Publicada em 30/03/2017, às 10:04

Defesa frágil, irregularidade e falta de padrão: as razões do 7º lugar do Inter

Time acabou a primeira fase do Gauchão com 13 gols marcados e outros 13 sofridos. Aproveitamento de 42% evidencia problemas a ser corrigidos para o mata-mata

Cuesta foi o último a entrar na zaga do Inter, mas pouco mudou (Foto: Ricardo Duarte/Divulgação Inter)

Três vitórias, cinco empates, três derrotas, 13 gols marcados, outros 13 sofridos e 42% de aproveitamento. O Inter deixou a desejar na primeira fase do Gauchão de 2017. Na busca do heptacampeonato estadual, o Colorado só não pecou em tudo durante as 11 rodadas porque conseguiu a classificação às quartas de final. Em sétimo. Atrás de clubes que sequer participam de alguma divisão do futebol brasileiro. Defesa inconstante, falta de padrão de jogo e mudanças recorrentes no time ajudam a explicar a decepção na primeira metade da competição.

A análise para a oscilação tem início na largada do Gauchão. Foram precisos cinco jogos para que a equipe de Antônio Carlos Zago obtivesse a primeira vitória – 1 a 0 sobre o Brasil de Pelotas. Antes disso, havia empatado com Veranópolis, Caxias e o rebaixado Passo Fundo e perdido em casa para o Novo Hamburgo. Nunca conseguiu dois triunfos consecutivos.

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DEFESA IRREGULAR



Se na campanha da queda para a Série B do Brasileirão o Inter terminou o ano com uma média de 1,07 gols sofridos por partida, em 11 rodadas do Campeonato Gaúcho viu este número subir para 1,18, a quinta pior defesa até o momento. Em apenas duas ocasiões – vitórias por 1 a 0 sobre Brasil de Pelotas e São Paulo-RS – deixou o gramado sem ser vazado.

Ainda que o goleiro Danilo Fernandes tenha novamente se mostrado uma das principais figuras do time, com defesas importantes, Antônio Carlos Zago promoveu nove duplas de zaga diferentes neste período. Eduardo e Ernando fizeram a estreia em Veranópolis, Klaus ganhou sequência com boas atuações, mas perdeu a vaga para Léo Ortiz. Paulão, um dos mais criticados pelo rebaixamento em 2016, virou solução. E o parceiro da vez é Victor Cuesta.

SEM TIME DEFINIDO

A dificuldade em encontrar uma equipe também teve influência na campanha. O Inter jamais repetiu a formação em duas partidas seguidas do Gauchão. Jogadores que figuraram entre os reservas em algumas partidas apareceram no time titular de duelos seguintes. Vide Nico López, que acompanhou do banco a vitória por 2 a 1 sobre o São José-RS e esteve em campo durante todo o tempo no revés pelo mesmo placar para o Cruzeiro-RS, na noite de quarta-feira.

– Do jogo passado para este, só houve uma mudança. Estou fazendo de tudo para recuperar alguns jogadores, como o Valdívia, que teve lesão e não conseguiu sequência. Olho com muito carinho. Se empenha muito nos treinos. Nem sempre dá para utilizar todos. Temos uma base. Fizemos algumas trocas. Conseguimos a classificação. Agora precisamos ter calma e analisar o que ocorreu. Vamos em busca de uma formação ideal – comentou Zago após a derrota na Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves.

OSCILAÇÃO

Além do time mudar constantemente, a formação tática seguiu o mesmo padrão, e o Inter ainda não conseguiu encontrar seu padrão de jogo após quase quatro meses. Durante as 11 rodadas do Gauchão, Zago alternou entre os esquemas 4-4-2, 4-3-2-1 e 4-2-3-1. Todos eles apresentaram defeitos, principalmente na criação de jogadas, o que sobrecarregou D'Alessandro.

Para completar, os rendimentos entre as partidas nunca foram uniformes. Prova disso é que 10 dos 13 gols sofridos ocorreram na segundo tempo, ou 77% do total. Diante do Cruzeiro-RS, a situação justamente se inverteu. Depois de um fraco primeiro tempo e ir para o intervalo com 2 a 0 contra, o Colorado melhorou no segundo. Mas conseguiu marcar somente uma vez.

- Oscilamos bastante. Algumas partidas jogamos o primeiro tempo bem. Hoje (quarta-feira) fizemos um primeiro tempo bem abaixo. Conseguimos a classificação, mas esperávamos um posicionamento melhor. A equipe tem o que melhorar, estamos trabalhando muito. Nem sempre temos muito tempo, mas são as dificuldades que encontrarmos e precisamos superar. Espero que (o time) cresça – disse Zago.

D'ALEDEPENDÊNCIA?

Depois de passar um ano emprestado ao River Plate e acompanhar o rebaixamento de longe, D'Alessandro retornou ao Beira-Rio para ser o fio condutor no reerguimento da equipe. Aos 35 anos, admite que não tem mais o mesmo fôlego de outrora, mas já começa a mostrar que não perdeu o perfil decisivo. Combate e entrega em campo seguem os mesmos, ao passo que apresenta outras nuances.

Com Antônio Carlos, passou a ser usado mais recuado, como um terceiro volante, para suprir a carência na construção dos lances de ataque. Tem dado certo. No Gre-Nal da Arena, foi um dos melhores em campo. Já marcou um golaço (contra o Caxias) e foi o responsável pelas duas assistências na vitória sobre o São José, em cruzamentos milimétricos para Brenner e Roberson. Quando não está em campo, porém, o time sente sua falta.

OS GOLS DE BRENNER

Se há um jogador que tem muito a comemorar no Gauchão, é Brenner. O centroavante deixou o ostracismo do segundo semestre de 2016 para se tornar o artilheiro colorado na temporada. No estadual, já marcou cinco gols e divide a liderança com outros quatro atletas. Fez mais cinco na Copa do Brasil, competição na qual também é o goleador. Contabiliza mais um pela Primeira Liga. No total, são 11 gols em 10 partidas, uma média de 1,1 por jogo.

Assim, o Inter terminou a primeira fase do Gauchão em sétimo lugar, com 14 pontos, o penúltimo entre os classificados. Nas quartas de final, reencontrará o Cruzeiro-RS. O jogo de ida ocorrerá às 16h, no Beira-Rio, neste sábado. No dia 9 de abril, os times decidem a vaga às semifinais no mesmo horário, mas no Vieirão, em Gravataí.

Fonte: GloboEsporte
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