Publicada em 13/12/2017, às 14:49

Clubes e Organizadas: as amadas amantes

Entre vários sucessos inesquecíveis, Roberto e Erasmo compuseram “Amada Amante”, com versos descrevendo o amor, a intensidade e o sigilo de relações desta natureza.

Deveria ser esta a trilha sonora da Operação Limpidus, que a cada dia apresenta mais um capítulo da intrincada novela que une as relações clandestinas entre dirigentes desportivos e as chamadas torcidas organizadas.

Enquanto apaixonado por futebol e frequentador de estádios, identifico as “organizadas”, com seus rituais de bandeiras, cânticos e coreografias, como um dos grandes e mais impactantes atrativos das partidas. É impossível não se contagiar com a explosão de energia de uma torcida organizada!!!



Contudo, infelizmente, muitas destas, preferem se destacar por uma outra agenda, a qual abrange atos de violência, cambismos, entre outros ilícitos, o que motivou o banimento esportivo de várias de nossas maiores organizadas. Pois bem, o que a Operação Limpidus traz à luz é a promiscua relação entre alguns clubes e suas torcidas, as quais são pautadas em contatos clandestinos e sigilosos, os quais são sempre permeados pela preocupação quanto à publicidade de tal relação.

Se os contatos fossem republicanos e corretos, nenhuma preocupação haveria de existir por parte dos dirigentes esportivos, que sob a luz dos holofotes televisivos são uníssonos em negar qualquer envolvimento com as organizadas, como se houvesse, de antemão, algum mal em se relacionar com tais instituições.



É importante que se diga, que nenhum problema haveria, se a relação fosse saudável, transparente e direita, fatores que a Operação Limpidus comprovaram inexistir.




Enquanto os clubes insistirem em não assumirem tal relação, retirando das organizadas o status de sua “amada amante”, as falhas e vícios típicos das relações clandestinas e obscuras imperarão no futebol brasileiro.

Por José Eduardo Junqueira Ferraz


Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte