Publicada em 11/10/2017, às 12:27

Entrevista exclusiva: Julio Brant, candidato à presidência do Vasco

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Brant é candidato pela segunda vez (Foto: David Nascimento/LANCE!)

Faltando um mês para as eleições do Vasco, o Blog do Garone inicia uma série de entrevistas com os candidatos à presidência do clube. Para que haja igualdade de espaço e temas, enviarei as mesmas perguntas para todos os postulantes ao cargo.

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O primeiro candidato a responder foi Julio Brant, da chapa Sempre Vasco. Confira a entrevista:

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André Schmidt – Apresente-se ao torcedor vascaíno: qual a sua profissão, seu currículo e o seu vínculo com o Vasco?

Julio Brant – Sou um profissional do mundo corporativo. Atuo em uma multinacional e presto consultorias empresariais, com grandes empresas globais no currículo. Tenho mestrado em administração e diversos cursos de gestão e negócios internacionais. Consolidei minha carreira no exterior.
Já minha relação com o Vasco é desde sempre. Faço parte de uma tradicional família vascaína da Zona Norte do Rio. Meu avô me apresentou São Januário desde muito cedo e, na minha infância e juventude, domingo era dia de trem e de Maraca com irmãos e amigos, para celebrar muitas vitórias ali atrás do gol, na Força.



André Schmidt – Qual será o foco principal de sua gestão?

Julio Brant – Resgatar a grandeza do Vasco diante de todos que estão ao redor do Club. Torcida, imprensa, mercado, patrocínios, todos precisam voltar a enxergar o Vasco como ele de fato é, um clube gigante, um dos poucos continentais em todo o planeta. E para isso, precisamos inserir exatamente esse conceito de gestão no Vasco. Nas demandas do futebol atual, ele precisa ser gerido por gente competente. Nosso grupo conta com uma equipe multidisciplinar, profissionais que são apaixonados pelo Vasco mas que também já comprovaram competência em suas áreas de atuação. Eu não estarei sozinho. É um grande projeto de muito trabalho e
resgate do Club, respeitando o seu passado e construindo um futuro. Acabou a era do “eu” no Vasco. Agora é o momento do “nós”.





André Schmidt – Como fazer grandes investimentos no futebol sem comprometer financeiramente o clube? E como reduzir as dívidas atuais?

Julio Brant – Esse é um dos enormes desafios que nos aguardam. Mas estamos preparados para ele. É muito comum ouvirmos hoje de inúmeros vascaínos que só se tornarão sócios quando o presidente atual deixar o clube. Ou seja, temos aí uma demanda represada no plano de sócio que gerará receita.
Mas só isso não bastará, principalmente no primeiro ano. Por isso, nos primeiros 100 dias vamos entender a real situação do clube, verificar as oportunidades de melhoras de processos, de otimização das despesas, analisar a geração de
novas receitas, além de reestruturar a marca Vasco através de muita transparência. Vamos trazer o que há de melhor em governança corporativa, com uma auditoria externa independente e publicar todo o nosso orçamento. Sócios, investidores, apoiadores e torcida precisam, e vão saber para onde vai o dinheiro que circula pelo Club.

André Schmidt – Já houve contato com algum possível investidor/patrocinador?

Julio Brant – Sim. Todo esse trabalho de reorganização financeira será feito em paralelo a conversas com patrocinadores e parceiros, que já começaram a acontecer. Por todos eles estamos sendo bem recebidos e nosso projeto está sendo muito elogiado. No nosso lançamento detalhamos alguns deles que estão dispostos a estar junto conosco nesse reerguimento do Gigante.

André Schmidt – Como fortalecer a marca Vasco novamente no cenário nacional, visto que o clube tem tido dificuldades para encontrar patrocinadores nos últimos anos?

Julio Brant – A dificuldade hoje tem nome e sobrenome, Eurico Miranda. A péssima imagem, postura e histórico dele afastam o investidor. A força da marca Vasco da Gama é algo impressionante. Tanto no Brasil quanto no exterior. As empresas querem estar no Vasco. Querem estampar sua marca em nossa camisa que é de uma visibilidade enorme. Mas para isso, exigem uma gestão séria, baseada em parâmetros confiáveis e com atendimento às necessidades que o negócio do futebol hoje exige. Oferecendo essa contrapartida de seriedade, credibilidade e trabalho seguramente teremos parceiros dispostos a investir no clube.

André Schmidt – Durante a gestão atual, o Vasco reativou, entre outros esportes, o basquete profissional do clube. Por outro lado, perdeu sua representatividade no futebol americano. Qual o seu projeto para os outros esportes, além do futebol?

