Essa é uma daquelas histórias dignas de reconhecimento. Todos sabemos que a sessão de holofotes corresponde à uma mísera parcela no mundo do futebol. Em mais um desses casos sem o glamour ao qual estamos habituados diariametne está Clayton Divina. Carreira promissora e iniciada no São Cristovão, ao lado de ninguém menos que Ronaldo Fenômeno.
Mesmo tendo formado dupla com o craque mundialmente conhecido, Clayton, conhecido popularmente também como 'Grilo', não conseguiu trilhar os mesmos passos. Pelo clube carioca, empolgou e foi eleito o craque da Copa Mané Garrincha, no ano de 1992 (Fenômeno foi o artilheiro da mesma).
"Eu era a sensação do campeonato. O parceiro do Ronaldo. Mas me machuquei antes de estrear e me obrigaram a jogar. Tomei injeção e tudo", disse o agora ex-atleta em entrevista concedida no início do ano, ao jornal 'Extra'.
Posteriormente, passou por Grêmio, onde foi campeão gaúcho e teve rápida passagem pelo Fluminense, aos poucos, sua carreira diminuiria de expressão e ainda acumularia passagens por diversas outras equipes, com menos tradição no futebol brasileiro: Atlético de Três Corações (MG), Portuguesa (RJ), Taquaritinga (SP), Esporte Clube Taquara (RS), Deportivo Arabe Unido (Panamá), Sorriso (MS), Anortosis (Chipre), Olímpico (SE), Petrolina (PE), Águia Negra (MS) e Gênus de Porto Velho (RO).
Sua carreira, entretanto, acabou sendo prejudicada por diversas lesões. Por conta de uma delas (torção no joelho), pendurou as chuteiras aos 29 anos.
Hoje, ganha a vida como auxiliar em um hospital de São Gonçalo. Sua história, entretanto, vai além dos 600 reais ganhos mensalmente. Clayton Divina é responsável pelo projeto social Centro de Oportunidade ao Talento, que visa dar oportunidades à novos talentos da cidade e região.
Mesmo com o apoio de diversos nomes conhecidos no mundo do futebol. Como Roger ex-lateral do Fluminense e Grêmio, Diego Souza, meia do Vasco da Gama e Paulo Paixão, preparador físico do Grêmio, as dificuldades para manter o projeto são inegáveis, o que inevitavalmente, o leva para um flashback em sua memória.
"Quem sabe se eu tivesse hoje como Ronaldo não poderia fazer mais pelas crianças. Muitos querem, mas poucos conseguem. O futebol é muito ingrato", disse o ex-jogador, ainda em entrevista ao 'Extra'.
No entanto, abrigando o sonho de mais de 170 crianças entre cinco e 16 anos, Clayton luta para manter o projeto vivo, sob o slogan: 'Quem nunca sonhou em ser um grande jogador de futebol'.
Atitude digna de reconhecimento. Atitude digna de aplausos.
Para conhecer mais sobre o projeto e caso haja o interesse, contribuir, confira o portal do Centro de Oportunidaeds ao Talento,
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