Publicada em 29/10/2017, às 14:36

Robinho explica "jogou aonde?", elogia Oswaldo e mira Libertadores

No papo com Fernanda Gentil, atacante atleticano minimiza polêmica com jogador da Chape e diz que pretende jogar até "quando aguentar"

Robinho conversou com o Esporte Espetacular (Foto: Jefferson Rodrigues)

O papo fluiu tranquilo entre Robinho e Fernanda Gentil. Durante a conversa realizada no CT do Galo, o rei das pedaladas explicou tudo sobre a polêmica pergunta “jogou aonde?” que ele fez ao volante Moisés Ribeiro, da Chape. O atacante do Galo elogiou o técnico Oswaldo de Oliveira, afirmou que ainda tem esperanças de ver o alvinegro na Libertadores 2018 e disse que pretende jogar até depois dos 40 anos como Zé Roberto.

Fernanda: Você acha difícil que um cara como você, que ganha o que você ganha, que tem o que você tem, um cara realizado, que pode ter o que quer. É difícil um cara assim manter os pés no chão?

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Robinho: Olha, tem que ter sempre os pés no chão, né. Nós somos seres humanos, todos iguais. E cada um tem a sua profissão. Você é excelente no que você faz, eu sou bom no que eu faço. E assim a vida segue. Não vejo diferença de ninguém não.

F.: Você tem quantos filhos?

R.: Eu tenho 3.

F.: Passa isso para eles?

R.: Muito, muito.

F.: Eles obviamente têm uma infância melhor do que a tua...

R.: Nem se compara. Os meus filhos só tem coisa linda para eles... (risos).

F.: E como é que mostra isso?

R.: É verdade. Eu procuro educá-los e mostrar para eles. Vou lá visitar onde eu morava e sempre falo para eles: “O papai sempre teve a mesma alegria, independente de bens materiais. O importante é estar com saúde, com a família, estar do lado das pessoas que a gente ama”. É assim que eu procuro educar os meus filhos.

F.: Sei que você é um cara para cima, que tem uma educação muito boa e os valores muito legais. Vai ter uma ótima resposta para isso, porque são coisas de futebol. Mas eu preciso te perguntar sobre o tal do "jogou aonde" pro jogador da Chapecoense. Como é que foi aquilo?

R.: Eu faço isso direto. Na verdade, foi falta de respeito dele comigo. Ele falou assim: “Tu não pode pedalar. Tá pedalando”. Pô está de sacanagem, né? Como que eu não posso pedalar. Pedalei com 18, não vou pedalar com 30. No calor do jogo acabei falando, mas não foi nada para menosprezar o jogador do time da Chapecoense. Pelo contrário, sempre tive respeito com todos os adversários. Mas no calor do jogo, falei assim: “Tu jogou aonde? Tu quer falar comigo, sou burro velho”. Aí passou, mas pegou essa imagem aí.

F.: Isso é um bordão do dia a dia que a gente vê todo mundo falando.

R.: Os moleques da base sobem e falam pra mim: “Neguinho tu jogou aonde...”

F.: Vejo o meu filho mais velho falando pros amigos dele: “Jogou aonde?”

R.: Não foi para menosprezar não. Se foi também, se ele se sentiu ofendido, peço desculpa, mas não foi nada para menosprezar.

F.: Isso é importante, mesmo que a intenção não tenha sido essa. Se ele acabou se ofendendo.

R.: Exato, se ele ficou chateado. Tá tranquilo.

F.: Quando você ficou no banco com o Micale, os seus filhos ficaram bravos dentro de casa?

R.: Ah eles ficam. Eles ficam. Ficou chateado, né, porque o filho quer ver o pai jogando e tal. Aí ele dizia: “Pai, você não tá jogando”. Eu respondia: “Calma, tem que ter paciência, vamos seguir treinando, trabalhando, que uma hora o papai vai voltar a jogar”. E isso é normal. E agora aconteceu.

F.: E agora deu uma reviravolta, o Oswaldo chegou, você voltou a jogar, já meteu dois golaços no clássico. Como você vê a sua fase?
O que foi determinante para essa sua volta?

R.: Com certeza foi a confiança do treinador. Ele me colocou na posição que eu mais gosto de jogar. Já tinha trabalhado com o Oswaldo no Santos. Então eu já conhecia a maneira dele trabalhar. Sempre tive um ótimo relacionamento com ele. E ele fez aquilo que eu gosto, me deu a camisa para jogar e disse: o resto é contigo. Porque nosso objetivo agora é voltar a vencer uma sequência e voltar a Libertadores. Ficar na posição da Libertadores. E ganhar um clássico é ótimo. Aqui os torcedores atleticanos amam vitória ainda mais em cima do Cruzeiro.

F.: Atlético Mineiro, Palmeiras e Flamengo são alguns dos clubes que investiram muito no início da temporada e agora no fim do ano não deram a resposta que a torcida pedia. O que faltou no caso do Atlético?

R.: Faltou o time encaixar. A gente começou o Brasileiro de uma maneira muito ruim, resultados ruins. Então aí a torcida já foi pegando no pé e o rendimento dos jogadores foi caindo. Então, acho que esses times assim, que fizeram um alto investimento, Flamengo, Palmeiras e o próprio Atlético Mineiro, quando não conseguem dar uma resposta de imediato os torcedores cobram bastante. Futebol não tem um segredo. Às vezes você faz um time que teoricamente está para ganhar tudo e não ganha. Aí você pega um time encaixadinho, montadinho, que não tem tantos jogadores badalados e acaba ganhando. Foi o que aconteceu infelizmente. Mas ainda faltam uns dez, nove jogos no Brasileirão e a gente espera levar o Galo para a Libertadores.

F.: Com quantos anos você está?

R.: 3.2 turbo. Quando eu faço a barba, nego fala que eu tenho 18.

F.: Ah, para...jogou aonde? Olha aqui, tem uma ideia de parar com que idade? Ou nem passa pela sua cabeça?

R.: Eu vou jogar mais tempo que o Zé Roberto.

F.: Eu quero saber se é no shape do Zé Roberto?

R.: Meu corpinho. Vou ficar melhor que o do Zé Roberto.

F.: A pessoa se ama, é outra coisa. A autoestima lá em cima. Ele se olha no espelho, se apaixona. É nesse nível?

R.: Ainda não sei, hoje me sinto bem e feliz. De estar fazendo aquilo que mais amo e não tenho meta de parar com quantos anos. Enquanto tiver força, e estiver jogando no mesmo nível que os outros jogadores, eu vou continuar jogando. O que não pode é eu ficar me arrastando e pegar essa molecada. Hoje em dia está uma correria danada. Mas enquanto eu estiver aguentando eu vou jogar.

Fonte: Globoesporte.com
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