Julio Brant – Partimos de um princípio: onde o Vasco está, tem que conquistar. Não entraremos só para competir. O basquete, por exemplo, é inacreditável que tenha chegado ao ponto que chegou. Há menos de duas décadas, nós éramos uma referência mundial. A final contra o San Antonio Spurs é algo inesquecível para toda a torcida. Jogamos a NBB sem patrocínio na camisa e com TV aberta transmitindo os jogos, um absurdo! O remo é outra força nossa que, inclusive, é estatutário. Temos que estar presentes e superar nossos rivais.
Na nossa gestão, cada esporte terá o seu centro de custo. Independente e com controle separados, cada um com sua estratégia de marketing, vendas e comunicação com a torcida. O esporte tem que se pagar, não pode dar prejuízo, nem precisa dar lucro, precisa de título.
Tudo isso dentro de uma grande diretriz do que é ser Vasco da Gama. Vamos utilizar a Lei de Incentivo ao Esporte para captação de recursos e permitir que cada um deles, gerenciado por quem seja competente na área, possa captar verbas de patrocínio e utilizá-la da melhor maneira para o seu esporte. Hoje, o Vasco tem quatro projetos aprovados em diversas áreas com zero de captação, enquanto o Flamengo recebeu, há algum tempo atrás, R$ 20 milhões para investir em esportes olímpicos. Com gestão isso pode ser revertido e vamos voltar a novas conquistas com responsabilidade e de forma sustentável.
Estamos também preparando a entrada do Vasco no mundo dos E-sports. Não podemos ignorar a força deste novo segmento que movimenta quase US$ 1 bilhão. Audiência, internacionalização da marca e atração de novos torcedores são grandes oportunidades que o Vasco não pode perder.

André Schmidt – Todo ano de eleição no Vasco é repleto de polêmicas e contradições. Uma das críticas por parte da torcida é sobre a falta de planos de sócios que dão direito a voto e a dificuldade de torcedores de fora do Rio de Janeiro em participar das eleições. É possível mudar esse panorama, tornando o processo mais democrático? Há brecha no estatuto do clube para ampliar os pontos de votação? Como poderia ser feito isso?

Julio Brant – O Vasco tem uma torcida enorme que não se associa porque não confia seu dinheiro a esse modelo de administração que já se revelou fracassado. 70% de nossa gigantesca torcida mora fora do Rio e, no plano atual, não recebe nenhum incentivo a se associar. Além disso, não podemos ter um plano que dê direito a voto por R$ 1.500,00. Vamos reabrir a categoria de sócio-geral, facilitando a migração do plano atual. Vamos realizar eleições pela internet porque a opinião do vascaíno do Rio tem tanto peso quando a do torcedor do Espírito Santo, Santa Catarina, Manaus, de todo o Brasil. Queremos que todos participem da vida política do clube, inclusive com mais torcedoras, que hoje são inúmeras na arquibancada mas tem pouquíssima representatividade na administração e nos poderes do Club.
Vamos propor mudanças no estatuto para atualizá-lo. Ele data de 1979, um mundo completamente diferente do atual. Ele precisa ser modernizado e temos um projeto para isso, visando sempre o melhor para o Vasco. Mas vale lembrar que qualquer mudança passa pelos poderes da instituição, cuja decisão soberana sempre será respeitada. Mas temos certeza que nossas ideias terão uma grande interlocução entre todos os decisores.

André Schmidt – O que fazer para alavancar o número de sócios-torcedores do clube?

Julio Brant – O sócio-torcedor precisa ter a transparência e a certeza de que seu dinheiro está sendo bem utilizado pela gestão e tem que ter condições de expor sua vontade no clube, de votar e ser votado, em uma relação clara e democrática. Dessa forma, temos convicção de que o movimento de novas associações será natural.
E nosso projeto prevê também programas de pontuação para aquisição de materiais do Vasco, vantagens de acordo com a categoria, encontros com o time em outros estados e uma série de atrativos que respeite o torcedor e o faça sentir vontade de contribuir e participar do dia a dia do Vasco.

André Schmidt – Atualmente, há pouca união entre os grandes clubes cariocas, e isso não tem ajudado muito o futebol do estado. Como você entende essa relação com os outros clubes e o que pode ser feito para a recuperação do futebol carioca de forma coletiva?

Julio Brant – Temos que ter uma boa relação com os clubes. Não queremos declarar guerra a ninguém. Nem a clube, nem a Federação, desde que respeitem o Vasco da Gama e não tentem nos prejudicar. Vamos em busca de uma relação de diálogo, com os interesses cruzmaltinos em primeiro lugar, depois o melhor para o futebol carioca e brasileiro.

André Schmidt – Um dos pontos positivos dos últimos anos foi o bom aproveitamento da base, que revelou Douglas Luiz, Paulinho e Mateus Vital, entre outros, e conquistou o Campeonato Carioca sub-20. Qual a sua visão sobre o trabalho realizado atualmente e como manter, ou melhorar, o departamento de base para os próximos anos?

