Publicada em 06/10/2017, às 14:12

Anderson Martins e o amor (pelo Vasco) que nasceu de uma rivalidade

Zagueiro virou vascaíno para rivalizar com o irmão palmeirense. Criou identificação e agora inicia sua segunda passagem pelo Cruz-Maltino

Anderson Martins, criança, com a camisa do Vasco em aniversário (Foto: Arquivo Pessoal)

A relação de amor entre Anderson Martins e Vasco começou com uma rivalidade. O zagueiro ainda era criança - nasceu na mesma data de fundação do clube, 21 de agosto - quando viu o irmão mais velho, Allysson, virar palmeirense. Então, de implicância, resolveu torcer para a equipe que rivalizava com o Alviverde no fim dos anos 1990.

Começava ali, ainda no Ceará, a admiração pelo Cruz-Maltino, nutrida pelos títulos do Campeonato Brasileiro de 1997 e, especialmente, da Copa Mercosul em 2000.

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- Na época havia grandes confrontos entre Palmeiras e Vasco. O Vasco tinha um time diferente na época, time vencedor. A gente criou essa rivalidade, tinha briga quando um ganhava. Minha mãe sofria (risos). A gente apostava, e fui criando essa admiração pelo clube - lembrou Anderson.

Depois de tanto tempo eu consegui realizar o sonho de jogar no clube pelo qual torcia e admirava

O amor pelo Vasco foi determinante para Anderson voltar. Esta é sua segunda passagem pelo clube – a primeira foi marcante, com o título da Copa do Brasil em 2011, e intensificou ainda mais a relação entre as partes.





Foi por isso que Anderson decidiu voltar ao Vasco quando ficou claro que deixaria o Catar no meio deste ano. Ele precisou de poucos jogos para se readaptar e ter as boas atuações que a torcida esperava. Nesta entrevista, dentro do Caprres, ele falou sobre seu retorno, o tempo no Oriente Médio e o que espera do futuro no Vasco.

Confira:

GloboEsporte.com: Quando você voltou ao Vasco, sempre deixou claro a preocupação com a readaptação. Levou certo tempo para estrear. Te surpreendeu conseguir atingir um nível de performance bom em pouco tempo?

Anderson Martins: Depois de cinco jogos a condição você ganha naturalmente. Graças a Deus eu pude me preparar, o pessoal do Vasco me deu essa tranquilidade. Estou colhendo os frutos, jogando no nível que todos esperavam. Eu já tinha passado por esta experiência em 2014 quando retornei ao futebol brasileiro (Corinthians).

Sabia que teria que trabalhar um pouco mais para não correr risco de lesão, que era minha principal preocupação por causa da diferença de ritmo dos jogos, das viagens... A programação feita me deu essa segurança, e agora estou podendo contribuir.

A torcida cobrava muito sua estreia, e o técnico no momento, Milton Mendes, chegou a dizer que você ainda não se sentia seguro.

Não adiantava queimar etapas e não render o que eu esperava. A preparação faz parte, todos os jogadores fazem pré-temporada, mas o calendário no Catar é totalmente diferente. Eu estava inativo, sem jogar uma partida oficial desde maio.

Havia a necessidade de me preparar, ninguém consegue nada sem estar bem fisicamente. Todos entenderam. Agora estou terminando os jogos bem, sem dificuldade e incômodos. Foi proveitoso. Não adiantava eu acelerar e depois ficar parado um, dois meses.

Como foi a vida no Catar? Sentiu falta de algo em relação ao Brasil?

Lá não tinha uma rotina de jogos toda semana, a competição para sempre. Não são muitos clubes. Aqui temos jogos domingo e quarta, a não ser nas datas Fifa. O que eu mais sentia falta era dessa dinâmica de jogos, e da torcida também. Lá não tem essa cultura de ir ao estádio, salvo em jogos mais importantes. Mas consegui me adaptar, vida no futebol é isso. Importante é fazer o trabalho.

Teve dificuldades com a cultura local?

No início o mais difícil era o idioma, eu não sabia nada. Acaba tendo um choque no começo. Mas saí de casa cedo e sempre consegui me adaptar em todas as situações. Não foi nada que me deixou preocupado. O Catar te dá segurança para sua família. Encontrei muitos brasileiros, e isso facilitou. Fui muito feliz lá, não é normal um jogador ficar seis anos lá. Só tenho a agradecer por momentos tão bons.

Numa época, surgiu a possibilidade de você se naturalizar catari e tentar disputar uma Copa pela seleção local. Como isso se desenrolou?

Muito se falava nessa possibilidade, mas o fato de eu ter retornado em 2014 acho que criou uma quebra nas regras de naturalização. Infelizmente não aconteceu. Não teve convite oficial para seleção, foi mais uma iniciativa do clube, e os jornais locais falavam também sobre isso. E não descartava, mas também não era uma coisa que eu dizia que queria. Dependia de muitos fatores.

Ainda dá para pensar em seleção brasileira e Copa?

