Publicada em 30/03/2017, às 10:50

Balanço 2016: patrocínio fixo, pontual... Quanto o Bota lucrou com marketing?

Em meio ao ainda enorme buraco financeiro, Alvinegro alivia os cofres com ações e publicidade que geraram ao clube receita de R$ 14,5 milhões ao longo do último ano

Como atrair investidores? A árdua tarefa de buscar patrocinadores no mercado (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

O Botafogo vota na noite desta quinta-feira, em reunião do Conselho Deliberativo, a aprovação de seu balanço do exercício de 2016. Cada área do clube fechou os seus respectivos relatórios, que foram enviados a todos os conselheiros na semana passada. O GloboEsporte.com teve acesso aos documentos e, depois de apresentar aos torcedores os números do passivo que serão apreciados em General Severiano e o outro lado da dívida alvinegra através de questões judiciais, agora é a vez de falar de lucro via departamento de marketing/comercial.

Não é segredo parar ninguém que o maior aporte financeiro de um clube vem dos direitos de transmissão de televisão. E que as vendas dos direitos econômicos de jogadores corresponde a outra grande fatia do bolo. Mas ainda é possível lucrar altas cifras com marketing. Segundo o relatório, o Botafogo arrecadou R$ 14.515.000,00 com publicidade, patrocínio, locação e participação – valor que cobre os gastos com a Arena Botafogo, no Estádio Luso-Brasileiro, que representaram as maiores despesas do ano e impediram o caixa de fechar no azul.

Confira os resultados por áreas:

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PATROCÍNIOS

O balanço aponta para um total de R$ 9.421.000,00 levantados pelo somatório de patrocínio e publicidade. Deste montante, um terço (R$ 3.040.000,00) é do uniforme, sejam acordos fixos ou pontuais, que o clube passou a adotar com frequência desde 2015. Isso sem considerar acertos em permutas que não entraram na conta. Veja abaixo a relação na ordem dos maiores valores:

Caixa Econômica Federal
Valor: R$ 1.400.000,00
Propriedade: peito + costas + calção frontal
Período: 2 meses

Cercred
Valor: R$ 500.000,00 + serviço de call center
Propriedade: barra frontal + calção traseiro
Período: 6 meses

Omni
Valor: R$ 400.000,00
Propriedade: barra traseira
Período: 5 meses

Cercred
Valor: R$ 150.000,00
Propriedade: peito
Período: 2 jogos (Brasileiro)

Clima Rio
Valor: R$ 150.000,00 (em permuta)
Propriedade: mangas
Período: 2 jogos (Carioca)

Papelex
Valor: R$ 120.000,00
Propriedade: peito + costas
Período: 2 jogos (Carioca)

TCL
Valor: R$ 100.000,00
Propriedade: mangas + omoplatas
Período: 2 jogos (Brasileiro)

Algar
Valor: R$ 80.000,00
Propriedade: omoplatas
Período: 2 jogos (Carioca)

AXA
Valor: R$ 70.000,00
Propriedade: barra traseira + placa de campo no 1º jogo
Período: 2 jogos (Carioca)

Papelex
Valor: R$ 60.000,00
Propriedade: peito + costas
Período: 2 jogos (Carioca + Copa do Brasil)

Samoc
Valor: R$ 50.000,00
Propriedade: barra frontal
Período: 2 jogos (Carioca)

Papelex
Valor: R$ 40.000,00
Propriedade: costas
Período: 2 jogos (Carioca)

Papelex
Valor: R$ 40.000,00
Propriedade: costas
Período: 2 jogos (Carioca + Copa do Brasil)

Casa & Video
Valor: R$ 30.000,00
Propriedade: barra frontal + calção frontal
Período: 2 jogos (Carioca)

Motorola Solutions
Valor: R$ 12.000,00 (em permuta)
Propriedade: mangas
Período: 1 jogo (Brasileiro)

Observação: os patrocínios da Caixa Econômica (com propriedades no peito, costas e calção por R$ 10 milhões mais bonificações) e Cercred (com propriedades na barra frontal e no calção por R$ 900 mil e serviço de call center) já foram renovados para toda a temporada de 2017.

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A área, que envolve venda e exposição das marcas do Botafogo, inclui o fornecimento de material esportivo do clube, que passou a ser a Topper no último mês de maio. Quando anunciou a parceria no ano passado, a diretoria alvinegra informou que a quantia era superior a RS 40 milhões, entre montante fixado, estimativas com custos de material e royalties. Mas o relatório revela que, líquido, o clube recebe R$ 2.000.000,00 anuais, além de 34 mil peças, R$ 200.000,00 de verba de marketing e premiações por desempenho.

