Publicada em 17/10/2017, às 13:28

Plenário vazio e sessão rápida marcam audiência pública sobre estádio do Galo

Primeiro encontro a respeito da arena na Câmara Municipal de Belo Horizonte, solicitado pelo vereador Gabriel Azevedo, aconteceu na manhã desta terça-feira

Câmara Municipal de Belo Horizonte: audiência sobre estádio do Atlético-MG (Foto: Guilherme Frossard)

O projeto do novo estádio do Atlético-MG, aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube no último dia 18 de setembro, ainda não foi enviado à Câmara Municipal de Belo Horizonte para a votação dos vereadores. Mesmo antes disso, o vereador Gabriel Azevedo - que também é conselheiro do Galo - convocou uma audiêncica na Câmara para debater a obra com os moradores e segmentos da sociedade que serão afetados pelo novo empreendimento do clube. Foi na manhã desta terça-feira, na Câmara de BH. Gabriel explicou a intenção do encontro.

- A construção da Arena se dará por uma operação urbana. Isso quer dizer que o time recebe o direito de construir mediante medidas a serem compensadas para a cidade. Ou seja, vão ser obras e intervenções que beneficiem a população. Se isso vai acontecer, é fundamental escutar a população, os moradores do entorno, quem está no bairro, as associações, para entender o que eles querem e pretendem para esses lugares. Vocês sabem de muitos casos de obra em Belo Horizonte em que o debate não começa cedo, e começam a criar mitos, confusões e acusações de que a sociedade não está participando do debate. Estamos abertos, vamos ouvir os moradores, que podem deixar perguntas. Quando o projeto for oficialmente enviado, eu já terei, como vereador, as perguntas da população.

Baixe o App oficial do FutNet no Google Play Store ou na Apple App Store



Gabriel fez questão de deixar claro que, na sessão da Câmara, deixou o lado torcedor de lado.

- Um é o conselheiro do Galo, Gabriel: sou favorável à construção. Para mim não restam dúvidas de que é uma boa medida para o clube. A outra coisa é o vereador Gabriel, que precisa entender quais são os impactos para a cidade, para deixar muito claro que eu não estou votando para beneficiar o clube, mas para beneficiar o município. Na minha visão, a Arena será boa para Belo Horizonte. Defendo, mas é importante que todas as medidas sejam tomadas para que o trânsito não seja impactado de forma negativa, para que não haja nenhum problema para os moradores. Para que isso seja uma solução, não um problema.



Chamou atenção o pequeno número de participantes. Apenas três vereadores compareceram. Além de Gabriel Azeredo (PHS), estiveram presentes apenas o vereador Preto (DEM) e Álvaro Damião (PSB), sendo que o último pediu licença e deixou a sessão nos primeiros minutos para participar de outra audiência. Também foi pequeno o número de representantes da população. Dois deles foram à mesa: Maria Aparecida Bayão, representante da Comforça, conselho popular que acompanha as obras de orçamento participativo, e Júlio César Teixeira, presidente da associação do conjunto Califórnia 1. Os dois falaram por alguns minutos, externaram preocupações e não manifestaram posições claras - contrárias ou favoráveis - ao projeto, mas ressaltaram a necessidade de um amplo debate.

Por entender que não se trata de uma audiência oficial, já que o projeto ainda não foi enviado oficialmente, Atlético-MG e a Prefeitura não enviaram representantes. O arquiteto Bernardo Farkasvölgyi, responsável pelo projeto, viria, mas está em São Paulo e não pôde comparecer.

Também pela pouca quantidade de integrantes, o encontro foi rápido. Durou apenas 40 minutos. Depois disso, o GloboEsporte.com conversou com os representantes populares.

O que dizem?

Maria Aparecida Bayão destacou algumas preocupações comuns entre os moradores - como os impactos da obra na região - e fez questão de ressaltar que o estádio não é a prioridade da população.

- Estou aqui em nome de uma comunidade da Regional Oeste. Fui convidada e vim, porque temos uma preocupação de uma cidade melhor. Não sou contra o estádio de forma alguma. Até não gosto de futebol, mas tenho filhas que são atleticanas. A nossa preocupação é que a Câmara precisa chamar mais a população, a população tem que discutir. Não temos um projeto de segurança pública, não temos o projeto viário, que é seríssimo. A própria Avenida Amazonas vai ficar sobrecarregada. O Anel Rodoviário não vai comportar esse movimento de transporte. Isso tem que ser revisto. O impacto no meio ambiente é muito grande. E temos os bairros nos arredores. Precisam ver o que dá para fazer para ajudar as comunidades antes das obras do estádio. Depois, não tem jeito. O problema do transporte é muito grande, a segurança pública também. Para nós, não interessa se o estádio é o melhor do Brasil, melhor do mundo. Para o povo, não interessa. Nosso interesse é a sobrevivência do cidadão, do morador que está ali.

Júlio César Teixeira também destacou a importância do debate prévio, para que os interesses da população sejam garantidos antes do início das obras. Disse, também, que há opiniões distintas entre os moradores.

- As opiniões são diversas. Muitas pessoas acham que serão muitos benefícios, outras acham que o bairro será muito prejudicado com a construção do estádio. Mas as discussões estão em fase embrionária, porque não existe um projeto pronto daquilo que vai ser feito. Não tem como a gente opinar sem saber tudo. É importante que a prefeitura, o Atlético, a construtora e todos os setores apresentem um projeto daquilo que vai ser o estádio e toda a compensação que virá junto com ele. A preocupação maior é com os acessos, a questão viária. O conjunto Califórnia e região já sofrem muito com o Anel Rodoviário. É um problema que não se resolve. Isso tende a agravar se não tivermos melhorias para acompanhar a construção do estádio. Acredito que, se for feito de forma organizada, tem tudo para todos ganharem: cidade e bairros do entorno. Mas a sociedade tem que ser chamada pra discussão. Vamos chamar a atenção dos outros líderes para que todos estejam presentes nas próximas discussões e audiências. Acho importante. Depois que a obra estiver concluída, não adianta reclamar, não será derrubada. Vamos discutir enquanto está no processo de construção. A opinião popular pode influenciar muito, a gente sabe disso.

Mas e a votação? Quando será?

O vereador Gabriel Azevedo fez questão, também, de deixar claro: o andamento do processo depende, agora, da prefeitura.

- Esse tempo não depende da Câmara. A “bola” está com a prefeitura de Belo Horizonte. Quando a secretaria responsável definir o projeto de lei, pronto. A Câmara já está ansiosa para participar.

Não há data prevista para a votação entre os vereadores e nem uma nova audiência marcada para discussão com representantes populares.

Fonte: Globoesporte.com
Clique para ver a matéria no site fonte