Publicada em 03/11/2017, às 17:35

De sem chance no Flu a recordista no Bota: a mudança da água para vinho de Lindoso

Contra 1º grande clube da carreira, onde fez 5 jogos, volante vai virar o alvinegro de mais partidas do elenco atual só atrás do "inatingível" Jefferson. Maduro, não se arrepende de nada e agradece a Abel

Lindoso tem emoldurada camisa da estreia e fará o mesmo com a do jogo 100 (Foto: Thiago Lima)

Clássico Vovô deste sábado, às 19h (de Brasília), vai ter um sabor mais do que especial para um dos 22 jogadores em campo no Nilton Santos: Lindoso. Justamente contra o Fluminense, seu primeiro grande clube da carreira e onde pouco foi aproveitado, o volante vai bater uma marca de número de jogos no Botafogo. E que contraste! Se nas Laranjeiras fez só cinco partidas entre 2011 e 2012, em dois anos e meio em General Severiano chegará a 108, ultrapassará Renan Fonseca e só ficará atrás do "inalcançável" Jefferson, com 436, entre os mais utilizados no elenco atual.

Mas por que um titular do Botafogo hoje não conseguiu jogar no Fluminense? Idade? Inexperiência? Concorrência? Técnico (que por sinal era o Abel Braga na época)? Seis anos depois, Lindoso não tem uma resposta na ponta da língua, até porque não a procura. O volante, natural de São Luis (Maranhão), fincou raízes no Rio de Janeiro e evita lamentar de qualquer coisa. Arrependimentos não tem nenhum, mesmo quando os planos não saíram como planejados. Como nas Laranjeiras.

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Depois, voltou ao Madureira e passou ainda por Criciúma e Marítimo de Portugal até chegar ao Alvinegro, onde o roteiro planejado enfim virou realidade e mudou sua vida. Hoje morador da Freguesia, na Zona Oeste do Rio, e pai de família, Lindoso recebeu o GloboEsporte.com em sua casa. Projetou o clássico, agradeceu Abel, contestou o protesto da torcida após empate com o Avaí, comentou o "quase golaço" na Ressacada, viu prejuízo com a tardia implementação do árbitro de vídeo na Libertadores e lamentou o "pecado" ao ver o Grêmio na final:

– Era a gente para estar ali.

Confira a entrevista completa:

GloboEsporte.com: Claro que há uma diferença de idade, na época você tinha só 21 anos, mas por que o Lindoso que é titular no Botafogo não conseguiu se firmar no Fluminense?

Lindoso: Eu não costumo ficar lamentando. Tudo que aconteceu no Fluminense me fortaleceu, foi tudo maravilhoso. Claro que gostaria de jogar mais, mas foi experiência pelos jogadores que convivi, amizades que fiz lá. O que me trouxe hoje a viver essa fase é que quando sempre voltei para o Madureira eu nunca desanimei. Em 2015 tive um foco a mais, estava com projeto de ter filho, sabia que se fizesse um bom estadual a oportunidade iria aparecer. Aconteceu tudo aquilo que planejei. Joguei pouco no início também, mas esses jogos foram importantes para hoje estar colhendo os frutos: venho mantendo uma média boa, já atingi a marca de 100 jogos.

O que mudou do Lindoso do Fluminense e do Madureira para o de hoje?

Eu me mudei de casa (risos). Mas a mudança maior foi o nascimento da minha filha, Valentina. Ela me fez repensar muitas coisas, motivação mais do que extra. Mesmo tímido, hoje prefiro que os amigos venham aqui em casa do que estar saindo. Naquele ano de 2015 foi o ano em que planejamos, se não me engano em outubro descobrimos a gravidez.

Neste sábado você vai reencontrar o Abel, que foi seu treinador no Fluminense entre 2011 e 2012. Como vai ser para você este duelo?
Já tive uns três encontros com ele depois que saí de lá. Sempre teve um carinho por mim, agradeço muito pelo que me ensinou, é uma excelente pessoa. Mas agora estou do outro lado. Algumas vezes ele ficou chateado comigo (risos), se não me engano em 2013 fiz dois gols pelo Madureira sobre o Fluminense. E depois do jogo nem tive oportunidade de conversar com ele, quando o procurei já tinha descido. De repente ficou o sentimento de que eu estava chateado com ele, mas jamais. Sempre que o encontro dou um abraço nele, pois foi uma pessoa que me ajudou muito.

Mas como era a relação de vocês no Fluminense?

