Publicada em 27/12/2017, às 12:12

Inter padroniza categorias de base e mira resgate de "DNA" entre os jovens

Coordenado por Diego Cabrera, clube implantou sistema que tem o intuito de ser replicado em todas as camadas inferiores do clube a partir do time principal

Equipe sub-23 ergueu a taça do primeiro Brasileirão de Aspirantes (Foto: Lucas Figueiredo/CBF )

O Inter peregrinou ao longo de um dolorido 2017 para concretizar a volta ao seu lugar costumeiro, na elite nacional. Em paralelo à saga na Série B, o clube conduziu a padronização em sua base, instalada em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para resgatar seu "DNA" tradicional entre os garotos com a implantação de um modelo e de ideias de jogo unificadas para todas as categorias.

Basicamente, a ideia é de que todas as categorias atuem de forma semelhante e, se possível, espelhada na forma de atuação do elenco principal. O processo passou a ser implementado desde o começo do ano, com a reformulação de comissões técnicas e elencos, conduzida pelo coordenador Diego Cabrera.

– A padronização do modelo de jogo aconteceu em todas as categorias do Inter e buscamos o jogo posicional, que tem por finalidade ocupar os espaços de campo da melhor maneira. Em nenhuma das fases deixamos de ser agressivos. Nossos treinamentos são pautados para que o atleta entenda a se posicionar, aprenda a achar o melhor lugar para realizar a ação – afirma Cabrera ao GloboEsporte.com.



A partir de então, o clube buscou profissionais e atletas com características adequadas para difundir conceitos em todas as categorias. O trabalho é realizado todo de forma integrada nas camadas inferiores. E o "refinamento" é trabalhado pelo coordenadores técnicos Luis Fernando Ortiz e Pedro Iarley.

– O trabalho do Ortiz como coordenador técnico é essencial. É um cara que colabora muito no dia a dia dos garotos e comissões técnicas. Ele foi extremamente importante na consolidação deste processo e, sem a ajuda dele, não atingiríamos os resultados que estamos alcançando passado um ano desta implementação – acrescenta Cabrera.



Como metodologia, todos os times aderiram à marcação alta – a "mordida" na saída de bola adversária –, como tentativa de superioridade numérica. Para atacar, o sistema preferencial é o 3-4-3. Na hora de defender, os times se contraem no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 clássico, em duas linhas próximas.




Um dos frutos foi colhido no início de dezembro, no qual o time sub-23 acabou campeão do Brasileirão de Aspirantes. Técnico do time B, Ricardo Colbachini, assim como o preparador físico Guilherme Rondon, tem trânsito em todas categorias inferiores.

Para Cabrera, a evolução do futebol e dos conceitos de jogo fazem com que os treinamentos sejam voltados não somente para os aspectos físico e tático, mas também para o intelecto:


– O entendimento de jogo deles está evoluindo. A troca de comportamento, também. Com a bola, a gente prioriza ocupar bem os espaços, movimentações inteligentes, manutenção de posse, criação de linhas de passe. O treinamento é voltado para eles pensarem e tomarem sempre a melhor decisão. Estamos priorizando jogar e pensar futebol. O jogador precisa ser inteligente.

A padronização deve ocorrer entre o sub-10 e o sub-23. Há a expectativa de que a conversa flua de forma mais natural com o grupo profissional a partir da entrada do técnico Odair Hellmann, que tem trânsito no clube. Desta forma, o Inter planeja o seu futuro com a alcunha do "Celeiro de Ases" ainda mais evidente.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte