Publicada em 19/10/2017, às 16:50

Há são-paulinos vivendo dentro de uma bolha

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Dorival Júnior não consegue fazer o Tricolor jogar (foto: Rubens Chiri)

Há uma espécie de bolha que impede alguns são-paulinos de ver a realidade. Não é o caso de boa parte da torcida, que há tempos entendeu a situação delicada da equipe e lota estádios para evitar um rebaixamento. Talvez, não fosse por ela, o São Paulo estivesse ao lado do Atlético-GO, afundado na zona da degola. Mas a bolha existe, a começar pelo comando técnico que vinha dentro dela. “Está mudando. Só não vê quem não quer”, afirmou Dorival Júnior, dia de 15 de setembro, após empates do Tricolor com Avaí e Ponte Preta e derrota para o Palmeiras. Na última quarta, Dorival parece ter despertado (será?) ao, pelo menos desta vez, admitir mais uma péssima atuação ao invés de falar em “evolução, evolução”.

As duras declarações de Hernanes ao fim da derrota por 3 a 1 para o Fluminense soaram como alguém incomodado pela falta de noção que há dentro do Morumbi. “O time não amadurece. É inaceitável. Não temos maturidade. A gente ganha um jogo e um jogo depois… Não é bem assim. Precisamos da regularidade para uma recuperação. Mais uma vez falhamos. Vamos apanhar até aprender”, disparou.

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De 15 de setembro, quando Dorival bateu no peito exaltando as “mudanças”, até hoje, o São Paulo enfrentou Vitória, Corinthians, Sport, Atlético-MG, Atlético-PR e Flu. Seis jogos em mais de um mês. Foi bem, e venceu, em Salvador, contra o pior mandante do Brasileirão, e teve bons momentos no empate com o rival paulista. Só. O desempenho do time foi terrível diante de Sport, com milagres de Sidão nos acréscimos, Galo e Fluminense. Contra o Furacão, foi um pouco melhor do que terrível: apenas ruim. Ficou muito com a bola, ameaçou pouco e só venceu em contra-ataque doado no fim do jogo.

Petros já falou em “aula de futebol” (e dias depois admitiu que exagerou, fato) após um empate (?) em casa diante do líder. O diretor-executivo Vinicius Pinotti já apareceu de nariz empinado exaltando a “vitrine” tricolor, cutucando o Corinthians, rival este que coleciona troféus nesta década enquanto que o São Paulo vai completar dez anos desde o último título do Brasileirão – seca interrompida por uma Copa Sul-Americana. Beira a loucura alguém no São Paulo, hoje, querer apontar o dedo para o Corinthians.

Leco, o presidente, criou uma conta no Twitter para se aproximar dos torcedores e não a atualiza desde 19 de julho. As últimas postagens foram para anunciar as contratações de Dorival e Hernanes. Não há crise ali para o dirigente, que costuma falar nos vestiários do Tricolor depois de vitórias. Nas derrotas… Bem, nas derrotas, a conta chega a outros. Rogério Ceni, demitido há um turno, que o diga.



O São Paulo tem nove jogos a disputar no Brasileirão. Precisa de quatro vitórias para não cair. Será simples se o Tricolor passar bem pelos próximos jogos, no Pacaembu, contra Flamengo e Santos. Se passar mal, vai apertar ainda mais: olhará para a reta final com a necessidade de vencer quatro partidas em sete, sendo que apenas três serão em casa (o São Paulo só fez oito pontos como visitante). Mesmo jogando mal e sofrendo, dá para vencer quatro partidas e respirar (venceu assim Sport e Atlético-PR). O perigo, porém, é real. “Só não vê quem não quer”.

Fonte: Blog do Salata (Lance!)
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