Publicada em 08/03/2017, às 10:04

De volta à seleção, ''Papá'' Sornoza conquista o Flu: ''Me sinto em casa''

Após poucas chances no México, camisa 20 empolga os torcedores com rápida adaptação e muita descontração. Tricolor já foi informado que o meia será convocado

Sornoza acabou de chegar ao Brasil, mas o sorriso não esconde: o equatoriano do Flu já ama o Rio (Foto: André Durão)

São apenas dois meses, mas parece muito mais. Sornoza desembarcou no Brasil no dia 3 de janeiro e precisou de pouco tempo para conquistar o Fluminense. De menos tempo ainda para cair nas graças da torcida tricolor. Com boas atuações e grandes jogadas, o equatoriano de 23 anos foi um dos destaques na conquista da Taça Guanabara. A camisa usada na final, aliás, representa bem o seu momento. O ''Papá'' já ama o Rio.

- Me sinto em casa, me dou bem com todos os companheiros, gosto de conhecer pessoas, compartilhar bons momentos, sou um jogador alegre, falo com todo mundo. No campo a gente vê isso, jogo com alegria - definiu Sornoza em entrevista ao GloboEsporte.com na praia da Barra.

O camisa 20 é a descontração em pessoa. Está sempre sorrindo, brincando com os amigos, dançando e falando o bordão que todo tricolor já decorou: ''Vamo, papá! Ya sabe!". Peça-chave no esquema do técnico Abel Braga, Sornoza tem dois gols e quatro assistências em nove jogos na temporada. O bom desempenho o levou de volta à seleção do Equador, por mais que ele ainda fuja do assunto e prefira esperar a divulgação oficial da lista. Mas o Flu já foi avisado que o meia será convocado para as próximas rodadas das eliminatórias, no fim de março.

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Nem ele esperava uma adaptação tão rápida ao Brasil. A esposa Liceth e os filhos Mathías e Dulce Maria se mudam em abril. Na praia, seu lugar preferido do Rio, Sornoza aproveitou para fazer uma ligação de vídeo para mostrar a bela paisagem à amada. E falou sobre seus primeiros meses no Fluminense, a relação com a Abel, a origem do nome Júnior (uma homenagem ao ex-jogador do Fla e da Seleção), a rápida passagem pelo Pachuca, do México, em 2015, a amizade com Orejuela e a curiosa história de quando pediu a sua mulher em casamento. Ansioso, ele comeu vários ovos de codorna antes da proposta.

Confira a íntegra da entrevista:

Esperava se adaptar tão rapidamente?
Me surpreendi, não esperava me adaptar tão rapidamente, creio que meus companheiros me receberam bem, tenho a ajuda do Wellington, porque não temos tradutor, ele vai nos explicando as coisas e graças a Deus estamos bem e vamos trabalhando forte para continuar assim.

Como é a sua relação com o Abel?
É um técnico muito inteligente, trabalha muito bem nas partidas. Não é à toa que vencemos esse torneio. Pessoalmente ele fala muito bem de mim, gosto muito dele, sempre conversa comigo, sempre procuro ele, se não entendo algo, ele explica, sempre há um entendimento. É importante para que um jogador se sinta bem em campo.

Abel nos disse que não lembrava muito do seu futebol na pré-temporada, que você inicialmente seria reserva. Mas logo no primeiro treino viu que teria de te colocar no time...
Eu não era o tipo de jogador que ele necessitava para o esquema do time titular. Mas ele falou comigo, houve um entendimento, eu disse que me sentia bem jogando na posição que ele me pediu e graças a Deus estou com um bom começo de ano, no time titular, e vou seguir trabalhando para continuar assim.

Sua posição atual é diferente da que desempenhava no Del Valle, certo?
Lá atuávamos com um atacante e um meia por trás, que era eu, por isso eu chegava muito à área e marcava mais gols. Agora me sinto muito bem também, tenho muita confiança, muita liberdade e acho que estou indo bem.

Ficamos sabendo que essa boa fase te ajudou a voltar à seleção...
Passei por todas as seleções de base. Sub-15, sub-17 e sub-20. Também já tive a oportunidade de jogar na seleção principal. Espero ser convocado mais vezes. Estou tendo um bom início de ano e certamente isso estará na conta para que no momento certo chegue uma convocação, jogar na seleção é o mais importante. Espero dividir essa alegria com os meus companheiros. Jogar no Brasil ajuda muito nesse processo. Temos um futebol muito competitivo, nós já fomos campeões, estamos trabalhando da melhor maneira possível. Se Deus me permitir ser convocado para a seleção será muito importante para a minha carreira.

Como recebeu a proposta do Flu?
Estava jogando a Copa Libertadores e fui avisado pelo presidente que tinha algumas ofertas do exterior. Ele disse: ''A mais importante está nas suas mãos''. Eu perguntei de que time era e eles me disseram que era do futebol brasileiro e que eu iria gostar. Naquela hora não quis perguntar mais, estava focado na competição. Até o momento certo, no dia da segunda partida da final contra o Atlético Nacional, em Medellín. Se não fôssemos campeões, teria que assinar para poder ir, e se fôssemos, decidir se não assinaria para ficar. Então sentamos para conversar e me disseram que era o Fluminense, uma equipe gigante do futebol brasileiro. Quando me disseram que era o Fluminense, eu já conhecia, vi jogos do clube na Libertadores, a final contra a Liga de Quito (LDU), me empolguei e perguntei: "Onde que eu assino para ir agora? (risos).

