Tricolor & cia - Por Guilherme Bastos
Sou um Economista, mestrando em Administração, que gosto muito de escrever, adoro esportes, louco por futebol e fanático pelo Fluminense.
Publicada em 15/11/2012
Tricolores do Mundo,
Não escrevo desde a eliminação da Libertadores 2012. Sim, quase seis meses separam este texto daquele ultimo publicado. Naquele dia, recheado de revolta e decepção, mas ainda ponderado e racional, escrevi que torceria por Corintians e Santos na Libertadores para que estes continuassem a usar seus times reservas no Brasileirão, aumentando nossas chances de sermos campeões. Dito e feito! O Santos perdeu na semifinal, o Corintians foi o campeão e nós, eliminados prematuramente da Libertadores pelo Boca Juniors com um gol no último minuto da partida, pavimentamos uma das melhores campanhas (com possibildade de ser a melhor) na história dos campeonatos brasileiros por pontos corridos vencendo no primeiro turno esses dois times (entre outros, é claro).
Vi muitos videos das comemorações em Presidente Prudente, no avião do time, no aeroporto, nas Laranjeiras. Fiquei rouco de tanto ouvir o Galvão Bueno gritar “É tetra, é tetra, é tetra!” relembrando seus tempos de Copa de 94 (e com certeza atendendo a pedidos de seu filho Cacá Bueno, tricolor de boa cepa). É amigos: se em 94 voltamos ao lugar mais alto do pódio futibolístico mundial enquanto nação, nosso tetra nacional confirma o total resgate do orgulho tricolor e de sua vocação para a vitória.
Muitos torcedores adversários têm a estranha mania de contar suas glórias do passado como se fossem presentes. Para nós, tricolores, o passado sempre representou nossa raiz, nossos valores. Sofremos ao longo de 15 anos com uma sequencia interminável de administrações claudicantes de nosso clube (por mais bem intencionadas que fossem) que não conseguiram solucionar a conta clube social + clube de futebol e conseguiram ser ruins nas duas parcelas. Elas danificaram de forma importante nossa raiz! Entre 1986 e 1999, o clube correu sérios riscos de continuidade e sobrevivência. Outros clubes nacionais passaram por isso ou ainda estão passando. Se analisarmos a história do futebol, muitos foram os clubes que tinham destaque no século passado e que hoje não existem mais ou simplesmente abandonaram o futebol e se dedicaram ao social apenas. Outros poderão incorrer pelo mesmo caminho. Mas não o Flu. Não este ícone do futebol tupiniquim. Não este “enorme” clube de tradições e vitórias mil.
Este ano de 2012 ficará marcado para sempre na história do clube extamente por isso: o passado voltou a ser apenas passado, com suas glórias e sofrimentos, com suas vitórias e derrotas, com seus orgulhos e vergonhas. Este Fluminense que agora se apresenta, traz consigo dois títulos nacionais em 3 anos (sendo que ficamos em um honrradíssmo 3º lugar em 2011), tendo conquistado no mesmo ano o campeonato carioca (somente em 1984 conseguimos este feito) e, neste mesmo ano, promoveu uma das mais imprtantes mudanças em seu estatuto, criando o sócio-torcedor, fonte de sustentação financeira e mudança política decisivas para seu futuro sustentável. É o resgate definitivo de nossa raíz.
Tudo isso se passava por minha cabeça no final do jogo contra o Palmeiras, enquanto brindava com um orgulhoso espumante com meus amigos Ricardo, Landry e Ubaldo, com esposas e filhos, todos numa corrente positiva. Mesmo as esposas que não se dizem tricolores foram contagiadas pela paixão de seus maridos e filhos. E talvez aqui esteja a maior lição de todas: paixão contagia! Deixemos que esta paixão tricolor recheada de orgulho, garra e muito desejo de mudar para melhor se espalhe pelo país e pelo mundo contagiando a todos que tiverem a paz, a união e o vigor unidos fortes em seus corações.
Saudações Tricolores
Publicada em 23/05/2012
Tricolores do Mundo,
Há algumas semanas não encontro inspiração para escrever. Muito trabalho na cabeça e, futebolisticamente falando, somente uma expectativa: o título continental. Fomos campeões estaduais deixando a cachorrada de quatro no primeiro jogo e simplesmente carimbando o titulo no segundo jogo. É sempre bom gritar “é campeão”, principalmente quando carimbamos uma freguesia que entra em seu segundo século. Mas, convenhamos, o título estadual está cada vez mais esvaziado por um modelo de disputa que é pouquíssimo atrativo aos times e torcedores. Cada vez mais valorizamos os títulos nacionais e internacionais, onde o Flu tem sido protagonista nos últimos 5 anos. Por isso venho concentrando minhas atenções na Libertadores e Brasileiro.
Mas acabamos de ser eliminados pelo Boca nas quartas de final da Libertadores e obviamente, meu humor não está em um de seus melhores momentos. Tentando ser racional em um momento de grande emoção, procuro analisar os fatos e entender o que aconteceu. Um fato irrefutável é que o futebol é o único esporte profissional onde nem sempre o melhor vence. Ou alguém discorda que a seleção de 82 era o melhor time do mundo naquele momento? Ou que o Chelsea não pode ser comparado ao Barcelona ou mesmo ao Bayern? Esta talvez seja uma das características mais apaixonantes do velho esporte bretão. O tricolor foi o melhor time da fase de grupos, no grupo que tínha o Boca e o Arsenal. Qual foi seu prêmio? Enfrentar Internacional nas oitavas e novamente o Boca nas quartas de final. Nada de Union Espanola, Cruz Azul e outros quetais. Às favas com o chavão “quem quer ser campeão não escolhe adversário”. Por exemplo, eu prefiro jogar a final do estadual contra a cachorrada do que contra um time grande como o nosso, sim! Mas não fomos bafejados pela sorte.
