcedor - disse por telefone ao "Seleção SporTV".

O ex-comentarista não nega que corre riscos na mudança de profissão, mas abraçou a proposta de Raí de, juntos, devolverem o clube aos melhores dias.



- Vim aqui para tentar melhorar. O Raí é o grande comandante. Ele pediu para mim isso. Alegria. O projeto precisa de resultados. Eu me arrisquei, mas confio em mim, vou com muita vontade.

O novo coordenador técnico são-paulino disse que vai dar um carinho especial à base do Tricolor.



- Isso é o meu pensamento, e vai continuar sendo. Antes de contratar, tem que pensar na base. Esse é o meu propósito. A gente falou muito ao longo desses anos: a base é fundamental. O São Paulo tem uma base em Cotia fortíssima, onde se gasta muito. Então, você precisa revelar. Já tem revelado bons jogadores, mas os jogadores têm saído muito rápido, não têm ficado muito tempo. Não é só fazer o trabalho de base, esses jogadores têm que ficar um pouco mais. Pode ter certeza de que a minha prioridade é olhar muito bem essa base.




A conversa com Raí aconteceu, segundo Ricardo Rocha, dez dias atrás. O negócio foi fechado na última quarta-feira, e pesou a história dele como jogador no clube.

- Na realidade essa conversa com o Raí eu tive 10 dias atrás e se concretizou ontem (quarta-feira). Estive em São Paulo. Vou ser o coordenador técnico para ajudá-lo não só dentro de campo, mas fora de campo também. E com uma proposta boa. Eu também tinha falado com o Leco, e fiquei feliz. O São Paulo é um clube que conheço muito bem. Joguei dois anos no São Paulo, fui campeão paulista e brasileiro. Ganhei uma Bola de Ouro jogando pelo São Paulo no Campeonato Brasileiro de 1989, então para mim é uma felicidade voltar ao clube onde tem uma pessoa extraordinária que é o Raí, que me apresentou todo esse projeto. Vamos seguir em frente, a gente sabe que projetos no Brasil dependem muito de vitórias, mas eu acreditei nesse projeto. Vamos trabalhar juntos.


Além de se considerar conhecedor dos problemas do São Paulo, Ricardo Rocha mostrou também ter bom relacionamento como presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e lembra o episódio de sua contratação, quando o dirigente era vice-presidente.

- Eu sei dos problemas do São Paulo. Quando eu era jogador do Sporting, quem foi me buscar foi o Leco. Ele ficaria dois dias comigo. Houve um problema de documentação, o Sporting não queria liberar. Aquilo me marcou muito. Ele tinha que voltar em dois dias, mas ficou lá até resolver. Eu conheço o presidente do São Paulo muito bem. Ele tem seus acertos, seus erros. Mas eu vim aqui para isso, para tentar melhorar. O Raí vai ser o grande comandante da gestão do São Paulo. Ele pediu para mim alegria, vontade de trabalhar, unir esse grupo. O Raí está conversando muito com todos eles. Eu acredito no projeto. É claro que o Leco não é perfeito, ninguém é. A gente veio para unir. Eu me arrisquei, estou indo para o São Paulo, mas eu confio no trabalho. Sempre confiei em mim, no que eu posso fazer. Vou feliz, vou com muita vontade, em um clube que eu conheço.

Conteúdo publicado originalmente no site Sportv