Publicada em 12/12/2017, às 20:35

Tensão, reza e corneta ao Inter: gremistas sofrem, mas vibram com vaga à final

Tricolores ficaram aflitos com atuação diante do Pachuca, mas vitória por 1 a 0 traz alegria e ironias ao eterno rival. Confiantes, apostam no título mesmo diante do Real Madrid

O sufoco em Al Ain, nos Emirados Árabes, se refletiu também em Porto Alegre. Os tricolores sofreram com a atuação do time contra o Pachuca, nesta terça-feira, pela semifinal do Mundial de Clubes. Houve tensão, medo e até reza. Mas o gol de Everton, no primeiro tempo da prorrogação, trouxe alívio e alegria, com a confirmação do Grêmio na final do Mundial, como todas esperavam.

Duas horas antes do início da partida em Al Ain, um dos bares na zona leste da capital, que serve de reduto de torcedores em dias de jogos, já estava lotado. Uma fila de espera se aglomerava no lado de fora, na expectativa de encontrar um espaço para torcer por Renato e seus comandados. Os cânticos ouvidos na Arena ecoavam no espaço. O advogado Guilherme Caldas admitiu que era difícil conter a ansiedade:

– Desde quando fomos campeões da Libertadores, eu não consigo dormir direito. Tive que vir para o bar. Se ficasse em casa, quebraria as coisas.



Com a bola em jogo, a tranquilidade e os sorrisos deram lugar à tensão. Tricolores rezavam, tremiam as pernas, roíam as unhas, faziam cara de sofrimento e tentavam orientar o time para subir ao ataque. O chope parecia o único aliado para segurar o nervosismo.

A falta cobrada por Edílson, aos 16 minutos do primeiro tempo, arrancou o primeiro "uhhh!" dos torcedores. Os gremistas aplaudiam a cada roubada de bola, mas sofriam com os erros de passe e a dificuldade para furar o bloqueio promovido por Diego Alonso.



Torcida do Grêmio sofreu até o gol de Everton na prorrogação (Foto: Tomás Hammes)






A tensão aumentava. O chute de Urretaviscaya defendido por Marcelo Grohe soou o sinal de alerta. Ainda tímidos, os tricolores puxaram um "Grêmio! Grêmio! Grêmio!". O grito ganhou mais poder após Luan obrigar Oscar Pérez a ceder escanteio.

O avanço gaúcho deu um alento aos fãs. Um garçom se encarregava de batucar para empolgar os clientes. Apesar disso, a proteção divina era chamada a todo instante. Um fã agarrava o escapulário a cada ataque dos comandados de Renato.





Hora do Capitão Nascimento

Aos 24, após o Pachuca envolver a marcação gremista, mas Urretaviscaya parar em Kannemann, enquanto alguns gremistas suspiravam, um torcedor, mais descontraído, lembrou um dos bordões do capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura em "Tropa de Elite":

– Nunca serão! Jamais serão!

Mas apesar do discurso otimista, o nervosismo era visível. Uma torcedora se contorcia a cada instante, rezava e se desesperava. A tentativa de incentivo com cânticos virou um silêncio após Guzman superar Kannemann de cabeça e mandar a bola a centímetros da trave direita de Grohe.

Ajuda divina e corneta ao Inter

O fim do tempo normal e o início da prorrogação fez os torcedores se apegarem à fé. Os dedos entrelaçados, os olhos fechados e as caras de sofrimento denunciavam que era hora de pedir por uma intervenção do céu. Deu certo.

Torcedor gremista levou a camisa de Kabangu, algoz colorado em 2010, para provocar (Foto: Tomás Hammes)



O gol de Everton, logo aos quatro minutos, fez o bar explodir em alegria. Um torcedor, que ouvia o rádio, gritou antes, quando a bola sequer estava com o atacante. Após Everton estufar as redes de Oscar Perez, os tricolores saltaram, se abraçaram, gritaram e choraram, emocionados com o feito.

Em meio ao êxtase, o rival foi lembrado. Daniel Krost ergueu a camisa de Kabangu, algoz colorado em 2010 pelo Mazembe. O médico não perdeu a chance de ironizar o tradicional adversário:

– Isso aqui é para homenagear o coirmão. Para lembrar que, aqui no Rio Grande do Sul, isso nunca mais ocorrerá.

Depois, com a classificação já garantida, as provocações não pararam mais. Os tricolores entoaram "um minuto de silêncio! Para o Inter que está morto". Era o que precisava para o final de tarde perfeito para quem veste azul, preto e branco em Porto Alegre.

Torcedora tem tatuagem de Renato e os dois Mundiais que espera conquistar (Foto: Tomás Hammes)



Gremista se atirou no chão após a vitória sobre o Pachuca (Foto: Tomás Hammes)



Conteúdo publicado originalmente no site GloboEsporte