Publicada em 17/06/2017, às 10:53

A primeira do São Paulo: saiba 25 curiosidades da Libertadores de 1992

Há exatos 25 anos, em Morumbi lotado, o São Paulo vencia o argentino Newell's Old Boys por 1 a 0 no tempo normal, por 3 a 2 nos pênaltis e pegava gosto pela taça sul-americana

(Foto: arquivo)

O título que mudou o valor da Libertadores

Há exatos 25 anos, em 17 de junho de 1992, o São Paulo vencia o argentino Newell's Old Boys por 1 a 0 no tempo normal, por 3 a 2 nos pênaltis e, no Morumbi, ganhava a primeira de suas três Libertadores. Aquela conquista fez com que os clubes brasileiros valorizarem mais a competição. E não faltaram fatos curiosos no histórico título do time que seria bicampeão mundial nos anos seguintes.

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Telê não dava importância



O técnico Telê Santana priorizava o Brasileiro e não mostrava nenhuma empolgação com a Libertadores, tanto que escalou um time cheio de reservas para a estreia do São Paulo, que terminou derrotado por 3 a 0 pelo Criciúma. "Gosto de vencer jogando bola. Por isso, não me animo com essa competição", dizia o treinador, que se queixou tanto de que se ganhava o torneio nos bastidores que o então presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, cogitou puni-lo. Para alegria do Tricolor, a diretoria do clube conseguiu convencer Telê da importância da Libertadores.





Não faltou dinheiro

Acervo pessoal



A diretoria não poupou gastos no que chamava de 'Projeto Tóquio'. Gastou Cr$ 40 milhões em viagem para dois jogos na Bolívia e, fora os bichos que aumentavam gradativamente, premiou cada atleta com Cr$ 6 milhões pela vaga na final e Cr$ 15 milhões pelo título. "Já ganhamos muitos títulos no Brasil e, agora, podemos entrar na história com uma Libertadores. Não há dinheiro que pague isso", dizia, na época, Raí, porta-voz do elenco nas negociações. Apesar de tantos investimentos, os dirigentes garantiram que o São Paulo terminou 1992 com 51% de superávit.

Todo cuidado é pouco



A desconfiança na Libertadores não era só de Telê. O São Paulo se encarregava de pagar os exames antidoping quando a Conmebol não o fazia. A preocupação com sabotagem ficou clara na viagem para enfrentar o Barcelona de Guaiaquil, no Equador: o médico Héldio Gaspar cismou com um açúcar escuro no hotel da delegação e pediu aos jogadores que só bebessem água de garrafas abertas na frente deles.

Refúgio na Bolívia

Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube



Na primeira fase da Libertadores, o São Paulo foi à Bolívia para enfrentar o San Jose de Oruro e o Bolívar e tratou a viagem como um refúgio. Antes de embarcar, o time estava pressionado porque vinha de cinco derrotas consecutivas, incluindo uma goleada por 4 a 0 para o Palmeiras. "Sair do Brasil por alguns dias será providencial", comentou Zetti ao jornal Gazeta Esportiva na época. E deu certo: o time venceu o San Jose por 3 a 0, com três gols de Palhinha, e empatou por 1 a 1 com o Bolívar. "Vir para a Bolívia fez bem ao São Paulo", comemorou Raí, autor do gol da igualdade.

Medo em Oruro



O embarque de La Paz para Oruro deixou traumas na delegação são-paulina. Não só pelos ‎3.706m de altitude, que fazem o então preparador de goleiros Valdir de Moraes lembrar da viagem dizendo "Lá é tão alto que o avião desce, não sobe". A aeronave que transportou a delegação era do Exército boliviano, com cadeiras de madeira, apenas dois motores e as rodas à vista e bem próximas dos passageiros. Para piorar, o fim da viagem de 40 minutos foi em uma pista de terra. Apesar de tudo isso, e dos problemas com falta de ar durante o jogo, o São Paulo venceu o San Jose por 3 a 0.

Ônibus virou vestiário em La Paz



Para quem enfrentou os 3.706m de altitude de Oruro, os 3.640m que separam La Paz do mar não eram um problema tão grande. A dificuldade foi o trânsito para chegar ao estádio Hernando Siles: o ônibus da delegação virou vestiário. Os jogadores se trocaram lá mesmo e desceram do veículo direto para o campo. O São Paulo chegou com 15 minutos de atraso, dentro da tolerância permitida para não perder de W. O. Levou um gol cedo do Bolívar, mas Raí empatou nos minutos finais.