Ele tinha recém-chegado, o clube era o atual campeão brasileiro, estava recheado de estrelas. E eu vinha de um clube de menor expressão, tive que me dedicar bastante, e foi quando ele começou a me olhar com mais carinho. Lembro que quando tive oportunidade, em um jogo contra o Cruzeiro lá em Minas, fui titular e fiz uma bela partida, ele me elogiou bastante na imprensa depois.
Sempre conversava muito comigo, procurava corrigir o que vinha fazendo de errado. Na minha saída em 2012 ele teve uma conversa comigo, explicou algumas coisas e disse que quem sabe no futuro surgiria uma oportunidade de trabalharmos juntos novamente. Ele me ajudou bastante, até pelo fato de ser muito novo. Aprendi muito com ele.

E agora você vai se tornar o segundo jogador que mais defendeu o Botafogo no atual elenco, passando o Renan Fonseca que tem 107 jogos e ficando só atrás dos 436 do Jefferson...

É importante essa marca. Completei 100 jogos, agora segundo do elenco que mais atuou pelo clube. É importante, venho fazendo bons jogos contra o Fluminense também... São alguns ingredientes para esse jogo de sábado.

Qual o segredo desse Botafogo para continuar surpreendendo muita gente desde o início do ano?

Segredo nosso é sempre pensar jogo a jogo. A gente sabe a dificuldade que tem o futebol brasileiro, o Botafogo tinha ficado muito tempo sem disputar a Libertadores. Fomos muito contestados no início, que não iríamos passar nem da Pré-Libertadores e definitivamente da fase de grupos. Chegamos até as quartas de final, saímos para uma grande equipe e fizemos bons jogos. A gente vem se fortalecendo, é fruto da união que temos.

Falando em boa campanha na Libertadores, como foi acompanhar a definição dos finalistas nesta semana pela televisão?

Ficamos tristes. Até comentamos depois desse placar do primeiro jogo do Grêmio que era a gente para estar ali, até porque fizemos um bom jogo contra eles, merecíamos a classificação. mas paciência, comentamos que precisávamos focar no Brasileiro, pois o que iria trazer o título para o Botafogo é a constância, estar participando sempre. Assim aconteceu com o Corinthians. Agora nosso foco é estar ali no G-4, entrar direto na fase de grupos, até porque esse ano começamos muito cedo e isso atropelou um pouco a pré-temporada.

E ao ver o Lanús se classificar na outra semifinal contra o River Plate, com um gol de pênalti marcado pelo árbitro de vídeo? Fica a sensação de que se houvesse isso uma fase antes dariam o pênalti no Gilson contra o Grêmio?

Eu não sou muito a favor (do árbitro de vídeo), mas se tem que colocar acho que deve ser no início da competição. Até porque acabou favorecendo ao Lanús e podia ter nos favorecido contra o Grêmio. Mas, enfim, passou, espero que no próximo ano seja desde o início.
Muito se fala que o elenco do Botafogo é enxuto, mas se olhar em número de jogadores a média é como de outros times. Incomoda quando falam isso de vocês?

Realmente eu não sei (motivo) porque temos feito boas campanhas. Outros que têm elenco, pelo fato de terem jogadores que já foram para a Seleção, que jogaram em grandes clubes... Talvez porque não temos muitos jogadores que tiveram projeção, mas não vejo assim. Papel não ganha campeonato. Nosso time está mostrando que tem qualidade, sim.

O Botafogo é o líder do returno do Brasileiro, faz uma boa campanha, mas depois do empate com o Avaí fora de casa teve protesto na chegada do time. Como repercutiu isso entre vocês?

A gente ficou meio sem entender. Porque todas as vezes durante o ano que vínhamos de duas derrotas, ou três, depois ganhamos o clássico contra o Fluminense no Maracanã, e não tinha acontecido isso. Eles cobraram por empatar com um time que estava na zona (de rebaixamento), mas todos sabem a dificuldade que é jogar lá. Realmente não fizemos um bom jogo, mas não tinha motivo para acontecer isso. No jogo seguinte já conseguimos uma bela atuação contra o líder. O torcedor tem razão de cobrar, mas que seja no estádio, até porque não é uma situação legal. Tem pai de família, eu no caso, sei do quanto me dedico no dia a dia. A gente fica triste com essas coisas.

O Botafogo não foi bem contra o Avaí, mas você quase fez um golaço...

(Risos) É. Conversei com meu pai bastante, ficamos debatendo o assunto várias vezes, se eu fiz o certo ou não, e todos falaram que fiz certo, que ninguém esperava. Falei: "Eu já fui atacante" (risos). E não me arrependo de nada, fiz o certo, infelizmente a bola não entrou, mas a gente trabalha para que a próxima entre.

Fonte: Globoesporte.com
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