Publicada em 21/12/2017, às 12:19

Sem Oliveira, Santos terá de reformular ataque; veja os motivos

Com a saída de seu principal atacante, o Peixe encontra lacunas deixadas por outros jogadores do setor que não ficarão no clube e outros que ainda têm o futuro incerto

(Foto: Luis Moura / WPP)

Sim, Ricardo Oliveira realmente deu adeus ao Santos e deixou um vazio não só no coração dos torcedores, mas também no elenco, o que força de vez uma reformulação no ataque santista que termina a temporada recheado de dúvidas no planejamento para 2018.

Para tentar suprir essa lacuna, o novo presidente, José Carlos Peres, já prometeu um "presente de natal" para a torcida do Peixe. Um dos nomes fortes para a reposição no ataque é o de Gabigol, que pertence à Inter de Milão, mas está emprestado ao Benfica. Embora não tenha feito tanto sucesso lá fora, seu histórico no clube o transforma em um reforço de peso, porém não exclui a necessidade de buscar outras peças no mercado.

Estou aqui para que todos saibam que meu ciclo no Santos se encerra este ano. Sempre foi minha prioridade permanecer, mas não foi possível. Tenho que pensar na minha carreira, no meu futuro e na minha família. Nas 2 passagens que, considero ambas vitoriosas, foram 173 jogos, 92 gols (no total). 141 partidas neste retorno e 71 gols. Conquistamos vitórias, títulos e, mais que isso, uma família. O Santos é o clube pelo qual mais atuei e mais marquei gols... E, sempre juntos, colocamos o Peixe na briga entre os melhores do Brasil nas duas passagens. Gostaria de agradecer a todos que fizeram parte desse meu segundo ciclo no clube. Jogadores, funcionários, torcida... Espero ter retribuído dentro e fora do campo um pouco desse carinho. Agradeço imensamente o incondicional apoio que vocês sempre tiveram comigo. Obrigado! Em breve espero poder resolver a minha nova casa para poder dividir com todos.

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Ricardo era um líder tanto dentro quanto fora de campo, e apesar de todos os problemas de saúde e lesões que enfrentou durante a temporada, terminou o ano em alta e recuperando a forma artilheira. O novo mandatário ainda não revelou o nome que poderia suprir as características do antigo camisa 9 e nem quantos serão contratados, mas está em busca de reforços para o ataque.

Foi pensando nisso que o LANCE! resolveu mostrar os motivos que induzem o Santos a reformular o seu setor ofensivo. Alguns saindo, poucos chegando, outros indefinidos... Veja qual é a situação de cada personagem desse enredo.



GABIGOL
A nova diretoria está empolgada com o possível retorno do atacante à Vila Belmiro. Porém, ainda há muito o que conversar com a Inter, sobretudo a divisão dos salários e uma compensação financeira ao clube da Itália.




O jogador dá preferência ao clube que o projetou por acreditar que é na Baixada Santista que poderá recuperar o seu bom futebol, e isso pesa a favor do Alvinegro e deixa as negociações avançadas no momento. Gabriel deverá receber parte do salário pago pelo Peixe e a outra parte pelos italianos. O impasse está exatamente nessa negociação com a Inter que, apesar de se interessar pelo empréstimo, não abre mão de que os santistas arquem com uma parcela dos vencimentos do campeão olímpico.

RICARDO OLIVEIRA
O ex-capitão se despediu do Santos por meio de seu Instagram na noite da última quarta-feira. Antes de mais nada, o camisa 9 fez questão de ressaltar que a sua prioridade era permanecer na Baixada Santista, mas foi inviável.


José Carlos Peres voltou a oferecer um contrato de uma temporada e sem ajustes salariais, o mesmo feito por Modesto Roma Júnior. Oliveira pedia por dois anos, mas a diretoria não cedeu. Com o vínculo chegando ao fim e sondagens fortes do Atlético-MG, o camisa 9 optou por sair e estudar a proposta do Galo, seu provável destino.

