Publicada em 21/03/2017, às 10:34

Lado "Cabezón" de D'Ale: meia estuda para ser técnico e lê Bielsa e Guardiola

Gringo ainda evita pensar em aposentadoria dos gramados, mas aproveitou empréstimo ao River Plate, em 2016, para iniciar curso preparatório para ser treinador

D'Ale mostra lado "cabezón" e estuda para ser treinador (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)

Aos 35 anos, D'Alessandro cumpre rotina especial de trabalhos para se manter intenso em campo e prolongar a carreira pelo Inter. O desejo e o foco do ídolo recaem sobre a saga para devolver o clube à elite em 2017, com predileção para permanecer em 2018 – mesmo ainda sem discutir a renovação. Mas o gringo já se prepara para um futuro, ainda distante, longe dos gramados. Ou nem tanto assim. Entre treinos e jogos, o argentino concilia leituras de ícones como Pep Guardiola e Marcelo Bielsa. E já se prepara para ser treinador ao se aposentar.

Os esforços fazem parte de um sonho antigo, revelado pelo gringo ao GloboEsporte.com ainda em 2014. Mas que só pôde levar a cabo no ano passado. Emprestado ao River Plate por uma temporada, D'Alessandro aproveitou o aconchego do lar, próximo da família na sua Buenos Aires querida, para dar largada ao curso da Associação de Futebol da Argentina (AFA) para tirar a licença para ser técnico de futebol. O apelido "Cabezón", dos tempos de base do River, casa muito bem com a gíria do Brasil para aqueles muito inteligentes: o "cabeção" da turma.

Em solo portenho, o gringo concluiu o primeiro dos dois anos do programa, que é seguido à risca desde Porto Alegre, mas à distância, pela internet. Trata-se de um desejo do próprio D'Ale de aliar a longa vivência de vestiário e dentro de campo com o embasamento teórico para desempenhar a função quando pendurar as chuteiras. Claro, a capacidade de liderança já exercida no Colorado e pelos Millonarios contribui para o futuro encargo.

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– Eu aproveitei o ano passado na Argentina para fazer o curso de treinador. São dois anos. Hoje, estou fazendo à distância, online. Acho bom sempre continuar se preparando, aprendendo coisas. Claro que a vivência no vestiário dá muita coisa. Mas é bom pegar os livros e aprender algo que o vestiário não te dá. A gente acaba aprendendo coisas que são importantes para o futuro – garante o gringo.

A Argentina hoje tem uma gama de nomes em grandes clubes do futebol europeu, como Diego Simeone, Jorge Sampaoli e Maurício Pochettino, além do próprio Bielsa. E muitos jovens técnicos prosperando no mercado interno, como Diego Cocca, de 45 anos, do Racing, Eduardo Coudet, ex-Rosario Central, de 42 anos, Marcelo Gallardo, ex-comandante de D'Ale no River, aos 41 anos, e Guillermo Schelotto, treinador do Boca Juniors com 43 anos, por exemplo.

Presenciais ou à distância, as aulas fazem o gringo imergir nos livros e nas leituras repassadas por seus professores, numa extensão à rotina de treinamentos e jogos pelo clube. O gringo elenca até dois de seus principais mentores, também alvos de seus estudos: o catalão Pep Guardiola, hoje no Manchester City e o argentino Marcelo "El Loco" Bielsa, que comandará o Lille, da França, na próxima temporada.

– Quando eu falo em livros, eu falo quando o professor me manda o texto, umas 30 folhas para eu estudar – diz, aos risos, ao sinalizar o volume de páginas – Livro do Guardiola, do Bielsa. A gente tem. A gente tem que ter para aprender com os caras que são os espertos na matéria. E aprender diferentes maneiras de ver o futebol, de enxergar o futebol.

O estudo e a preparação não indicam, porém, que o gringo planeje uma aposentadoria tão próxima dos gramados. "Apaixonado" por futebol, D'Ale garante que ainda não pensa em se retirar. Prova disso é que cumpre uma rotina à parte, com exercícios de reforço muscular e dieta balanceada, para prolongar sua carreira, ainda com intensidade. Até para cumprir bem a nova função, mais recuado em campo – a exemplo da vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo-RS – que demanda uma participação mais ativa também no sistema defensivo.

– Não penso. A gente pode imaginar alguma coisa. Eu sou apaixonado pelo futebol, meu pai e minha mãe fizeram de tudo para que eu jogue bola. Eles sempre trabalharam para eu ter uma bola, uma chuteira. Vai ser um golpe bem forte. A gente se prepara e tem que dar a vida. Quando parar, tem que te preparar para ver o que vai fazer no futuro. Consegui dar uma tranquilidade econômica para a minha família impressionante. O meu maior orgulho é esse. A gente tem títulos, historia, tudo. O que consegui dar para a minha família não tem preço – ressalta.

Ainda sem pensar na renovação de contratou ou na aposentadoria, D'Alessandro mantém comprometimento total nos compromissos do Inter em 2017. A prioridade é suportar a disputa da Série B. Mas antes, o gringo foca na busca do hepta do Gauchão. Nesta quarta-feira, o argentino deve estar em campo contra o Ypiranga, no Colosso da Lagoa, pela 9ª rodada do estadual.

Fonte: GloboEsporte
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