Penso. Todo jogador pensa. A Copa está aí em cima, e para ter uma oportunidade precisa estar bem no seu clube. A equipe já está praticamente toda definida. Creio que se tivesse chegado em um momento anterior talvez pudesse ter uma oportunidade dependendo do meu momento. Mas nada é impossível. Estou novo, acho que ainda posso contribuir muito.

Nestes seis anos fora como ficou sua relação com o Vasco e com a torcida? Conseguiu acompanhar o dia-a-dia do clube?

Eu sempre acompanhei o Vasco. Você joga em outro lugar, mas sempre acompanha. É o clube que eu sempre gostei, não escondo isso de ninguém. Sempre torci para o melhor do clube, assistia aos jogos.

Como se desenrolou todo o processo até a confirmação do seu retorno?

Eles tiveram que fundir dois times lá no Catar, aí teria um excesso de jogadores estrangeiros. Foi quando surgiu o desejo do Vasco, a possibilidade do retorno. Graças a Deus as coisas aconteceram bem e eu consegui retornar. A torcida sempre me apoiou, pediu meu retorno. Isso que também moveu minha vinda.

Você chegou a acionar a Fifa para tentar a rescisão. Como foi isso?

As coisas ainda não estavam muito definidas. Uma hora falam que teria a fusão, e depois que continuaria da mesma forma. Aí houve algumas pendências contratuais. Uma das possibilidades era a ação na Fifa, mas eu não queira que acontecesse por causa da relação que criamos nestes anos. Quando fui ao Catar resolver, conseguimos chegar a um acordo e finalizamos a negociação.

Em sua primeira passagem, a dupla com o Dedé fez muito sucesso. De lá para cá ele passou por diversos problemas físicos, e agora fará uma nova cirurgia no joelho. Vocês mantiveram contato, se falam com regularidade?

Naquele grupo (de 2011) construímos uma amizade muito boa, uma família. Até hoje nos falamos, torcemos um para outro. Acompanhei o que aconteceu com o Dedé nos últimos anos, infelizmente foram sofridos. Nos falamos sempre, desejo que consiga voltar o quanto antes para mostrar o trabalho dele, que é de qualidade. Fico triste por ele passar por esse momento. Estou na torcida por dias melhores para ele.

Ele foi seu melhor parceiro na carreira?

Por toda a conquista que tivemos no Vasco, foi um grande parceiro. Mas envolveu todo o clube, o ambiente criado no elenco. A amizade não é só com o Dedé. É com Felipe, Felipe Bastos, o Eder (Luis), que está aqui, o Romulo, Allan... sempre temos contato, criamos uma amizade para o resto da vida.

Qual a principal recordação que tem daquela época?

Nós gostávamos de estar juntos jogando. Era um grupo que se cobrava bastante e tinha uma mescla bacana de experientes e jovens. O Ricardo Gomes era um grande treinador, junto com o Cristóvão na época. Eles conseguiram criar um ambiente legal, um grupo forte. Isso que eu tenho de maior lembrança. Os resultados foram consequência do que fazíamos.

O que você tem de lembrança do Ricardo Gomes e do AVC que ele teve?

Foi na semana que eu tive minha saída anunciada. Inclusive eu estava assistindo ao jogo (contra o Fla, no Engenhão), e aquele foi um dos momentos mais tristes para mim. Vendo de longe... foi complicado. Mas depois acompanhei a recuperação. Quando fui para o Catar, ele já estava melhor, e isso me deu uma tranquilizada. Na época pensei em nem viajar. Visitei no hospital e depois em casa, nas minhas férias, e ele já estava bem melhor.

Ele (Ricardo Gomes) foi um pai para mim. O PC Gusmão, que foi quem pediu minha contratação, também. Esses dois técnicos têm uma parcela grande pela minha passagem pelo Vasco.

Estamos na reta final do Brasileiro. O que dá para projetar para este torneio? E o que pensa para você em 2018?

Campeonato é muito difícil este ano, as equipes estão muito próximas. Até a última rodada vamos ter que trabalhar duro. Expectativa é colocar o Vasco na melhor condição possível. Sabemos que não vai ser fácil. Teremos grandes confrontos com equipes na mesma condição que a gente. Pensamento é dar nosso melhor, como estamos fazendo.

Em relação ao próximo ano, expectativa é deixar o Vasco numa condição melhor, para ter uma temporada boa, que dê condições de o Vasco disputar os campeonatos. Estou feliz pelo retorno, pela adaptação, que está sendo proveitosa.

Como é sua parceira com o Breno? Vocês são dois zagueiros técnicos, com características parecidas.

Fizemos cinco ou seis jogos. Graças a Deus estamos conseguindo se adaptar bem à função. O mais importante é a conversa, independente de quem jogue. O Zé Ricardo passa as informações, a gente tenta o mais rápido possível absorvê-las e colocar em prática dentro de campo. Esperamos que, faltando esses últimos jogos, consigamos evoluir em todos os sentidos.

O trabalho está começando agora, mas temos visto evolução. É pensar grande, positivo, que no final do ano a gente deixe o Vasco na condição que ele melhore.

Fonte: Globoesporte.com
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