Publicada em 14/11/2017, às 21:56

Presidente eleito expõe divergência com Gilvan em venda de lateral: "Ficamos tristes"

Wagner Pires de Sá, que assumirá a presidência em 1º de janeiro, lamenta decisão do atual mandatário do Cruzeiro

Wagner Pires de Sá lamentou a venda do lateral Diogo Barbosa pela atual diretoria do Cruzeiro (Foto: Gabriel Duarte)

Na tarde desta terça-feira, o Cruzeiro acertou a venda de Diogo Barbosa ao Palmeiras. Assim como o vice-presidente de futebol, Itair Machado, o presidente eleito, Wagner Pires de Sá, lamentou, em entrevista à Rádio Super, a decisão tomada por Gilvan de Pinho Tavares de negociar o lateral-esquerdo, afirmando estar decepcionado decepcionado com o atual mandatário. Na entrevista, ele também comentou se já existe um candidato para ocupar a vaga de Diogo Barbosa, sobre a busca de um atacante, a parte financeira cruzeirense e o futuro do clube.

- Eu, como presidente eleito, só tomo posse em 2018, e a comissão técnica que vem procurando fazer um planejamento para o ano que vem. Ficamos tristes (com a negociação de Diogo Barbosa), decepcionados (com Gilvan), talvez.

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Wagner Pires de Sá explicou como aconteceu a negociação com Diogo Barbosa ao Palmeiras e voltou a admitir que a situação financeira do Cruzeiro não está boa.

- Tentamos fazer uma engenharia financeira para manter o Diogo e traríamos novos jogadores. Estávamos, inclusive, conversando com investidores que participaram junto com a gente desta engenharia financeira. Mas a presidência do Cruzeiro permanece com Gilvan de Pinho Tavares até o final de dezembro. Ele deve ter recebido uma proposta por Diogo Barbosa e fez uma opção de venda. O esporte no mundo ficou inflacionado, a inflação está corroendo tudo. Se não tomarmos providência, vamos ter problemas. Acredito que o doutor Gilvan de Pinho Tavares tenha feita a opção da venda considerando o momento financeiro do Cruzeiro. Soube que a primeira proposta era de 4,5 milhoes de euros. Conversamos à tarde que procuraríamos uma solução, iríamos conversar sobre a engenharia financeira. Procuraríamos exercer nossa função de 25% de direitos econômicos do jogador. Ficou nisso. Ele disse que precisava que recebesse essa postergação de prazo. Não sei se recebeu, mas enviamos em tempo hábil. Teríamos até a próxima quarta para fazer a negociação com nossos parceiros. Ele fez a opção de vender o Diogo Barbosa. Me parece que vendeu por 6 milhões de euros. Com isso, o Cruzeiro ficará com uma importância líquida de 1,4 milhão de euros. Devíamos algumas prestações, me parece que três que deveríamos pagado, do Diogo. Foi uma opção do presidente. Infelizmente para nós e nossa equipe técnica, não podemos falar que ficamos satisfeitos. Foi uma opção financeira dele. Nossa equipe técnica, nosso vice-presidente de futebol, todos vão sentir falta do Diogo Barbosa.

Wagner Pires de Sá afirmou que eles haviam montado uma estratégia para manter Diogo Barbosa no Cruzeiro, mas que Gilvan preferiu realizar a venda ao Palmeiras.

- Isso dependeu muito de ambas as partes. Cada um tem uma característica diferente. Tenho projetos que podem ser olhados pela diretoria que sai, como não primordiais. Eles, por sua vez, que me apoiaram, não me abriram totalmente o clube. O Gilvan disse o seguinte "as coisas importantes vocês já estão tomando conta". O que eu considero importante? Ter vitorias, jogar jogos. Temos a libertadores ano que vem, temos um campeonato brasileiro. O que fui deselegante talvez foi com os que vão planejar o futebol de 2018. Foi a única mudança positiva que fiz. Não vou entrar na área financeira. Venho fazendo programas, projetos, desenvolvendo metas para atingir os compromissos que assumi, mas de forma paralela, porque eu ainda não pude entrar na gestão do clube. Respeito o Gilvan de Pinho Tavares. Me deu a oportunidade para ir à Toca tratar de alguns assuntos. Não posso esperar até dia 2 de janeiro. Tentei manter a base do elenco, com o maestro. Pretendo levar esse clube para ganhar os títulos que queremos: a Libertadores e o campeonato mundial. E o único troféu que o Cruzeiro não tem. O que eu fiz foi segurar. Eu pretendia segurar todo o elenco. Infelizmente, por opção que não vou discutir, porque ele tem seus problemas, sabe do dia a dia do Cruzeiro, foi uma opção dele. O que posso falar é que fiquei triste.

