Publicada em 10/03/2017, às 09:46

Análise: após cochilos, Grêmio molda jogo a seu estilo para superar Zamora

Desfalques pesam na mecânica de atuação, mas Tricolor consegue superar falhas com gols para vencer o Zamora por 2 a 0 em Barinas, na quinta, pela Libertadores

Gremistas se abraçam após gol de Léo Moura (Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação)

Após uma verdadeira operação para suportar a estadia em solo venezuelano, o Grêmio retorna de Barinas mais do que satisfeito com a estreia na Libertadores, após a vitória por 2 a 0 sobre o Zamora, nesta quinta-feira. Nem tanto pela atuação, que passou longe de ser brilhante. O resultado, claro, salta aos olhos, mas o Tricolor também pode vibrar com uma equipe repleta de desfalques, que soube sofrer com cochilos e se ajeitar ao longo dos 90 minutos. A ponto de até matar o jogo com gols no final do primeiro tempo e no início do segundo.

Desfalcado por baixas de peso, como Pedro Geromel e Maicon, o Tricolor precisou "sentir" o jogo até se adaptar de vez às ausências antes de construir o triunfo, tão valioso em uma estreia de competição continental. Prova disso são os 15 minutos iniciais de supremacia do Zamora dentro de casa. Os venezuelanos adiantaram suas linhas e, com pressão alta, aproveitaram duas falhas na mecânica de jogo gremista para "sufocar" os rivais, inclusive com chances claras de gol.

Na lateral esquerda, Marcelo Oliveira padeceu entre investidas de Peña e Farías, sempre com velocidade e perigo ao invadirem a área.Parceiros recentes de meio-campo, Michel e Jailson custaram a entrar em sintonia para guarnecer a defesa e, não raro, deram brechas para que o Zamora saísse de frente com a zaga, em enfrentamentos diretos.

Os venezuelanos perderam três grandes oportunidades, com Uribe, numa falha da dupla de zaga, Faría e Peña, em dois lances pela esquerda de defesa do Grêmio. Em um deles, após finalização para fora dos venezuelanos, todo o sistema defensivo esbravejou contra Michel, que foi facilmente vencido pelo adversário e abandonou a marcação.

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A falta de pontaria se provou fatal aos donos da casa. Entre erros, o Tricolor conseguiu se organizar em campo, com melhor cobertura de seus volantes, e viu no lado direito uma via de escape para chegar à meta do rival, em combinações entre Ramiro e Léo Moura. A equipe de Renato Gaúcho começa a "virar" o jogo em um contra-ataque, desperdiçado por Michel após boa combinação entre Miller Bolaños e Luan, aos 15.

– Nos cochilos que tivemos, o adversário se aproveitou. Aconteceu no Gre-Nal também. Foi um descuido nosso. Se saímos atrás no placar, fica muito mais difícil. Mas nos portamos como time grande, como tem que ser. Fizemos o segundo gol no início do segundo tempo e pudemos matar o jogo – ressalta Renato.

A partir daí, o Grêmio consegue fazer valer uma de suas principais virtudes, a posse de bola. Com o domínio do jogo, o Tricolor envolveu o Zamora sempre com aproximação e toques curtos, com variação de posições no setor ofensivo para abrir espaço nos rivais. E com a chegada de Léo Moura. Aos 25, Bolaños fez jogada individual e quase marcou. O tento viria 20 minutos mais tarde, fruto de talento, mobilidade e precisão.

Aos 45, Léo Moura sai com a bola do lado direito e aciona Pedro Rocha pelo centro. Em seu movimento, Léo encontra uma brecha deixada pelo Zamora e passa pelo meio da defesa. Enquanto isso, Pedro Rocha tabela com Luan, em sua função de falso nove, e enxerga o lateral já livre na área. O passe é milimétrico. Com categoria, o veterano domina, gira e fuzila.

– Acho que ajeitamos as coisas que tínhamos que ajeitar à medida que o jogo foi transcorrendo. Quando tivemos oportunidade, a gente fez o gol – pontua o zagueiro Kannemann.

"Ajeitado" em campo, o Tricolor voltou à segunda etapa bem postado, à espera de um Zamora ofensivo. E voltou a ser cirúrgico na primeira escapada que teve. Aos 4, Pedro Rocha disparou pela esquerda e cruzou para Ramiro, que, em mais uma mudança de posição, surgiu dentro da área para sofrer pênalti infantil de Ovalle. Luan esbanjou frieza para deslocar o goleiro e marcar seu primeiro gol na temporada, com um 2 a 0 que o fez relaxar em campo.

O Zamora voltou a pressionar o Tricolor, via de regra ao longo de toda a segunda etapa, novamente com grande volume ofensivo pelo lado esquerdo da defesa gremista. A equipe tornou a apresentar falhas de posicionamento, em especial na bola aérea defensiva, e viu o Zamora empilhar chances – Ramiro chegou a salvar em cima da linha, e Thyere travou Gallardo na hora exata da finalização do atacante.

Renato mexeu na equipe, com os ingressos de Everton e Lucas Barrios nas vagas de Pedro Rocha e Luan – depois, Fernandinho ainda entrou no lugar de Bolaños – para dar velocidade ao Tricolor no contra-ataque. De fato, o Grêmio quase marcou com Miller, em boa jogada de Barrios pela esquerda. Mas o 2 a 0 selou o triunfo na estreia.

Líder da chave pelo saldo de gols, o Grêmio só volta a campo pela Libertadores em abril, no dia 11, quando recebe o Deportes Iquique, do Chile, às 21h45, na Arena. Bem antes, o Tricolor foca no Gauchão. A equipe enfrenta o Brasil de Pelotas às 21h45 da próxima quarta-feira, no Bento Freitas, pela 7ª rodada do Estadual.

Fonte: GloboEsporte
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