Publicada em 17/03/2017, às 20:33

Com menos receita, orçamento do Flu prevê déficit de R$ 75 mi em 2017

Previsão das contas do clube, a ser votada no Conselho, elaborada após consultoria externa, reforça a necessidade de buscar patrocínio e pode obrigar venda de atleta

Jogador mais valorizado do Flu, Scarpa corre risco de ser vendido para equilibrar as contas (Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)

A reformulação do futebol, feita em janeiro, com a saída de 30 jogadores e economia de R$ 15 milhões, ficou longe de resolver a situação financeira do Fluminense. Em previsão orçamentária enviada ao Conselho Deliberativo, a gestão Pedro Abad prevê um déficit de R$ 75 milhões em 2017. O rombo reforça a necessidade de buscar novas receitas, como um patrocínio master, e pode obrigar a venda de jogadores para equilibrar as contas. Enquanto isso não ocorre, o clube prepara medidas, definidas após uma auditoria externa da situação, para tentar sair do buraco.

O GloboEsporte.com teve acesso ao documento de 26 páginas enviado aos conselheiros tricolores - eles o votarão em sessão no próximo dia 30. Na peça, o clube já mostra trabalhar em conjunto com a Ernst & Young, empresa que indicou 10 ações para reverter o quadro, uma promessa não cumprida na época de Peter Siemsen. Na comparação com a previsão orçamentária de 2016, a receita caiu e a despesa aumentou no futebol - não é possível analisar o resultado financeiro da temporada passada, já que o balanço ainda não foi publicado. Por qual motivo? O clube elenca três principais: previsão mais realista, falta de patrocinador e contratos longos ainda a serem cumpridos.

- A gente procurou fazer um orçamento extremamente pé no chão. A premissa foi essa. Diferentemente do que já ocorreu em anos anteriores, a gente procurou ser muito conservador. Isso obviamente impacta nesse resultado. Foi um trabalho mais minucioso, mais detalhado. O orçamento passa a ser, mais do que nunca, uma ferramenta de gestão. Foi essa a lógica que a gente tentou implementar. Há meta para os gestores de todas as áreas, para que haja acompanhamento do orçado e do realizado. Todos os meses, com relatórios - explica Roberta Fernandes, CEO do Tricolor (leia a entrevista completa abaixo).

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Peter, que encerrou uma gestão de seis anos em dezembro passado, sempre perseguiu o déficit zero. Só o alcançou em 2015, com ajuda da renegociação de dívidas via Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). A atual previsão, elaborada pela direção de Abad, prevê o pior cenário dos últimos anos. Então, é imprescindível vender um atleta para equilibrar as contas?

- Conforme disse o próprio presidente, a venda de jogador é uma receita comum nos clubes, é importante, sem dúvida. Desde que alinhado com o corpo técnico, ela precisa acontecer de fato. É uma receita que contamos para fechar o ano. Oportunidades surgem o tempo todo. Há avaliação do presidente, do comitê e do futebol. Mas é uma realidade, com o Fluminense não é diferente. Até porque estamos falando de déficit significativo. É óbvio que vamos buscar outras frentes, como redução de despesas, o que é uma meta. Se vai buscar novas receitas, se potencializa o Sócio Futebol. Isso não significa dizer que não precisa de venda para fechar. É claro que tem de ser criterioso, avaliado com calma. É preciso saber se é uma oportunidade que salte aos olhos, que valha a pena. Ao vender um jogador, tem de repor. Isso também tem de ser estudado - completa Roberta Fernandes.

Na previsão orçamentária, a receita extraordinária é de R$ 35 milhões, dez a mais na comparação com a temporada anterior. Gustavo Scarpa é o atleta mais valorizado, porém, Douglas e Richarlison despertam atenção no mercado. Não há nenhuma negociação em andamento.

Confira o restante da entrevista:

Que peso a falta de um patrocinador master tem na queda dos valores da previsão de receitas de 2017, em relação ao ano passado?

Comparando a previsão de despesas com o futebol para 2017 com o último ano, é possível ver que o número aumentou. De R$ 205 milhões a R$ 209 milhões. Por quê?
Apesar de todo o esforço feito no começo do ano para a redução da folha do futebol, o que impactou em queda de 10% dos direitos de imagem, por exemplo, existem uma série de previsões contratuais que precisam ser respeitadas. Temos contratos de longo prazo, com metas previstas. Tem definições que precisam ser respeitadas. Isso, obviamente, impacta no nosso custo fixo do mês com folha. Por mais que tenha havido a redução, que de fato houve, caso contrário o valor seria maior, a gente ainda tem obrigações a cumprir. Metas e reajustes serão respeitados.

Que peso tiveram as contratações do fim do ano passado na previsão de despesas de 2017?

Essas contratações, por óbvio, tiveram influência significativa. Por isso, a gente criou o comitê, para que as decisões sejam tomadas de forma colegiada. Para que a gente possa perseguir o erro zero, o que é muito difícil no futebol. Há coisas imponderáveis. O comitê divide responsabilidade em com decisões colegiadas, vai ajudar a reduzir o impacto.

A previsão orçamentária de 2017 é muito mais detalhada que a dos outros anos. Isso já é influência da consultoria e auditoria da Ernst & Young?

Fico satisfeita de falar da Ernst & Young. Foi um trabalho conjunto entre a consultoria e a nova gestão. Com o intuito de implementar um novo modelo de governança, mais moderno. Ele não se limita ao orçamento, é só o primeiro passo. Tivemos ajuda do corpo técnico, mas sem a Ernst & Young não teria feito o trabalho desenvolvido em período tão curto. Vejo como fundamental a participação deles. É o começo de um projeto maior, um projeto que vai fazer revisão de contratos, de processos, vai trabalhar governança, controles internos, política de cargos e salários, análise de fluxo de caixa, enfim, é muita coisa. O Fluminense busca se profissionalizar, implementar medidas de boa governança, que são fundamentais para a gestão. O trabalho está começando, mas a gente já vê resultados na prática. A diferença no orçamento apresentado é relevante. A equipe deles tem experiência no futebol, tem case de sucesso no futebol.A gente adotou uma linha conservadora. Existe uma série de cenários que não dependem da nossa vontade. Por isso, fomos pé no chão. Na verdade, existe negociações em curso, sem processo concluído. A gente tem prospectado uma série de potenciais patrocinadores e oportunidades. Mas não estão concluídas. A gente parte da premissa pé no chão, não considera essas receitas, mas não as incluiu no orçamento. Uma prova desse começo de trabalho é o fato de que fechamos em tempo rápido com a Under Armour (nova fornecedora de material esportivo do clube). Isso está contemplado no orçamento, só porque assinamos o contrato. Caso contrário, não estaria no orçamento. A lógica está certa: a falta de um patrocinador contribuiu para a queda de receita. O que não significa que estamos acomodados e que não temos a meta de melhorar esse resultado.

Fonte: GloboEsporte.com
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