Ele (Gilvan) preferiu vender o Diogo Barbosa. Não acredito que vá fazer outras vendas sem nos consultar. Infelizmente, dissemos hoje que tinha condições de manter o Diogo, tinha recursos, parceiros, que manteríamos o Diogo Barbosa

A primeira coisa que nós falamos era preservar os nossos atletas, o nosso plantel porque ele é excelente e não poderíamos deixar de contar com esses atletas, porque temos uma longa e difícil caminhada em 2018. Principalmente, uma peça como o Diogo. Não acredito que o doutor Gilvan vá fazer um desmonte do nosso clube. Ele, eventualmente, fez uma opção, por alguma opção premente de recurso. Para saldar alguma situação de dificuldade, teve a opção de vender o Diogo Barbosa. Ele recebeu uma carta dando um prazo até amanhã. Nós temos 25% dos direitos dele e tínhamos a opção de comprar mais 25% dos direitos do Diogo, por 1 milhão de euros. Era um contrato muito complexo, diria que foi verdadeiramente peça de novela. É um tabuleiro de xadrez. Se a gente comprasse, mas recebe uma proposta… eram muitas causas. Ele preferiu vender o Diogo Barbosa. Não acredito que vá fazer outras vendas sem nos consultar. Infelizmente, dissemos hoje que tinha condições de manter o Diogo, tinha recursos, parceiros, que manteríamos o Diogo Barbosa. Cada um tem que pensar na sua preocupação do dia a dia. Com mais 1 milhão de euros nos teríamos 50% dos direitos dele. Possivelmente, o doutor Gilvan de Pinho Tavares preferiu vender a proposta que foi feita. Ele disse que conversou com o procurador do jogador e ia tentar um acordo melhor. Pedimos para aguardar uma carta, porque íamos conseguir o prazo e os recursos. O doutor Gilvan é muito sério, deve ter colocado na balança e teve que vender.

Confira outros trechos da entrevista de Wagner Pires de Sá à Rádio Super:

Substituto para Diogo Barbosa

- Eles dizem que, no futebol, tem que ter plano A,B,C,D,F. Mas, como nós, conversamos um pouco antes, eu preferia dar uma boa notícia e notícias que o torcedor espera um pouco mais adiante. Quando tivermos na mão contratos firmes e assinados. No futebol, se eu falar um nome agora, que só de olhar gostamos, o preço sobe. Aí tenho que falar mal do jogador, para o preço descer.

Parte financeira

- Como administrador profissional, empresário, temos uma meta de equilibrar as finanças a partir de 2018. Vamos catar recursos fora de futebol. Contratamos um dos grandes homens mundiais, o doutor Marco Antônio Lage. Temos programas para captar recursos extra-futebol. No futebol tem que usar imaginação, procurar parceiros investidores. Temos diversos já. Estamos conversando, namorando. Espero ficar noivo e dar casamento. Os recursos que vamos inicialmente captar para fazer um grande clube, vamos precisar de reforços pontuais. Estes nós já estamos encaminhando junto com investidores. Não vou adiantar mais, mas o torcedor pode ficar tranquilo porque vem coisa grande por aí. Tem que ser peixe grande.

Contratação de atacante

- Estes nomes (Ricardo Oliveira, Barcos) eu sou humilde demais para falar sozinho. Todos entram em contexto que nós ouvimos, e sempre faremos isso, a nossa comissão técnica, nosso técnico e nosso vice-presidente de futebol. Nunca centralizaria. Itair não é nosso homem forte, é nosso vice-presidente. Quem decide é o Itair, comissão técnica, Djian. Nesse ponto, seremos muito democráticos.

Nomes no mercado interessantes

- Temos bons jogadores na base. Se pudéssemos contratar, eu gosto muito desse (Henrique) Dourado. Gosto muito do Pratto, gosto muito de dois ou três jogadores argentinos que estamos conversando. O leque é grande. Tudo isso dentro da nossa realidade. Ricardo Goulart, Everton Ribeiro… Marcelo Moreno, gostei demais dele, Fred foi um grande jogador. Todos foram meus sonhos. O meu maior sonho foi o Tostão, infelizmente não está treinando mais.

Clima na política cruzeirense e relação com Zezé Perrella

- Todos os jogadores estão motivados. Eles sabem que cada posição que tomarmos no Campeonato Brasileiro teremos uma melhor premiação. Quando eu fui eleito, eu disse que nossa chapa se chamava união. Nós do Cruzeiro tivemos algumas desavenças, mas, no final, nos unimos. Sentamos nos mesmos lugares, frequentamos os mesmos lugares, torcemos para o mesmo time. O Cruzeiro é uma grande família. Eu, como presidente eleito, tentei fazer um acordo para que os nossos adversários do momento continuássemos unido.

O meu relacionamento com Zezé Perrela será proveitosos. Vou ouvir o que ele propor, dentro dos limites. Nossa convivência e excepcional. Fiquei na presidência do conselho fiscal, na gestão do Zezé Perrela.

A torcida do Cruzeiro pode ficar tranquila, vai receber boas notícias até o Papai Noel chegar

Relação com o Mineirão

- Se você pegar por esse ângulo, o América tem seu estádio. O Atlético vai construir. O Mineirão sempre foi o estádio do Cruzeiro. Momentaneamente pode ter tido um desacerto com um gestor do estádio com quem o utiliza e, tranquilamente, vamos conversar. No fundo, são nossos parceiros. Não tem porque ter desavenças. Vou procurar a Minas Arena. Temos planos grandes para que o Mineirão seja, como sempre foi, a Toca 3. Tivemos lá as maiores glórias. Foi lá que o nome do Cruzeiro subiu e valorizou. O Mineirão é o nosso estádio. Não temos que procurar chip em cabeça de cavalo. Temos que nos juntar e fazer uma boa gestão, juntos.

Reforços ainda este ano?

- A torcida do Cruzeiro pode ficar tranquila, vai receber boas notícias até o Papai Noel chegar. Os reforços são pontuais. Na verdade, um lateral direito, e vamos precisar de mais um esquerdo. Um homem de área. O Mano é um homem muito ponderado. Naturalmente, se pedir, vamos conseguir. Ele, com três homens, ficaria satisfeito.

Fonte: Globoesporte.com
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