O polêmico afastamento

Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube



No fim de abril, às vésperas das quartas de final da Libertadores, a diretoria afastou o lateral esquerdo Nelsinho, à revelia de Telê Santana. Ele saiu da base do São Paulo, estava entre os profissionais há 13 anos e acumulou títulos (além do Brasileiro de 1986, foram seis Paulistas, colocando-o como jogador com mais Estaduais da história do clube). O elenco ficou inconformado, tanto que o gol de Elivélton na vitória por 1 a 0 sobre o Nacional, no Uruguai, no jogo seguinte, nem foi comemorado. Raí chegou a prometer que ganharia o título por Nelsinho, mas, como ele acertou com o Corinthians logo depois, seu nome quase não foi lembrado nas comemorações.

Roberto Carlos quase jogou naquele time

Reprodução



Para o lugar do afastado Nelsinho, a diretoria chegou a anunciar a contratação por empréstimo de Roberto Carlos, que estava no União São João de Araras. O São Paulo pagaria US$ 250 mil e repassaria Baiano, Ivan, Vitor, Cláudio e Gilmar Oliveira. Mas o clube do interior não queria cedê-lo de imediato, e o Tricolor preferiu apostar em Marcos Adriano, do Operário-MS. Roberto Carlos acabou no Palmeiras, onde iniciou carreira que culminou com passagens históricas por Real Madrid e Seleção Brasileira.

Criciúma, o grande rival



Campeão da Copa do Brasil de 1991, o Criciúma era o outro representante brasileiro na Libertadores de 1992 e foi o grande rival do São Paulo. Foram quatro encontros no torneio. Na primeira fase, os catarinenses venceram por 3 a 0 em casa e levaram 4 a 0 no Morumbi. Nas quartas de final, o Tricolor ganhou de 1 a 0 em seu estádio e se classificou com 1 a 1 fora. Mas tantos duelos deixaram os ânimos acirrados. Levir Culpi, técnico do Criciúma, começou a competição enaltecendo Telê e terminou o ironizando, já que o treinador são-paulino reclamava do estilo marcador da equipe catarinense. "Quem sabe consigo ganhar do Telê novamente por 4 a 1?", chegou a dizer, lembrando que, pela Inter de Limeira, goleou o Tricolor de Telê no Paulista de 1991. Em campo, a rivalidade ficou clara no jogo decisivo das quarto de final, quando Raí e Jairo Lenzi brigaram e foram expulsos pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas. E a torcida catarinense não cansou de vaiar Telê, mesmo depois da confirmação da eliminação do Criciúma.

Zetti virou ídolo



Zetti foi revelado pelo Palmeiras nos anos 1980, em meio ao jejum de títulos do rival. Chegou ao São Paulo em 1990 e logo foi chamado de pé-frio por ter perdido o título brasileiro daquele ano para o Corinthians. Mas iniciou sua escalada à idolatria conquistando o Paulista e o Brasileiro de 1991, consagrando-se na Libertadores de 1992. Enfim, seus reflexos em campo eram coroados com a camisa tricolor - veja no vídeo as suas principais defesas pelo clube.

O herói que se foi

Acervo Pessoal



Alexandre era o reserva de Zetti e quase virou titular na reta final da Libertadores. Zetti foi expulso na ida das oitavas de final, contra o Nacional, no Uruguai, e seu suplente logo entrou em campo para ser decisivo na vitória por 1 a 0 naquele jogo. Repetiu a boa atuação no jogo seguinte, o triunfo por 2 a 0 sobre os uruguaios, no Morumbi. Telê decidiu manter Zetti e, mesmo do banco, Alexandre ajudou na final: fazia mímica na lateral para indicar ao colega onde cada um dos argentinos do Newell's Olds Boys costumava bater os pênaltis. Mas, um mês depois da conquista, Alexandre morreu, aos 20 anos, em acidente de carro. Rogério Ceni já disse que dificilmente teria o mesmo espaço no clube para jogar porque considerava Alexandre melhor goleiro do que ele.