O que achou do seu primeiro Fla-Flu?
As duas torcidas cantaram o tempo todo, foi um espetáculo. Foi uma partida muito bonita, na verdade. Estávamos perdendo de 2 a 1 e tiramos força de onde não havia para virar o placar. Fizemos um bom trabalho, merecíamos a vitória nos 90 minutos, mas assim é o futebol e ainda bem que saímos com a vitória nos pênaltis.

Ansioso para defender o Flu no Maracanã?
Já joguei no Maracanã pelo Del Valle (contra o Botafogo, na Libertadores 2014), mas quero jogar com o Fluminense no Maracanã, é um sonho, quero ganhar um jogo lá e ter uma boa atuação.

O que achou da torcida do Fluminense?
Eles já me reconhecem na rua. Nunca esperei ser recebido no aeroporto. Foi incrível (risos). É muito importante a torcida, me mantém muito motivado, a energia deles é muito importante para que consigamos fazer nosso melhor.

Como é a relação com o Orejuela?
É um grande jogador, ele fica um pouco mais atrás, temos entrosamento, é o motor do meio campo, não sei como marca tanto. É um jogador muito importante, creio que fizemos um bom início e esperamos seguir assim. Fora de campo nos damos bem, não tínhamos muito contato, porque temos amigos diferentes, mas aqui dividimos muitas coisas, é uma grande pessoa, um bom amigo e estamos nos ajudando para fazer o nosso melhor aqui.

Quando você pegou a camisa 20, a torcida logo lembrou do Deco...
Deco foi um grande jogador, teve uma grande carreira, passou pelo Fluminense, Barcelona, mas ele tinha a qualidade dele e eu tenho a minha, não quero comparar. Ele era mais rápido, eu tenho um estilo de mais técnica, temos jogadores rápidos pelas pontas como Scarpa, Richarlison, Wellington, enfim, quero dar o meu melhor dentro das minhas características para ajudar sempre.

Você passou pelo México em 2015 e pouco jogou... o que aconteceu?
Eu era muito jovem, a equipe tinha bons jogadores e não tive muito espaço. Não consegui me adaptar também. Era só um empréstimo. Depois disso voltei para o Independiente del Valle e consegui mostrar novamente o meu futebol, tive sequência e me destaquei. Foi isso que me levou ao Fluminense.

O que mais gostou no Rio de Janeiro?
Estou gostando de tudo. O que mais gostei foi a praia. Conheci Copacabana, Barra, gostei muito. Andar de helicóptero também foi ótimo. Agora quero conhecer o Cristo e o Pão de Açúcar. Em abril, minha esposa e meus filhos vão se mudar para o Brasil. A verdade é que estou muito contente, é um início muito bom de ano pessoalmente, espero que siga assim na minha trajetória no Fluminense.

Já aprendeu algumas palavras em português?
Vou falar um palavrão para o Bernardo (empresário) (risos). Isso se aprende rápido! (risos). O que aprendemos primeiro é isso, as palavras feias, os palavrões. Bernardo é meu amigo, desejo muita saúde para ele. Eu quero aprender, estou aprendendo um pouco mais rápido com o Wellington, que fala espanhol e me ensina algumas palavras com mais facilidade.

Da onde vem esse nome Júnior?
Meu pai é muito fã de futebol e via muito futebol brasileiro. Agora que jogo aqui, ele me conta que meu nome vem de um jogador brasileiro, mas não o conheço. Tenho uma irmã mais velha, e quando nasci, meu pai queria um filho homem. Graças a Deus sou eu (risos). Ele diz que tenho esse nome por causa de um jogador brasileiro. Nunca o conheci. Vou perguntar mais ao meu pai mais sobre ele (risos).

O que gosta de fazer nas horas vagas?
Jogo videogame, fico com a minha família, agora que tenho amigos recebo eles na minha casa, vir à praia, gosto muito de conhecer pessoas e fazer novas amizades.

Da onde surgiu o ''vamo, papá''?
"Papá" é por causa do meu pai. É motivação, "vamo", "vamo". É como dizer "vamos, amigo!". Meu pai é muito importante para mim, sempre me dá muita força para dar o meu melhor.

Ele trabalha em um estádio, certo?
Meu pai trabalha num estádio na minha cidade. Cuida do estádio, conservação, limpeza. Tem 25 anos que ele trabalha com isso. Eu fico muito feliz e tenho muito orgulho do meu pai, ele fez tudo para eu ser um jogador, me mostrou os melhores caminhos. Creio que nunca o decepcionei, nunca me desviei do meu caminho para virar jogador. Desde pequeno estive com ele em campos de futebol. Ele jogava futsal no Equador e sempre me levou junto. Sempre esteve comigo e sempre me aconselhou até que eu virasse profissional.

Dai veio o desejo de ser jogador?
Sempre tive essa vontade. A Liga de Portoviejo treinava no campo que meu pai trabalhava, desde criança sempre gostei muito de jogar bola. Não pensava em jogar no Brasil, era muito pequeno. Sonhava em jogar no exterior, mas não pensei onde. Queria dar alegrias a minha família, que sempre esteve comigo nos dias bons e ruins.

Saiu uma reportagem no Equador há alguns anos dizendo que quando você foi pedir sua esposa em casamento, ficou tão nervoso que comeu 30 ovos de codorna. É verdade?
O que aconteceu é que com um dólar eu comprava dez ovos de codorna. Dei três dólares e comprei 30 ovos de codorna. Eu comi 15 e minha esposa 15, mas ela não fala isso e parece que comi os 30 (risos). Eu estava um pouco nervoso sim, queria falar, pedir a mão dela. É uma pessoa muito importante para mim, com certeza a mais indicada para que eu fizesse minha vida junto. É uma pessoa com grande importância na minha vida, me ajudou a andar pelo caminho do bem, estou muito feliz com ela e seguirei assim.

Fonte: GloboEsporte
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