Publicada em 09/03/2017, às 08:32

Maraca passa no teste da reabertura e Fla planeja mais jogos na Libertadores

Maioria dos torcedores têm acesso rápido ao estádio e clube age rápido para resolver problemas na leitura de cartões de sócios. Serviços funcionam. Gramado é ponto falho

Confira a torcida sob a ótica do setor Norte (Foto: Fred Gomes)

A goleada por 4 a 0 sobre o San Lorenzo não foi o único triunfo do Flamengo na noite desta e quarta-feira no Maracanã. A organização rubro-negra, antes e após a bola rolar, foi positiva. E o destaque ficou por conta da rapidez com a qual rubro-negros entraram no Maracanã, anunciado como sede da partida apenas 14 dias antes do duelo em acordo pontual.

A diretoria flamenguista, aliás, espera fazer novos acertos para enfrentar tanto Universidad Católica quanto Atlético Paranaense, seus outros rivais no Grupo 4 da Libertadores, no Maracanã - dias 12 de abril e 3 de maio, respectivamente. Em meio ao imbróglio que envolve a disputa da GL Events/CSM, parceira do clube, e Lagardère, concorrentes a assumir o estádio, a negociação precisa passar pelo Consórcio Maracanã.

Para colocar o Maracanã a postos novamente, o Flamengo montou força tarefa com 150 funcionários e investiu cerca de R$ 2 milhões na manutenção, reposição de cadeiras e demais estruturas do estádio. A renda de pouco mais de R$ 3,6 milhões pagou a operação com sobras. O borderô da partida deve ser divulgado pelo Flamengo durante esta quinta-feira.

Estádio limpo e acesso tranquilo

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Muita gente chegou cedo ao estádio. Formada em Letras, a professora Sabrina Vianna aprovou os serviços na volta ao Maracanã.

- Não houve nenhum problema com as catracas, a entrada foi tranquila na Norte. O meu cartão de sócio torcedor funcionou sem problemas. Não vi nenhuma cadeira quebrada na altura da pilastra 40, nível 5. Só consegui copo do jogo porque meu amigo Bernardo entrou antes das 20h - disse Sabrina.

O movimento nos bares foi grande, mas os serviços funcionaram normalmente. Os copos da partida - que traziam a imagem de Zico e do ídolo atual Diego - foram sucesso de vendas. Pouco antes das 20h eram poucas as unidades disponíveis no estádio. A peça saía por R$ 8. Havia também venda de Carabao - nova patrocinadora do Flamengo - por R$ 12.

Desde a abertura dos portões, às 18h45, até o intervalo, torcedores conseguiam acessar o estádio sem maiores dificuldades. Confira abaixo imagem do estádio a 14 minutos antes de a bola rolar. Os flamenguistas chegavam ao Maraca aos gritos, mas, sob a perspectiva de quem estava dentro do estádio, não se observava qualquer tipo de desordem na parte externa.

Os irmãos Julio Cezar Nogueira e Felipe Gaspar elogiaram também a rapidez com a qual conseguiram entrar no estádio e se animaram com a vitória.

- Foi muito tranquila a entrada, conseguimos chegar com muita facilidade, e o Flamengo vai conquistar esse bicampeonato da Libertadores - afirmou Julio.

Problemas com cartões solucionados

Houve problemas, sim, com o acesso de alguns sócio torcedores. Portadores de cartões novos, antigos ou danificados não conseguiram entrar de primeira, porém uma equipe de quatro mulheres resolveu o problema.

Vinte e cinco minutos antes de a bola rolar, o número de cartões não lidos era superior a uma centena, mas dificilmente alguém era barrado.

No Dia Internacional da Mulher, houve espaço também para o pedido de respeito às rubro-negras. Vivi Mariano, orgulhosa, exibiu adesivo que estimula a presença de mulheres no estádio. Vivi, inclusive, frequenta o Maracanã e os jogos do Flamengo desde pequenina.

Um panfleto que exigia respeito às mulheres, identificava assovios, frases feitas contra moças e palavras grosseiras como forma de afastar fãs do futebol dos estádios.

Mulheres, aliás, não foram homenageadas somente por seu dia. O rubro-negro Cleiton resolveu conquistar de vez a noiva com um pedido outrora nada usual.

Gramado ruim

Para quem assistiu à partida da arquibancada, ficaram escancaradas as condições ruins do gramado do Maracanã. Estado este, que, segundo o técnico Zé Ricardo, deve ser minimizado pelo esforço da diretoria rubro-negra em colocar a partida no estádio que a torcida flamenguista sempre chamou de seu.

- Treinamos ontem (terça-feira) e percebemos que não estava 100%, mas comparado a o que vimos dias atrás, foi feito um esforço muito grande. Sem dúvida que interfere um pouco, mas na prática não foi tao prejudicial assim. Esperamos que nas próximas partidas no Maracanã (o gramado) esteja em condições perfeitas, como sempre esteve. Tem que ser enaltecido tudo que foi feito. Por proporcionar festa tao grande que a torcida fez, é um problema que a gente deixa passar - afirmou o técnico.

Diego e Gabriel também reconheceram que o estado do campo não era dos melhores. E repetiram o discurso do técnico Zé Ricardo.

- Claro que perde um pouco na qualidade de jogo (o gramado), mas deve ser enaltecido o esforço para reabrir o estádio. Não é só mais um estádio, é um templo do futebol mundial, que deve ser bem tratado e respeitado. Mas precisava de dois, três toques para controlar a bola - comentou o camisa 10 do Flamengo.

Susto na montagem do mosaico

Formada em biblioteconomia, Juliana Pinho extravasou tudo o que passou desde a abertura da venda de ingressos para rubro-negros aos 4 a 0 sobre o San Lorenzo. Uma das que foi ao Maracanã na noite de terça-feira para iniciar a montagem do mosaico, a torcedora dedicou o triunfo ao namorado Juan de Paula. Confessou que, ao participar da surpresa em vermelho e preto, temeu pelo pior diante do que observou um dia antes do duelo.

- Esse jogo começou dia 2, quando as vendas para meu plano de sócio abriram. Garanti meu ingresso e do meu grande companheiro da vida e de jogos. Mais tarde acompanhamos os amigos também na luta para garantir um lugarzinho no templo do futebol. Alguns contratempos aqui e muita curiosidade de saber as condições da nossa grande casa. A cada foto vazada, mais um tanto de ansiedade para a tão esperada estreia do ano mágico. Empolgada até o último fio de cabelo, soube da montagem do mosaico e na hora confirmei presença para ajudar na grande festa. Passei a madrugada no Maracanã, colando um pedaço de mosaico aqui, outro acolá, às vezes parava para observar um detalhe ou outro das instalações: gramado não parecia muito bom, cadeiras faltando, goteiras.

As poucas horas de sono de Juliana foram recompensadas não apenas com gols, mas com o que observou no estádio, desde comportamento da torcida à estrutura do Maracanã. O fato de a chuva que se desenhava nas cercanias do campo não ter caído como o esperado também foi celebrado.

- Mas segui confiante que no dia seguinte só seria festa. E foi. Minha casa, que saudade! O banheiro estava impecável, com papéis nas cabines e próximo às pias, sabão, água. Os bebedouros também certinhos. E eis que chegou a hora: São Pedro foi bonzinho, e as goteiras não apareceram para o público - filosofou Juliana, que não tem imagem exibida nesta reportagem por se orgulhar de não posar para fotos em estádios.

Fonte: GloboEsporte
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