Publicada em 13/09/2017, às 13:50

Líder no Grêmio, Edílson esquece demissão do Bota: "Ressentimento algum"

Em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com, lateral revela indignação com pênalti perdido na semifinal da Copa do Brasil, mas tira lições para quartas da Libertadores

Edílson (C) "puxa fila" no vestiário do Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Experiente, líder de vestiário e campeão brasileiro, Edílson não suporta as derrotas. Por isso, sofreu por dois dias sem dormir após a eliminação do Grêmio na semifinal da Copa do Brasil para o Cruzeiro, com o "plus" da cobrança perdida na decisão por pênaltis. Perdeu também em 2014, quando foi demitido do Botafogo pelo então presidente Maurício Assumpção, a quem chama de "covarde", mas reitera o respeito pelo clube que volta a enfrentar na noite desta quarta-feira, no primeiro jogo das quartas de final da Libertadores, no Nilton Santos.

Depois de ser mandado embora do Rio de Janeiro, há três anos, por um suposto mau comportamento junto aos "cascudos" Bolívar, Emerson Sheik e Julio Cesar, deu a volta por cima no Corinthians campeão brasileiro de 2015. Retornou ao Grêmio para a terceira passagem na metade de 2016, incendiou o vestiário e levou o Tricolor ao título da Copa do Brasil.

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Hoje, apesar da série recente de quatro derrotas seguidas fora de casa, o lateral-direito de 31 anos reforça que a bronca de Renato e a conversa entre os próprios jogadores depois do revés para o Vasco, no Brasileirão, apagaram os últimos insucessos do Tricolor. Um dos três títulos possíveis no segundo semestre já foi perdido, a pressão se volta para a busca do tri da América e a perseguição ao Corinthians no campeonato nacional.

Edílson aceita o desafio. Em entrevista por telefone na segunda-feira ao GloboEsporte.com, ele celebrou os 100 jogos com a camisa do clube, mostra-se "em casa" em Porto Alegre, ainda mais com o nascimento do primeiro filho, Joaquim, e não se abala frente à queda na Copa do Brasil. Segundo ele, a concentração para o jogo das 21h45 é "alta" e confia em um resultado positivo para levar a decisão da vaga na semifinal da Libertadores para a Arena, no dia 20.

Confira trechos da entrevista:

Você foi pai recentemente e completou 100 jogos pelo Grêmio com golaço e assistência contra o Sport. Sente-se em casa?
Feliz demais. Coisa mais importante que me aconteceu, o filho Joaquim. Tem um mês e meio. A parada (das Eliminatórias) deu para aproveitar e curtir um pouquinho a família também. É um clube que eu já tinha jogado antes, conheço cada funcionário, a torcida. Já conhecia alguns companheiros. Estou em casa, sim.

As lesões te atrapalharam neste ano?
No começo do ano, sim. Tinha prazo de recuperação e, quando estava voltando, tive um problema na panturrilha que atrapalhou um pouco. Mas agora as lesões foram embora. É dar continuidade ao que estamos fazendo, buscar nossos objetivos. Difícil conquistar mais de um título. Vamos tentar o máximo. Temos dois campeonatos e não podemos deixar passar.

Foi tema de casa assistir à vitória do Botafogo sobre o Flamengo no domingo?
Além de assistir ao jogo, a gente recebe vídeos, já jogamos contra eles esse ano. Sabemos da qualidade. Todos os jogadores se doam muito para o time. Mas nossa equipe está muito preparada.

No jogo contra o Vasco, vocês estavam com a cabeça no Botafogo?
Foi uma má atuação. A gente estava concentrado para diminuir os pontos de diferença para o Corinthians. Houve falta de concentração no momento que ficou sem torcedores no estádio. É horrível. Mas claro que tem que se apegar a alguma coisa. Fizemos um primeiro tempo horroroso.

O Grêmio está desanimando no Brasileirão?
De jeito nenhum. Temos muitos jogos pela frente, muitos pontos para disputar. São apenas sete pontos do Corinthians, a diferença é mínima. Estamos vivíssimos. Acredito que nas próximas três rodadas a gente já possa buscá-lo.

Você disse que sentiu bastante a eliminação na Copa do Brasil, ainda mais por ter perdido mais um pênalti importante. Como foi a cobrança?
Foi difícil, porque até então acho que tinha perdido um pênalti na minha carreira. Nos dois primeiros dias, quase não consegui dormir. Sou muito competitivo. Não gosto de perder nem par ou ímpar. Apesar da minha experiência, a dor é a mesma de um menino que está começando. Mas passou. A gente sempre tenta tirar algo positivo do que nos deixa triste. Nos fortalece. E agora a gente sabe que não pode vacilar.

Até pouco tempo atrás, o Grêmio vinha como favorito nas três competições. Caiu na Copa do Brasil e patina para buscar o Corinthians no Brasileirão. Como fazer isto não afetar na Libertadores?
Não vai afetar pela experiência dos jogadores do Grêmio. A maioria já decidiu títulos. Infelizmente, não podemos ganhar todos campeonatos. Se tivesse só vitórias, não seria tão saboroso o gosto de um título. A nossa concentração está extremamente alta. Respeitamos o Botafogo, mas temos totais condições de fazer uma ótima partida e levar a decisão para casa, que é onde somos muito fortes.

Você chegou no ano passado e injetou um pouco de indignação que faltava ao grupo, e o Grêmio foi campeão da Copa do Brasil. Como você tem visto o momento atual? Mudou alguma coisa?
Esse jeito de indignação é natural meu de não aceitar a derrota e defender o meu time, também os meus companheiros. Falo que dou a vida pelos amigo dentro de campo. Acho que eles veem isso e contagia a galera para um se doar pelo outro. Quando há euforia, a gente tropeça. Mas temos um grupo no qual não há vaidade.

O Grêmio está muito visado pelas outras equipes?
Acredito que sim. Temos um futebol bonito, que todo mundo já falou como melhor do país. Mas quando a gente chega num nível desses, as equipes começam a nos estudar ainda mais, dificultar. E temos que procurar soluções para furar os bloqueios.

Você reencontra o Botafogo em um mata-mata após a saída tumultuada em 2014, em que reclamava de atraso de salários e pagamento de medicação do próprio bolso. Ficou algum ressentimento?
Não tenho ressentimento algum. Tenho respeito pela torcida e funcionários daquele tempo. Só não gosto do Maurício Assumpção, que foi um covarde. Quanto à instituição, foi um clube que abriu as portas para mim em 2013, quando saí do Grêmio. Me recebeu muito bem e depois pude ir bem também no Corinthians.

Você e o Bruno Cortez, os dois laterais titulares, já atuaram pelo Botafogo. Chegaram a conversar algo sobre isso?
Não. Já faz muito tempo. Somos gratos pela instituição Botafogo, por tudo que nos proporcionou, mas agora defendemos as cores do Grêmio. Quando entramos no campo, esquecemos de tudo isso, temos que jogar para nossos torcedores, nossas famílias.

Fonte: Globoesporte.com
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