Publicada em 01/11/2017, às 17:38

Elano promete Santos com a cara dele: "Temos de ganhar até treinamento"

Técnico revela "retorno positivo do elenco" e quer recuperar DNA ofensivo do Peixe

(Foto: Gabriel dos Santos)

Com um apito em mãos, Elano chegou à sala de imprensa do CT Rei Pelé para conceder sua primeira entrevista coletiva como o mais novo técnico (interino) do Santos após a demissão de Levir Culpi.

Firme e cauteloso nas respostas, o treinador garantiu que tentará colocar em campo um time com a cara dele. O ex-meia pretende recuperar o DNA ofensivo da equipe – o Santos é o sexto pior ataque do Campeonato Brasileiro.

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– Eu peço para ser um time muito mais a minha cara. Sempre costumo dizer que muitos atletas foram melhores do que eu, mas tem de ter brilho, garra, dedicação, achar que não dá... Tem que dar. Temos um time bom, jogamos no Santos. Percebo no olho de cada um, e eles querem. Isso que me dá uma grande esperança. Tenho um time muito ofensivo, que eu gosto de jogar, mas tenho que defender bem em algumas situações. Depende das circunstâncias do jogo – disse Elano.

Ele falou também sobre o futuro na função:

– Sabia da possibilidade de trazer outro treinador, mas não me preocupa. Sei do meu potencial e da minha paciência. Posso afirmar que serei treinador. Temos de deixar isso de lado para termos boas semanas e fazermos bons jogos. É isso que eu passo para os atletas. Ganhei dois Brasileiros e sei como é gostoso ganhar. Quem joga no Santos, como eu disse na segunda, tem de saber que temos de ganhar até treinamento – emendou.



O primeiro desafio de Elano na sua segunda passagem pelo comando do Peixe será contra o Atlético-MG, neste sábado, às 17h (de Brasília), na Vila Belmiro, pela 32ª rodada do Brasileirão.

– Temos de ajustar algumas coisas que já foram ajustadas com os atletas, responsáveis. Não estou aqui para falar o que aconteceu, tenho de fazer meu trabalho. Todos estão comprometidos com o clube e foi o que eu cobrei deles. Eles me deram retorno positivo já no treinamento de segunda-feira. Confio muito, digo que são meus amigos, mas temos um objetivo quando se trata de trabalho. O objetivo é o Atlético-MG, concentração total para que consigamos os objetivos porque o campeonato está em aberto – afirmou.

O Santos é o terceiro colocado do Brasileirão, com 53 pontos, a um do vice-líder Palmeiras e a seis do líder Corinthians.

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Elano:

Trabalho de Levir
– É difícil eu falar do trabalho dos outros. Às vezes caem cargas sobre mim que eu nem tenho a ver. Sou funcionário e sempre me coloco à disposição. Quero fazer o melhor para o torcedor sempre. Torcedor joga, muitas vezes viaja... Estou à frente para colaborar e ajudar eles, que podem contar comigo. Tenho uma maneira de trabalhar. Tenho maneiras e pensamentos táticos, Santos tem a sua maneira, não com Levir ou Dorival, mas na sua história e DNA. Sempre deu certo e temos que voltar. Precisamos de vitória para ganhar títulos. Fico triste com algumas mentiras, mas está sendo uma semana fantástica com um grande objetivo e dificuldade, que é o Atlético-MG.

Quer continuar no comando do Santos no ano que vem?
– Eu quero ficar no Santos a vida toda. Se fosse assim fácil, era muito mais prático. Futebol tem dificuldade, é ano eleitoral, oposição... Não me meto nisso. Tenho relacionamento muito positivo com o Modesto, tenho total respaldo. Procuro deixar de lado para eles resolverem e fecho com os jogadores para melhorarmos. Não temos como afirmar agora. Sabia da possibilidade de trazer outro treinador, mas não me preocupa. Sei do meu potencial e da minha paciência. Posso afirmar que serei treinador. Temos que deixar isso de lado para termos boas semanas e fazermos bons jogos. É isso que eu passo para os atletas. Ganhei dois Brasileiros e sei como é gostoso ganhar. Quem joga no Santos, como eu disse na segunda, tem que saber que temos que ganhar até treinamento.