De veado a Pelé



Na primeira fase, Macedo foi titular no lugar de Muller, machucado, e sentiu-se como a maior vítima do empate por 1 a 1 com o San Jose de Oruro, no Morumbi. "Ouvi o Morumbi inteiro me vaiar e até fazer um coro para dizer que eu era veado. Tudo isso me chocou muito", disse o atacante ao jornal Gazeta Esportiva na época. Um mês depois, ele fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Criciúma, na ida das quartas de final, e sentiu-se craque. "Marquei um gol de Pelé. Fiz tudo muito rápido. Dominei a bola, girei o corpo e concluí. O goleiro ainda tentou, mas nem o Taffarel pegaria. Fiquei arrepiado quando a massa gritou o meu nome. Dei mais de mil autógrafos depois. Sempre entendi a torcida, ela que não me entendeu em alguns momentos", disse depois do jogo.

O artilheiro

Arquivo Histórico do São Paulo FC



Em 1992, o artilheiro da Libertadores tem números que comprovam sua importância. Palhinha marcou sete dos 20 gols do São Paulo na campanha do título, o que corresponde a mais de um terço das vezes em que o time balançou as redes. Estava tão bem que, durante o torneio, resolveu inovar e comemorar gols fazendo gestos de manivela, dizendo que imitava o seu filho, André, então com 3 anos de idade.

Time chegou à final em baixa



O São Paulo não chegou à final em alta. Nas semifinais, apesar de ter feito 3 a 0 sobre o Barcelona de Guaiaquil na ida, no Morumbi, levou 2 a 0 na volta, no Equador, em jogo que os campeões definiram como o mais difícil da campanha. O sufoco fez com que Telê apontasse queda de rendimento em seus jogadores, Raí admitiu que estava deixando a desejar e o artilheiro Palhinha precisou explicar que não era pipoqueiro. As cobranças naquele momento eram tão grandes que, no time hoje tão lembrado pela qualidade técnica, Cafu chegou a dizer que a força da equipe era a garra.

Poy vibrou duplamente

Arquivo Histórico



Ídolo do São Paulo como goleiro, entre 1948 e 1962, e em quatro passagens como técnico entre os anos 1960 e 1980, o argentino José Poy vibrou duplamente na final da Libertadores de 1992. Ele torcia pelo Rosario Central, rival do Newell's Old Boys, e fez questão de acompanhar o Tricolor para o primeiro jogo da final, evitando qualquer surpresa que pudesse atrapalhar Telê Santana.

Maior público pagante da história fez Galvão chorar



A decisão contra o Newell's Old Boys fez com que 105.185 pessoas comprassem ingresso para entrar no Morumbi, formando o maior público pagante da história da Libertadores. O ambiente e a festa, com ampla invasão de campo, emocionaram Galvão Bueno. "Jamais vi isso no Morumbi! Com tantos anos de estrada, as lágrimas me vêm aos olhos!", disse o narrador, que transmitia o jogo pela rede OM, retransmitida em São Paulo pela TV Gazeta.

Ônibus de graça na decisão

Conmebol



Aquela decisão de 1992 movimentou tanto a cidade que, a pedido da diretoria do São Paulo, houve um acordo com a prefeitura para que o transporte público para o Morumbi fosse gratuito naquele dia.

O vinho que Bielsa recusou

Getty Images



Marcelo Bielsa era o técnico do Newell's Old Boys e, no dia da final, sentiu a provocação. O repórter Alexandre Silvestre, da TV Gazeta, foi almoçar no hotel Hilton que abrigou os argentinos e, ao recusar o treinador, tratou de enviar-lhe uma garrafa de vinho com um bilhete que dizia, em castelhano: "Bem-vindo ao Brasil! Que esse vinho sirva para o senhor afogar suas mágoas com a derrota desta noite". "Ele leu o recado, balançou a cabeça negativamente e, de cara fechada, devolveu a garrafa ao garçom", conta o jornalista.

Os técnicos do Newell's Old Boys

Getty Images



O Newell's Old Boys de 1992 é considerado o maior da história do clube, e, daquele time que eram comandado por Marcelo Bielsa, saíram treinadores que fizeram sucesso nos anos seguintes. Quem atingiu maior sucesso foi o ex-meia Tata Martino, com passagens pelo próprio clube argentino, por seleções de Paraguai e Argentina e até pelo Barcelona. O então zagueiro Mauricio Pochettino é, hoje, um dos técnicos do momento por ter levado o Tottenham ao vice-campeonato inglês. O também defensor Eduardo Berizzo acaba de ser escolhido para substituir Jorge Sampaoli no Sevilla.

E aí, falastrão?

