Publicada em 04/03/2017, às 09:22

Grupo político que defendeu Flu de 'bullying nacional' faz 14 anos e mira novos sócios

Entre polêmicas em Libertadores e Brasileirão, Flusócio defendeu clube e tornou-se porta-voz de tricolores. Problemas com estádio frearam crescimento de associados, revelam ao L!

Parte da Flusocio comemora eleição de Abad nas Laranjeiras. Grupo participou da campanha vencedora Divulgação

Em meio a uma semana decisiva de Copa do Brasil e Taça Guanabara, a Flusócio, principal grupo político relacionado ao Fluminense, completou 14 anos de existência na última segunda-feira. A fundação oficial veio em 2003, com objetivo de atrair mais sócios para reforçar o clube financeiramente, mas antes disso, em 1997, a ideia já começava a ser projetada. Tempos que os tricolores não guardam boas recordações - com problemas de planejamento, o rebaixamento à Série C veio anos depois.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Casoba, um dos fundadores da Flusocio, acredita que, naquela 'época sombria', o clube estava em situação de abandono e a maioria dos envolvidos na política do Fluminense não eram, de fato, tricolores. Até que o grupo começou a se formar.

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- Iniciamos numa época sombria do Fluminense, em que toda torcida percebeu uma trajetória perigosa. Parecia estar se apequenando. Nós pensamos em fazer algo pra ajudar o clube. Vi que não estávamos sozinhos. Pra nossa grata surpresa tinha mais gente com aquele mesmo objetivo - disse Casoba, ao LANCE!.

​Os 'patos novos', como eram conhecidos - pejorativamente - ganharam espaço dentro do clube, anos depois. Em 2003, antes mesmo da criação da Flusócio, chegaram ao conselho do Fluminense. Três anos depois, oficializaram-se como grupo político. A partir daí, a atuação nos bastidores do clube foi grande.

Em 2007, lançaram Peter Siemsen em campanha à presidência, que apesar de não ter ganhado na ocasião, venceu na eleição seguinte. Na final da Libertadores de 2008, fizeram cobertura da venda da polêmica venda de ingressos nas Laranjeiras, antes de repercussão nacional. Além de cobranças ao time quase rebaixado em 2009, criação de um serviço de atendimento aos novos sócios e direito de participar de votações, o grupo teve participação fundamental em um dos episódios mais controversos da história da instituição.





- Defendemos o clube de calúnias, ataques de membros da imprensa. Muitas vezes o clube não se defendia. Quando Horcades era presidente, Peter falou que nós, sim, fazíamos a defesa institucional. No caso da Portuguesa, em 2013, fomos esculhambados e o Flu ficou calado naquela ocasião - revelou Casoba.

Você acredita, então, que a Flusócio é um porta-voz dos torcedores dentro do próprio clube? Por isso se envolveram na história do rebaixamento da Lusa?

Em muitas vezes, sim, fizemos papel de porta-voz do clube e até da torcida. Em 2013, quando bloquearam todas as receitas, a Flusócio que fazia a defesa rigorosa. No caso da Portuguesa, achei que faltou postura. Não só eu, mas como todo mundo. Houve um bullying nacional e o Fluminense ficou calado. Um absurdo.

​O Fluminense tem 33 mil sócios - é apenas o 11º no ranking nacional. No entanto, tem mais sócios que Botafogo e Vasco. Vê esse número com bons olhos?

- Estamos em um processo, em um caminho. É melhor do que já foi mas ainda é pouco. O que está atrapalhando é a falta de estádio. Maracanã fecha para o Pan, para Copa, para as Olimpíadas. Esse é o problema, falta de estádio. Os times que estão muito bem em sócio-futebol são os que têm estádio. Um case de sucesso é o Cruzeiro, que joga no Mineirão e tem bons números (São 50.816 sócios, o 9º do ranking)

Ao LANCE!, Abad disse durante campanha do ano passado que pretendia construir um estádio para o Fluminense. Acha que é possível?

- A ideia do estádio está viva. Vejo um Abad com vontade, sim, de ter uma casa. Só que ele entra no clube e depara com uma série de outras prioridades. Precisa atacar as coisas mais urgentes primeiro, mas, acredito, sim.

O que os torcedores - e sócios - podem esperar dos próximos anos da Flusócio? Como pretendem ajudar o Fluminense?

Somos o maior grupo político tricolor e nosso objetivo é continuar trabalhando para que o torcedor venha pra dentro do clube. Queremos cidadãos tricolores, para consumir o Fluminense. Jamais usamos. Aqui tem médicos, advogados, engenheiros... Ninguém teve emprego do Fluminense. Crescemos dessa forma, sem interesses próprios e a única coisa que a gente quer é contar essa história, para que daqui a 15 anos, crianças se tornem torcedores do clube. Queremos construir essa identificação eternamente.

Fonte: Lancenet
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