Publicada em 09/10/2017, às 15:15

Cavalieri diz ter ficado "p..." com a reserva e garante elenco responsável contra o Z-4

Após 27 jogos no banco, goleiro se prepara para segundo confronto como titular. Revela respeito à decisão de Abel Braga e projeta clássico contra o Flamengo nesta quinta-feira, no Maracanã

Diego Cavalieri ganhou a posição de Julio César (Foto: Nelson Perez / Fluminense FC)

Diego Cavalieri deu um show de sinceridade na entrevista coletiva desta segunda-feira no CT Pedro Antonio. Sem fugir de nenhum tema, o goleiro comentou o período de 27 jogos na reserva e o momento delicado do Fluminense no Brasileirão.

O camisa 12, um dos líderes do elenco, reconheceu ter ficado "puto" com o banco, mas revelou respeito à decisão de Abel Braga. E garantiu que ele e o elenco têm noção da responsabilidade de evitar o rebaixamento - o Tricolor é o 16º, um ponto distante do Z-4.

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- Sabemos o que pode acarretar na carreira de cada um se o ano não terminar bem - resumiu.

O Tricolor se prepara para o clássico contra o Flamengo, na quinta-feira, no Maracanã. Será o segundo jogo como titular de Cavalieri após a reserva - ele voltou na derrota por 1 a 0 para o Grêmio, partida na qual foi o destaque do time.



- Foi difícil (ficar na reserva). Foi um momento de aprendizado, de amadurecimento. Encarei de forma natural, como sempre fiz na minha vida. Foi um desafio, sabia que a única coisa que me restava era trabalhar sério e esperar nova oportunidade - disse o goleiro, para completar:

- Não me surpreendeu (a decisão). A gente sempre trabalha para estar bem, querendo evoluir, estar em bom nível. É natural que, quando os resultados não são os esperados, haja mudança. Na carreira, tem de se estar preparado para tudo. Foi uma opção, respeitei. Não adianta ficar puto, até se fica, fiquei. Mas eu digo de largar, querer sair falando. Isso não resolve e nem é do meu perfil. Encarei de forma natural, assimilei. Tentei ajudar. De fora, se enxergam algumas coisas e se ajuda. Passei coisas no intervalo dos jogos.

O clássico contra o Flamengo está marcado às 17h (de Brasília). O Tricolor ocupa a 16ª posição, com 31 pontos.

A íntegra da coletiva:

Experiência
A gente tem um time muito jovem. Mas são atletas de potencial, de muito valor. Infelizmente, passamos por um momento delicado. A gente com mais vivência, tenta dar mais tranquilidade a eles. O momento é de pressão e instabilidade. Agora, todos vão passar por isso na carreira, serve de aprendizado. O time encantou o país no começo do ano com futebol bem jogado. Temos de resgatar isso. O time se dedica, corre, tenta, mas infelizmente, a coisa não tem saído como a gente imagina. Temos a reta final do campeonato para sair dessa situação. Esperamos que comece na quinta-feira.

Motivos da queda
Não foi só o Fluminense. Nenhum time teve regularidade no ano todo. O que teve foi o Corinthians e agora vem oscilando. Ele abriu uma margem grande. É até uma tendência, a oscilação. Do sétimo para baixo, está muito embolado. Qualquer sequência de duas vitórias já joga o time para cima. A gente vem falando e trabalhando para encaixar vitórias e sair dessa situação. Entregue e vontade não faltam. Mas só uma boa apresentação e vitória que devolve a confiança.

Falou com Abel sobre?
Não falei com o Abel. Admiro ele, o respeito. Ele tomou a decisão, é o comandante. Não sou de perguntar porque colocou ou tirou no time, sou assim. Foi ruim, não foi bom, mas enfim. A gente tem respeito e amizade, além do profissionalismo.

Proposta de outros clubes
Não teve nada, não tive conversa com ninguém. Ainda tenho mais dois anos de contrato. Não pensei em sair, não houve nada disso.

Torneio da Flórida
É difícil, a gente tem de pensar no agora. O ano que vem está longe. É claro que o clube vai precisar se organiza. Em 2013, foi no meio do ano. Foi um pouco diferente. Depois, a gente foi. Lá é bom, organizado, se enfrenta time de alto nível. Isso cabe à direção e à comissão técnica. A gente tem de voltar a cabeça para o agora, o momento é delicado e de cobrança.

Momento do time
Futebol é assim, ainda mais em clube grande. As coisas não acontecem, as vitórias não chegam e estar um ponto do Z-4... é natural ter pressão, ainda mais externa. Cabe a gente tentar blindar para que isso não interfira no rendimento. Há cobrança de todos, inclusive nossa. Tem de ter a cabeça tranquila, separar as coisas e jogar. Peço que a torcida nos apoie. E, depois, caso não se tenha o resultado, que cobrem. Time grande é assim.

Flamengo
É uma equipe muita qualificada, mas que também não atravessa um momento muito bom. Caso não fosse o Flamengo, seria o Avaí, agora nosso concorrente direto. Brasileiro não se escolhe adversário. Vamos tentar encarar de igual e, dentro de campo, buscar a vitória. Não adianta ganhar do Flamengo e perder para o Avaí, um confronto direito. Tem peso ganhar qualquer jogo agora.

Encontro com a torcida
Desde que seja de forma pacífica e com educação, tudo é válido. Vamos ver amanhã como vai ser isso. A torcida está no direito de cobrar. Já que vai acontecer, que seja educado e civilizado. Troca de ideias e de opiniões é válido. Eles vão colocar o lado deles, e a gente o nosso. Sem agressão, tudo é válido.

Responsabilidade
O elenco, realmente, é jovem. Mas eles já mostraram qualidade. De dentro, eu vejo a luta. Não falta vontade, o time não é apático. O que a gente não consegue é se impor. A gente tem de tentar de alguma maneira agredir mais o adversário. Como falei, todos são jovens e têm qualidade. Sabemos o que pode acarretar na carreira de cada um se o ano não terminar bem.

Importância de Abel
É um privilégio grande ter o Abel. Ele tem o jeito durão na beira do campo. Ele cobra mesmo, tenta tirar o máximo de cada jogar. Ele conversa, é paizão, se preocupa com tudo. Ele blinda o grupo, ele é um líder. Se a gente não tivesse ele aqui, a situação poderia ser pior. É uma referência.

Fonte: Globoesporte.com
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