Publicada em 13/03/2017, às 09:30

Análise: Corinthians mostra variações, mas não pode depender só de meias

Timão busca empate contra a Ponte Preta, e números não traduzem domínio do rival. Fábio Carille precisa criar opções quando Jadson e Rodriguinho estão bem marcados

Rodriguinho fica preso na marcação da Ponte: ele e Jadson tiveram poucas chances no domingo (Foto: Marcos Ribolli)

É evidente que grande parte da qualidade do Corinthians de 2017 passa pelos pés de Jadson e Rodriguinho. O Timão, porém, precisa ter alternativas para não sofrer tanto quando os dois estão bem marcados pelo rival. Foi assim no empate por 1 a 1 com a Ponte Preta, neste domingo, em Campinas, pela oitava rodada do Campeonato Paulista.

O resultado não altera tanto a situação do Corinthians no torneio: é líder disparado do Grupo A, com 19 pontos, e está praticamente classificado à próxima fase. O jogo serviu, sim, para mostrar que Fábio Carille tem estudado cada vez mais alternativas contra times fechados.

O Timão tem encontrado dificuldades em jogos assim. Exceção feita à tranquila vitória por 2 a 0 sobre o Luverdense, pela Copa do Brasil, a equipe de Carille se complica quando precisa propor o jogo. Neste domingo, houve um agravante: a Ponte tem um contra-ataque forte e é um adversário bem mais qualificado do que Brusque, Caldense, Santo André...

Serve como nova lição para um trabalho ainda em seu início nas mãos de Carille. As opções do elenco a Jadson e Rodriguinho estão, quase todas, em baixa: Marquinhos Gabriel, Guilherme e Giovanni Augusto são homens de criação. Nenhum deles entrou no jogo.

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O Timão volta a campo nesta quinta-feira, contra o Luverdense, pela volta da terceira fase da Copa do Brasil. Pelo Paulistão, pega a Ferroviária no próximo domingo, em Araraquara.

O jogo

As quatro mudanças feitas pelo técnico Fábio Carille não mudaram a estrutura básica do Corinthians em campo: Maycon mais recuado, revezando saídas com Paulo Roberto, e Rodriguinho centralizado, com Jadson e Léo Jabá abertos pelas pontas.

O forte calor de Campinas e o desgaste do jogo contra o Luverdense, quinta-feira, pela Copa do Brasil, fizeram o Corinthians esperar um pouco mais o adversário. O problema é que a Ponte, percebendo essa estratégia, deu a bola para o Timão. Fechada da intermediária para trás, a Macaca forçou o rival a trabalhar a bola com seus zagueiros, laterais e volantes, sem profundidade.

O script, a partir daí, foi quase sempre o mesmo. Toque para um lado, para outro, inversões de jogo, e nada... A Ponte desarmava já em seu campo de ataque e criava situações de perigo. Principalmente com Clayson, Ravanelli e Pottker, aberto pelo lado direito. Guilherme Arana precisou da ajuda de Léo Jabá para acertar a marcação.

O Corinthians chegou a ficar mais de um minuto seguido com a bola nos pés, sem sequer atingir o último terço do gramado. Jadson e Rodriguinho, criadores do time, foram encaixotados pela marcação dos volantes adversários.

Uma sequência emblemática pode ser observada no vídeo abaixo. Cássio dá a saída de bola, o Corinthians toca a bola por mais de um minuto e meio e troca 31 passes seguidos, sem qualquer infiltração. Quando a bola chega a Jadson, ele é desarmado e precisa fazer a falta para conter o contra-ataque da Ponte. Carille não teve soluções para a estratégia adversária.

A Ponte teve apenas 34% de posse no primeiro tempo, mas dez finalizações. O Timão teve apenas quatro, duas delas com Maycon. Faltou infiltração, faltou envolver Jô, faltou quase tudo no ataque. Na defesa, Pedro Henrique e Léo Príncipe sofreram com a falta de ritmo. Mesmo assim, o gol da Ponte só saiu após uma falha generalizada: da barreira formada por Jadson e Maycon, que abriu, e de Cássio, que deixou passar a cobrança de falta de Lucca.

O segundo tempo apresentou sensível melhora por causa de uma alternativa tática de Carille: Kazim no lugar de Léo Jabá, e o 4-4-2 no lugar do 4-2-3-1. Com uma linha de meio-campistas, Jô ficou mais recuado e passou a participar efetivamente do jogo, deixando o gringo na briga com os zagueiros lá na frente. As chances começaram a aparecer.

Essa opção, porém, não se sustenta por um jogo todo. É apenas um artifício que o técnico tem para tentar desamarrar esse tipo de confronto. O Timão só chegou ao empate por meio da bola aérea, outra arma ocasional: depois de duas bolas cruzadas na área, Jô fez o papel de pivô com perfeição e rolou para Léo Santos chutar e fazer seu primeiro gol como profissional.

Depois da partida, Fábio Carille admitiu que precisa de mais alternativas para o Corinthians, enfim, dar um salto definitivo de qualidade no ataque. A defesa, mesmo com erros, ainda é confiável e não tinha em campo seu melhor jogador no ano: Pablo. A sequência de jogos entre Paulistão e Copa do Brasil também reduz o tempo para treinamentos.

Neste momento, além do controle do desgaste, é importante Carille ter noção de quem pode realmente ter à disposição no elenco. Seria o momento de medalhões em baixa, como Marquinhos Gabriel, Guilherme e Giovanni Augusto, mostrarem serviço e darem novas opções ao técnico. Nenhum dos três, porém, foi utilizado durante a partida.

Fonte: GloboEsporte
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