Publicada em 13/12/2017, às 11:25

Renan Ribeiro espera posição do São Paulo para decidir futuro e lamenta saída do time

Goleiro diz que não entendeu até hoje os motivos de ter sido sacado por Dorival

Renan Ribeiro durante treino do São Paulo (Foto: Érico Leonan / site oficial do SPFC)

Renan Ribeiro curte as férias com a cabeça em 2018. O goleiro está vinculado ao São Paulo até maio do ano que vem e tem chances remotas de ficar. Mesmo assim, o jogador diz que gostaria de permanecer no Tricolor e ainda aguarda por um posicionamento da diretoria nas próximas semanas para decidir o que fazer.

Aos 27 anos, Renan teve com Rogério Ceni a tão esperada oportunidade de ser titular do São Paulo. O sonho acabou com a chegada de Dorival Júnior. Barrado após a vitória sobre o Cruzeiro, em agosto, ele conta nesta entrevista ao GloboEsporte.com que ainda não entendeu os motivos de ter perdido a vaga de titular.

Leia abaixo o papo com Renan Ribeiro:
GloboEsporte.com: Qual balanço você faz da temporada 2017?
Renan Ribeiro: Analisando o ano todo, vejo como muito positivo. Comecei com uma lesão, que me atrapalhou no início, mas depois pude ter espaço, sequência, e mostrei meu trabalho. Era algo que buscava desde que cheguei ao São Paulo, em 2013, e consegui. E isso aconteceu nas mãos de um grande ídolo do clube (Rogério Ceni), que conhece tudo ali dentro, especialista na posição e me viu crescer, evoluir e trabalhar duro durante todos esses anos.



Termino como o atleta da posição com mais jogos em 2017 (30 partidas) e isso me deixa feliz. A parte ruim ficou para o final, falando individualmente, quando não pude mais jogar. Mas o clube conseguiu terminar o Brasileiro de forma digna, permaneceu na Série A, e fico contente em ter feito parte disso.

Como foi a conversa com Dorival no momento em que ele o substituiu pelo Sidão?
Ele me chamou para conversar e disse que iria me tirar do time. Não deu muitas explicações, apenas que iria me tirar e, como funcionário do clube, tive de acatar. Não entendi ainda o motivo de ter saído, pois vinha lutando há quatro anos por isso, e foi encerrada uma sequência que entendia poder ser para me firmar como titular. Tive de acatar, mas até hoje não consigo entender. Torci de fora e fiquei feliz pelo clube ter saído da situação que estava.



Acha que foi injusta sua saída do time?
Acho que eu vinha bem. Os resultados, em alguns momentos, não vinham acontecendo. E talvez por isso ele decidiu mudar. Aconteceu logo após uma vitória diante do Cruzeiro em que pude fazer uma defesa difícil quando perdíamos por 2 a 1. Mas são coisas do futebol e estamos sujeitos a isso. Respeito a decisão, mas não quer dizer que tenha que concordar com ela. Ainda mais como foi, do nada, sem maiores explicações ou sem eu ter algum erro que tivesse prejucidado a equipe. Respeito também os meus companheiros de posição, mas eu me via bem e pronto para seguir como titular.




Você acha que algum dos lados (você ou São Paulo) conduziu mal a negociação para renovar?
Não sei dizer ao certo o que aconteceu, pois é algo que deixei com meus empresários para resolver. É claro que também participei, mas não dá para dizer que foi algo mal conduzido. Creio que, talvez, pelo momento ruim do clube, o pensamento ali era outro, de sair daquela situação. E talvez por isso não tenhamos acertado, já que todos os dias estávamos vivendo uma decisão.

Haveria como algum dos lados ceder para acertar? Não há mais como renovar?
Eu sempre deixei claro a minha vontade de ficar e ela continua, mas não depende só de mim e é preciso ver se o treinador quer contar comigo. Estou no clube desde 2013 e gostaria de seguir. Realmente a gente não conseguiu entrar em um acordo e ficamos de conversar novamente ao término da temporada ou início da próxima. Com as mudanças na diretoria, não sei como as coisas vão ficar. Eu ainda tenho contrato até maio e até lá tenho que trabalhar.


Renan Ribeiro comemora gol do São Paulo sobre o Palmeiras (Foto: Marcos Riboll



Você se vê atuando no São Paulo durante todo o ano de 2018?
Isso vai depender do que tivermos de conversa de agora em diante. Sei que não é uma situação fácil, o clube pode contratar outro atleta para posição, e quero jogar. Esperei muito tempo para jogar, tive minhas oportunidades, e 2018 para mim tem que ser em campo. Eu me vejo pronto para isso, seja no São Paulo ou em outro lugar. A minha vontade é de continuar, mas não é algo que depende só de mim. A comissão técnica vai definir suas preferências para a temporada.

Você já pode assinar um pré-contrato. Houve propostas ou sondagens?
Temos algumas sondagens. Até porque os clubes já sabem da minha situação, me viram atuar este ano e estão cientes de que meu contrato só está garantido até maio de 2018. Mas eu ainda preciso ter uma posição definitiva do São Paulo, se vão querer renovar. A partir do momento que tiver essa posição, vamos dar andamento ou não às sondagens que já tivemos ou as que podem aparecer. Prefiro não revelar nada, até porque sou funcionário do clube ainda e não temos nada concreto.

Toparia jogar por um rival do São Paulo, como Corinthians, Palmeiras e Santos?
Sim, não vejo problema algum em atuar por qualquer clube. Nós, atletas de futebol, temos que ser profissionais. E, independentemente de onde for atuar, meu carinho pelo São Paulo será eterno.

Como você viu a saída do diretor de futebol Vinícius Pinotti?
Era um cara que eu tinha uma excelente relação e que conversávamos muito. Um grande profissional e acho que o clube perde muito com a saída dele. O Raí também é uma boa pessoa, competente, com identificação no clube e tenho certeza de que vai fazer um excelente trabalho. Mas de repente poderiam os dois trabalhar juntos. O Vinicius sempre mostrou muita transparência com todos, nos ouvia e fazia muito bem o dia a dia.

Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte