Publicada em 06/03/2017, às 10:00

Como Abel mudou o Flu: motivos do bom futebol e do título da Taça GB

Em menos de três meses, treinador apaga imagem de 2016 e constrói time ofensivo e veloz. Confiança e honestidade ajudam amoldar grupo campeão

Abelão comemora título da Taça Guanabara com medalha no peito (Foto: André Durão)

Enquanto o Flamengo descansou e treinou, o Fluminense encarou uma maratona de 18 horas de viagem de ônibus e avião para chegar ao Rio de Janeiro para a final da Taça Guanabara - retornou de Sinop, no Mato Grosso, onde, na quarta-feira, atuou pela Copa do Brasil. Se o Rubro-Negro tem um base montada desde 2016, o Tricolor reformulou o elenco (30 jogadores saíram, três foram contratados) e soma três meses de trabalho. As diferenças sumiram em campo, domingo. O título veio com bom futebol - uma tônica na gestão Abel Braga. Pois o treinador foi a grande diferença no clube de um ano a outro, o que o tornou protagonista da conquista.

Abel preferiu dar os méritos aos jogadores. Se disse maravilhado com a dedicação dos seus comandados. Definiu o elenco como fantástico. Citou um exemplo: na sexta, o primeiro dia de trabalho, após a longa viagem, os atletas recusaram o trabalho leve na piscina e pediram para ir a um dos campos do CT. Só o fizeram por reconhecimento e confiança no trabalho desenvolvido.

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O que disse Marcos Junior, reserva:
"O Abel é verdadeiro. Ele, apesar de eu estar na reserva, conversa comigo. Desde quando chegou falou para eu trabalhar, conquistar o espaço, e acredita no meu trabalho."

O que disse Lucas, titular:
"O Abel é um cara vencedor. Ele mudou a cara desse time e foi muito importante nessa conquista."

O que disse Douglas, suspenso:
"Poucos acreditavam no Fluminense, mas o Abel modificou isso. É um cara multicampeão."





Três jogadores em situação diferente, uma mesma opinião. Abel mudou o Tricolor. Como?

Futebol ofensivo
O Fluminense tem apenas um jogador que não pode atacar no meio: Orejuela. De resto, Douglas, Scarpa, Sornoza e Wellington são liberados para buscar o gol. Contra o Flamengo, Douglas e Scarpa não atuaram. O esquema 4-1-4-1 estava em risco. O que Abel fez? Lançou três atacantes no time: Richarlison atuou ao lado de Wellington e Henrique Dourado. Pierre fez a função de Orejuela, que foi adiantado na vaga de Douglas. Deu certo. Com extrema velocidade, a equipe surpreendeu e superou a defesa rubro-negra. Abel mudou a disposição em campo, mas não essência de atacar. O Fuminense tem uma forma de atuar e não a muda de acordo com as circunstâncias, como ocorreu no passado recente. Na reta final de 2016, por exemplo, foram 10 jogos sem vitória.

Jogadores confiantes
Não há um jogador mentalmente em baixa. O lateral-esquerdo Léo, após má atuação diante do Sinop, cresceu, justamente em um clássico, para citar um exemplo. Atacou com velocidade e arriscou dribles. Richarlison voltou da fracassada campanha com a seleção no Sul-Americano sub-20 marcando dois gols logo no primeiro jogo e sendo opção à ausência de Scarpa. Os equatorianos Orejuela e Sornoza não sentiram dificuldades de adaptação. Parecem estar no Brasil faz tempo. Os jovens testados, como Marquinhos Calazans, Luiz Fernando, Wendel, deram resposta. A confiança fez a diferença.

Honestidade ganhou o grupo
Abel assumiu com o clube com necessidade de reformular o elenco. Além dos 30 atletas que saíram (a maioria emprestados), havia a necessidade de enxugar mais. Faltavam quatro nomes, por questões financeiras e técnicas: Gum, Pierre, Danilinho e Osvaldo. Eles preferiram ficar. Abel foi sincero. Disse que, inicialmente, seriam pouco aproveitados, mas assegurou que daria chances caso o quarteto treinasse bem. Gum operou, Danilinho está lesionado. Mas Osvaldo teve chance, fez gol. Pierre atuou na final. Ou seja: os jogadores sabem que Abel cumpre a palavra. Assim como a direção tem feito.

Fonte: GloboEsporte
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