Julio Brant – Vamos ter investimento pesado para a base. Ali é o centro de inovação tecnológica de uma empresa. Requer atenção, investimento e estrutura, com profissionais preparados e bem remunerados. O patamar do Vasco é de obter, pelo menos, R$ 30 milhões/ano na média com revelações. Menos que isso é pouco para quem é o berço dos três maiores artilheiros da história do campeonato brasileiro.
Em nossa gestão, a meta da base será formar atletas, com a formatação de um jeito Vasco de jogar. Desde as categorias mais infantis até às mais próximas dos profissionais. Não teremos distinção de salários da comissão técnica de um sub-13 para um sub-20, por exemplo. Eles contarão com remuneração equiparadas e bônus variáveis em acordo com a venda de atletas no profissional. Vamos contar com professores de educação física na formação dos meninos para aprenderem a correr, respirar, dominar a bola, jogar em equipe e todos os fundamentos básicos. Vamos incluir aulas para ir além do atleta e formá-los como cidadãos. Enfim, a nossa base será uma escola de futebol com resultados diretos na vida de todos que passarem por ela.
Nosso elenco profissional contará sempre com 33% de atletas provenientes da base, que será cobrada para suprir as necessidades apontadas pelo comitê gestor de futebol.

André Schmidt – A reforma e a ampliação de São Januário é um tema que há décadas é debatido no Vasco. Há algum projeto neste sentido?

Julio Brant – Sem dúvidas. É a nossa casa, nosso caldeirão. Amamos esse estádio, sua história e tudo o que ele representa. Vamos fazer de São Januário o estádio mais legal do mundo. Um estádio que será ao mesmo tempo retrô, com sua arquitetura do início do século passado, mas extremamente confortável, com novos bares, novo restaurante, novos banheiros e acessos inclusivos.
Precisamos setorizar o estádio para atender tanto aos torcedores mais exigentes, com assentos confortáveis, quanto àqueles que preferem o cimento da arquibancada, como é hoje, e trabalhar preços razoáveis respeitando esses setores. No lançamento apresentamos parceria com o Metrô e a SuperVia que irão facilitar a chegada e a saída de São Januário, com impacto positivo social enorme. Vamos colocar, de vez, nosso estádio no roteiro turístico da cidade, do país, com visitas guiadas, aulas de história in loco em parcerias com escolas e, no futuro, nosso museu.

André Schmidt – E a criação de um CT, é viável?

Julio Brant – Viável, necessária e já prevista em nosso planejamento. Estamos juntos com o grupo português Tecnoplano, que desenvolveu o mais moderno Centro de Treinamento da Europa, o da Seleção Portuguesa. Um clube do tamanho do Vasco não pode treinar em um campo menor que o profissional, sem um outro para integração com a base. Nosso modelo foi apresentado em nosso lançamento, está em nossas mídias para avaliação de todos, dentro de um projeto responsável e que respeita a realidade econômica do país e do Vasco.

André Schmidt – Qual é a principal urgência que você vê no clube atualmente? Qual será o seu primeiro passo em caso de vitória nas eleições?

Julio Brant – Entender qual é, de fato, a realidade do Vasco. Os primeiros 100 dias serão de arrumação, organização e compreensão do clube. Muito trabalho para identificar os pontos mais críticos e, principalmente, descobrir as oportunidades que irão nos guiar para, passo a passo, voltarmos aos dias de glória.

André Schmidt – Já há algum nome definido para a sua diretoria em caso de vitória nas urnas? Qual?

Julio Brant – O Nelson Sendas está com a gente nessa reconstrução. Temos o apoio do Dr. Clóvis Munhoz, ilustre vascaíno e respeitadíssimo na área médica. Felipe e Pedrinho também virão conosco para trazer seu conhecimento de Vasco e inspirar a base, principalmente no futsal, onde surgiram, a revelar novos talentos.
Não podemos esquecer do Edmundo que é a origem e referência para a nossa equipe.
E, principalmente, a torcida cruzmaltina, cujo apoio não para de crescer quanto mais conhece nosso projeto.

André Schmidt – O que o torcedor do Vasco pode esperar da sua gestão, caso seja eleito?

Julio Brant – Muito trabalho. Sou um vascaíno disposto a usar toda a minha experiência corporativa para o reerguimento do Vasco liderando um projeto que será realizado a muitas mãos, de pessoas muito competentes, cada um trazendo o que tem de melhor em sua área. Vamos trabalhar muito para recolocar o Vasco no seu lugar de destaque, no protagonismo e na vanguarda do futebol.

Fonte: Blog do Garone (Lance!)
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