BRUNO HENRIQUE
​Uma das poucas certezas no ataque, para a sorte de Peres. Bruno é um atacante diferenciado e uma contratação que definitivamente deu certo: corre como poucos, puxa contra-ataques, tenta dribles, dá assistências e sabe balançar a rede. Prova disso é encerrar o ano como líder de passes para gol no Brasileirão, com 12, e líder no ranking de artilharia do time, com 17 tentos. O camisa 37 tem contrato até 2021.

COPETE
Apesar da oscilação na temporada, o colombiano se destacou na reta final do Campeonato Brasileiro com dois gols: um deu a vitória ao time contra o Grêmio (1 a 0) e outro no empate com o Avaí (1 a 1), na última rodada da competição.

Com contrato até junho de 2018, clubes como o Internacional e Atlético estão de olho no gringo e já fizeram sondagens. No momento há apenas conversas, nenhuma proposta concreta.

KAYKE
Chegou no início de 2017 emprestado pelo Yokohama Marinos, clube japonês, e teve uma temporada de altos e baixos. Já se sabe que o atacante não permanecerá na Vila Belmiro, pois o Peixe não exerceu seu direito de compra estipulado em cerca de 2 milhões de dólares (aproximadamente R$ 7 milhões). Sendo assim, o jogador retorna ao Japão em 2018.

THIAGO RIBEIRO
Contratado em 2013, foi emprestado para Atlético-MG e Bahia desde 2015, principalmente pelo alto salário. Porém, sem alternativas em 2017, o Santos aceitou ficar com o atacante em seu último ano de contrato. Na temporada, ele participou de 23 jogos e fez três gols. Com Elano, não chegou a ficar no banco em algumas partidas. É outro que não terá seu vínculo renovado para 2018.

NILMAR
O atacante chegou ao Alvinegro em julho deste ano como um reforço de peso para a temporada. Porém, enfrentou problemas com a depressão e acabou atuando em apenas dois jogos na temporada: nos empates com Coritiba (0 a 0) e Cruzeiro (1 a 1), ambos fora de casa pelo Brasileirão.

Por conta dos problemas pessoais e de saúde, o jogador decidiu rescindir o contrato com o Peixe. Segundo o seu empresário, Ismael Caligário, Nilmar não se sente à vontade para participar da pré-temporada.

RODRIGÃO
Teve um bom início de temporada em 2017, porém acabou perdendo espaço e foi emprestado ao Bahia para a disputa do Brasileirão. Lá teve destaque, marcou cinco gols em 14 jogos, mas após o vazamento de um polêmico vídeo na internet, teve seu contrato de empréstimo rescindido e retornou ao Peixe. Embora o plano da antiga diretoria era contar com o centroavante em 2018, as coisas podem mudar com a mudança de gestão e o futuro volta a ser indefinido para Rodrigão.

ARTHUR GOMES
​O jovem teve oportunidades com o técnico Elano nos últimos jogos do Brasileirão e correspondeu balançando as redes, mas acabou oscilando em seguida. É opção para o futuro comandante.

YURI ALBERTO E RODRYGO
Promovidos por Elano na reta final do Brasileiro, os jovens tiveram poucas oportunidades de mostrar serviço no profissional, porém, a dupla tem ótimo histórico no sub-17 do Peixe. Ambos são técnicos, ágeis e com faro de gol. O Alvinegro pode colher bons frutos com os meninos em 2018, mas ainda estão em formação e devem aparecer aos poucos no time principal.

ROBINHO
O desejo de muitos santistas é grande, mas diferentemente da gestão de Modesto Roma, que insistiu na negociação com Robinho para reforçar o Santos em 2018, o recém-eleito José Carlos Peres não cogita o retorno do ídolo para a Vila Belmiro. O novo presidente chegou até a citar o problema na Justiça italiana vivido pelo atacante. Para o mandatário, o jogador precisa se defender, porém não relacionou o processo à intenção ou não de contratá-lo.

Conteúdo publicado originalmente no site Lance!