Outro item que faz parte da área é o licenciamento de produtos, atualmente controlados pela Starr Holográfica. Hoje, o Alvinegro conta com aproximadamente 50 empresas licenciadas e com quatro lojas oficiais: General Severiano, Estádio Nilton Santos, Juiz de Fora (MG) e Brasília, além da loja virtual. Entre pagamentos da Puma, antiga fornecedora de material esportivo do clube, e da Orion Projetos e Empreendimentos Ltda, o Botafogo recebeu R$ 2.267.238,65. Um exemplo de sucesso são os copos ecológicos e personalizados comercializados no Nilton Santos.

– Os números foram excelentes, com vendas expressivas em todos os setores do estádio em 2016, inclusive no setor destinado aos visitantes. Com o sucesso, temos feito outros temas de caracterização em 2017. O total de vendas foi de 44.381 copos nos jogos, arrecadando R$ 221.905,00, dos quais 20% (R$ 44.381,00) foram destinados ao Botafogo – explica o relatório do departamento da vice-presidência social e de comunicação, chefiada por Márcio Padilha.

VENDA DE JOGOS

Uma ação pouco explorada pelo Botafogo desde que reassumiu o Estádio Nilton Santos após os Jogos Olímpicos da Rio 2016, a venda de jogos para outras praças também apareceu como fonte de rende de quase R$ 1 milhão em quatro partidas. Confira:

R$ 40 mil – Desportiva-ES x Botafogo (23/01/2016) – Estádio Kleber Andrade (Cariacica-ES);
R$ 200 mil – Botafogo x Fluminenses (24/02/2016) – Estádio Kleber Andrade (Cariacica-ES);
R$ 300 mil – Botafogo x Flamengo (02/04/2016) – Estádio Mario Helênio (Juiz de Fora-MG);
R$ 320 mil – Botafogo x Cruzeiro (01/06/2016) – Estádio Mané Garrincha (Brasília-DF)

LOCAÇÃO

A área também foi de boa arrecadação para o clube, principalmente pela cessão de General Severiano para a delegação da Áustria durante os Jogos Olímpicos da Rio 2016. Praticamente todo o lucro de R$ 5.094.000,00 foi proveniente do Comitê Olímpico da Áustria. A sede alvinegra virou a Casa da Áustria entre os dias 4 a 21 de agosto, período em que ficou aberta ao público oferecendo uma programação com diversas atrações culturais do país e comidas típicas.

O Nilton Santos também passou a ser opção de receita em dias sem jogos. O Botafogo vem criando uma agenda de eventos organizados pela Bluemoon Entretenimentos, que paga pela locação do estádio. Os valores variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil em eventos de pequeno e médio porte, e mais de R$ 100 mil nos maiores. No último dia 15 de novembro, por exemplo, a banda americana Guns N' Roses se apresentou no campo e rendeu mais de R$ 500 mil ao Alvinegro, que ainda teve direito a um percentual de vendas nos bares e estacionamento.

07/04 - Samba do Nascente
13/04 - Chininha e Príncipe, Dilsinho e MC Duduzinho
23/04 - Reinaldo, o Príncipe do Pagode
13/05 e 14/05 - 1º Festival de Hambúrguer Artesanal
18/06: Aniversário da Rádio Fanática
02/07: Rio Comics (Festival de Cosplay)

SÓCIO-TORCEDOR

Grande esperança de receita dos clubes brasileiros nos últimos anos, o Botafogo ainda engatinha na arrecadação de seu programa de sócio-torcedor, que em 2016 rendeu R$ 1.256.411,08. Mas vale destacar que o Alvinegro ficou sem seu grande atrativo, que é o Estádio Nilton Santos, durante toda a temporada passada. A renda aumentou nos meses finais de 2016, quando atingiu 15 mil sócios. Número que atualmente está quase o dobro, e a tendência é que a arrecadação cresça muito mais em 2017.

A venda dos pacotes para toda a temporada é que não empolgou muito a torcida, apesar dos preços saírem muito mais em conta. Em dezembro, o pacote Norte, que custa R$ 200, fechou com 1.133 comercializações; o Sudeste, a preço de R$ 450, ficou com 2.386; o Oeste Inferior, adquirido a R$ 900, teve 391 compradores; o Camarote Central Leste, que sai a R$ 1.200, foi vendido a 54 pessoas; e o pacote estacionamento, que custa R$ 500, fechou com 74 torcedores.

Fonte: GloboEsporte
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