Conmebol



O zagueiro Fernando Gamboa era o grande astro daquele Newell's Old Boys. Além de ser considerado o craque do time, era tratado como sex symbol na Argentina. E o cabeludo, logo após, passar pelo América de Cali nos pênaltis na semifinal, esnobou o rival da final. "O São Paulo é mais fraco do que o América. Não creio que haverá dificuldade", disse ele, que acabou sendo o responsável pela cobrança que Zetti defendeu para garantir o título do Tricolor.

US$ 100 pela maior defesa da história

Paulo Pinto/saopaulofc.net



Zetti chama o pênalti que pegou de Gamboa, na final da Libertadores de 1992, de maior defesa da história do São Paulo por ter aberto ao clube a história de importantes conquistas internacionais. Mas ela passou a ser definida em 3 de junho, quando o preparador de goleiros Valdir Joaquim de Moraes foi a Cáli, na Colômbia, para ver o segundo jogo da semifinal entre América e Newell's Old Boys. Ele chegou quase no início do jogo, pagou US$ 100 a um cambista para entrar no estádio e aproveitou-se do fato de a decisão nos pênaltis ter terminado 11 a 10 para os argentinos: anotou onde cada um dos cobradores batiam. Na decisão de 25 anos atrás, graças às mímicas do goleiro reserva Alexandre, conseguiu lembrar Zetti de que Gamboa batia no canto esquerdo.

Pé-frio?!

Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube



Após perder as Copas do Mundo de 1982 e 1986, Telê Santana passou a ser chamado de pé-frio e chegou a enfrentar a ira da torcida são-paulina após perder a final do Brasileiro de 1990 para o Corinthians. Mas sentiu toda a pecha de perdedor ir embora na conquista da Libertadores de 1992. Ele acompanhou a decisão dos pênaltis sem se mexer e, assim que confirmou-se a vitória, foi logo abraçado por Raí antes de a multidão invadir o gramado. Mudava sua história para sempre, como comprovou ao ganhar mais uma Libertadores e dois Mundiais na sequência.

O Terror do Morumbi

Conmebol



Se ainda há muitos são-paulinos que consideram Raí o maior jogador da história do clube, a Libertadores de 1992 tem muita culpa nisso. O camisa 10 era o autêntico líder daquele time, indo além de ser porta-voz nos acertos com a diretoria. Mesmo quando cometeu um deslize e foi expulso na voltas das quartas de final por brigar com Jairo Lenzi, do Criciúma, fez questão de se concentrar com o elenco para a ida da semifinal, mesmo suspenso. Teve até humildade para, antes da final, admitir que estava mal por sentir cansaço, já que acumulava jogos pelo clube e pela Seleção. Mesmo assim, fez o seu terceiro gol naquela Libertadores ao cobrar pênalti para garantir a vitória por 1 a 0 na final, no Morumbi, e ainda converteu sua batida na decisão, na sequência.

Cafu não se deslumbra

Getty Images



Cafu tinha acabado de completar 22 anos de idade quando conquistou aquela Libertadores e já era jogador da Seleção Brasileira. Mas, há 25 anos, já tratou de avisar que não gastaria o dinheiro que ganhou com o título sul-americano. "Aplico o meu dinheiro, pois sei que vem fácil e vai fácil", disse o lateral direito ao jornal Gazeta Esportiva, em meio à festa.

O jogo!



Nada dá mais alegria ao torcedor são-paulino do que rever os melhores momentos daquela partida, com o time devolvendo a derrota que teve na ida, por 1 a 0, na Argentina, e vencendo por 3 a 2 nos pênaltis. Lembre a ficha técnica da decisão: FICHA TÉCNICA SÃO PAULO 1 (3) x (2) 0 NEWELL'S OLD BOYS Local: Morumbi, em São Paulo (SP) Data-Hora: 17/6/1992 Árbitro:José Joaquín Torres Cadenas (Colômbia) Assistentes: Jorge Zuluaga e John Redón (ambos da Colômbia) Público/renda: 105.185 pagantes; Renda: Cr$ 1.072.490.000,00 Gol: Raí (pênalti), 22'/2 SÃO PAULO: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí; Muller (Macedo), Palhinha e Elivélton. Técnico: Telê Santana. NEWELL'S OLD BOYS: Scoponi, Saldaña, Gamboa (capitão), Pocchettino e Berizzo; Llop, Berti e Martino (Domizzi); Zamora, Lunari e Mendoza. Técnico: Marcelo Bielsa.

Fonte: Lance!
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