Técnico Elano
– Eu ainda não afirmei a minha vontade de ser treinador, mas desde que parei de jogar venho exercendo o cargo, algo que eu tenho vontade e que pedi para fazer. Com 20 anos de carreira como jogador, Seleção, Europa, vivi muitas situações que treinadores não passaram. O que eu vivi como jogador não me dá a experiência necessária, mas aprendi com Levir e Dorival e não posso afirmar que estou pronto. Tenho que pensar em estudo, cursos, e acho que vai ser importante. Sou aberto para ideias. A prática é essencial, mas a parte teórica, imprensa, comissão, presidência, é importante. Estou vivendo um sonho. Todo treinador queria estar no meu lugar, com sete jogos pela frente e campeonato em aberto.

Lei do silêncio dos jogadores
– Não sei qual é a lei do silêncio. Jogadores não quiseram falar porque aconteceram algumas coisas. Nesse momento é melhor retirar para não dar problemas para nos silenciarmos e voltarmos a falar. Há de haver o entendimento da imprensa, é um momento de instabilidade de situação verdadeira ou mentirosa que atrapalha os atletas. Isso pode desestabilizar um trabalho. Alguns deles vão falar no momento certo. É só alinhar isso, não tem disputa, rivalidade, mas aconteceram algumas coisas que ficamos chateados. Fico chateado quando há mentira com um adversário e não só no Santos. Elano assume e continua lei do silêncio? Eu nem sabia. Eu sou um cara verdadeiro. Hoje como comandante, eu sou o primeiro a falar se for eu que não quiser. Vamos trabalhar tudo em paz. Vou comandar da minha maneira, organizar para ser bom para todos. Eu preciso de um grande resultado no sábado. Só isso.

Espaço perdido na mídia por conta do silêncio dos jogadores
– A gente sempre teve menos espaço. Eu não vejo isso negativo. Temos que entender algumas situações. Às vezes não dá para ter todos de São Paulo aqui. Não deixei de ganhar. Tiveram que falar de nós. E é isso que eu passo. Santos sempre ganhou em situações fáceis ou difíceis. É uma história bonita junto a outros grandes clubes do Brasil. Eu nunca tive imprensa como inimiga. Tem jogadores que se comportam de um jeito, outros de outro, são 30 ou 40 atletas. Às vezes sai um pouco do controle. Aqui é a minha casa, sempre foi, não tem rivalidade, briga. Os caras têm direito de ficar bravo. Vou procurar fazer o bem para todos, mas vou fazer primeiro para os jogadores, queremos ganhar no sábado. São decisões que pedimos para o Juan tomar porque é preciso ser feito. Assim a gente segue.

Treinos fechados
– Como treinador, não tem como eu abrir para vocês e eu falar tudo o que eu vou fazer contra o Atlético. Isso prejudica meu trabalho e o Santos. A outra equipe lá faz a mesma coisa. Não é que ganha ou que perde. Zeca treinou na lateral direita. Vou fazer algumas coisas hoje. Sei que todos querem acompanhar, mas estou iniciando um trabalho. Hoje, amanhã e sexta são os principais trabalhos para poder surpreender o Atlético. Hoje eu estou à frente, não posso abrir todo o tempo. Crio algumas coisas, o cara se prepara e arma para marcar e atacar do jeito que estamos treinando. Não tem como ser perfeito. Eu, se pudesse, deixava vocês aí e bateríamos papo, mas quando entramos no ambiente de trabalho, preciso fazer o que for bom para sábado. Sequência é dura. O que eu faço nessa semana farei até dezembro, com alguns reajustes. Muitos pendurados e tenho que preparar algo para o jogo do Vasco... Se eu pudesse, toda a base do Santos veria o treino, mas é momento importante para retomarmos nesses sete jogos. Temos que fortalecer fisicamente, tecnicamente, psicologicamente. Levir é um grande amigo na minha vida, falei ontem, tenho como referência em gestão de pessoas além de trabalho. Sou obrigado a fazer certas coisas porque tenho essa semana de trabalho.

Mistério na escalação
– Com certeza (esconder escalação). É a última semana cheia para preparar o time até dezembro, contra o Avaí. Não treino uma só formação, vou precisar. Pode chegar no jogo e ser diferente. Vou afirmar para você: peço para o torcedor vir, estamos querendo, com fome. Esse é nosso objetivo para seguirmos lutando pela conquista.

Fonte: GloboEsporte.com
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