Para completar, os desfalques de Deco, Fred e Nem se mostraram mais dolorosos do que imaginávamos. Ficou claro nos jogos de BA e Rio que Rafa Moura teve uma fase mais inspirada mas que, nas CNTP, é um atacante não mais do que esforçado. Também confirmamos que Tiago Neves não aguenta a pressão de ser o protagonista. Sem Deco para dividir as atenções no meio de campo, ele se transforma em um meia não mais do que esforçado.
Por ultimo, me veio à memória nossa classificação à semifinal em 2008, quando marcamos o gol da classificação (eliminando o então todo poderoso São Paulo, que tinha o Imperador 30 quilos mais leve no ataque) com um gol aos 45 minutos do segundo tempo. O mundo é redondo e o mundo do futebol mais redondo ainda. Naquele dia, Muricy (então técnico do São Paulo) comentou a derrota dizendo apenas “Fomos nocauteados!” e hoje entendo perfeitamente o que ele disse.
De minha parte vou torcer para Corintians e Santos se classificarem na Libertadores e continuarem a jogar o Campeonato Brasileiro com seus times reservas. Assim teremos oportunidade de abrir alguma vantagem sobre dois dos principais concorrentes ao título. Sabemos que temos time para sermos campeões ou pelo menos ficar entre os três primeiros colocados. O sonho não acabou, só foi adiado!
Em tempo: cachorrada – raça em extinção - e mulambos ainda em clima de férias não tardaram em fazer comentários jocosos (sic) sobre nossa eliminação. Reação típica de desocupados que procuram esquecer a mediocridade de seus times focando no insucesso dos outros. Coitados...
Saudações Tricolores
Publicada em 12/03/2012
Tricolores do Mundo,
A última quarta-feira foi mais uma página gloriosa da história tricolor escrita a 20 pés e duas mãos. Enfrentávamos o todo poderoso Boca Juniors, que em 99 jogos pela Libertadores atuando em seu estádio (La Bombonera) havia perdido apenas 4 vezes. Este time defendia uma invencibilidade de 36 jogos. Para completar, havia empatado seu primeiro jogo nesta Copa Libertadores e precisava de uma vitória para não comprometer sua classificação para a próxima fase.
Neste ambiente, o esquadrão tricolor chega a Buenos Aires apoiado pela maior torcida de um clube estrangeiro que aquela cidade já viu. Quase 4 mil fiéis torcedores se deslocaram de seus lares para levar a energia tricolor às arquibancadas xeinezes. A maior parte deles apoiados por um pacote de viagem organizado pelo clube que garantiu conforto e segurança para a torcida dentro e fora do estádio. Pelos relatos, bola dentro da organização, tratando o jogo como um verdadeiro evento esportivo de alto nível.
O jogo foi um verdadeiro xadrez futebolístico. O Flu, regido pelo maestro Deco, foi determinado na defesa e preciso no ataque. Erramos muitos passes, sem dúvida. E contamos com a colaboração do adversário, que teve uma atuação abaixo de suas possibilidades e de seu histórico recente. O fato é que, em determinado momento, os 4 mil tricolores lá presentes calaram a torcida local – aquela que é conhecida mundialmente por não se calar nunca – e comemoraram a belíssima vitória e o passo decisivo dado para a classificação à fase eliminatória. Um verdadeiro “Bombonerázo”!
A noite de quarta-feira trouxe a alegria da vitória e, junto, as primeiras discussões sobre que time deveria enfrentar nossos arquirrivais mulambos. Afinal, todo tricolor de boa cepa quer vencer qualquer Fla x Flu em qualquer esporte sob qualquer conjuntura, principalmente no ano que o “embate dos embates” completa seu centenário. Assim, a possibilidade de poupar jogadores para o jogo de quarta-feira contra o venezuelano Zamora no Engenhão não fazia sentido para boa parte de nossa torcida. Afinal, tínhamos que aproveitar que o adversário vinha bastante desfalcado e desesperado pela vitória para aplicar-lhe uma sonora goleada.
De outro lado, torcedores (como eu) defendiam a escalação de um time misto tendo em vista que se jogássemos com todos os titulares corríamos desnecessariamente riscos de contusão e cansaço. Particularmente, minha opinião era que este jogo era semelhante a brigar com bêbado: se bater, é porque estava bêbado. Se apanhar, apanhou de bêbado! Ou seja, muito a perder e pouco a ganhar se colocasse os jogadores preferenciais. Defendi a utilização do restante do elenco, até porque acredito que temos qualidade em nosso banco para ganhar deles mesmo que estivessem com todos os titulares.
Veio o jogo e Abelão escalou um “mistão”. Mais do que poupar jogadores, nosso técnico deu oportunidade para alguns deles enfrentarem um verdadeiro jogo de futebol (e não aquelas peladas típicas de nosso campeonato regional). Dominamos o jogo mas fomos incapazes de converter o domínio em gols. A derrota por 2x0 foi muito ruim e de forma nenhuma correspondeu ao que aconteceu em campo. Mas isso é futebol.
Se não serviu para nos dar a alegria que uma vitória dessas gera, pelo menos serviu para mostrar que nossa defesa continua instável cometendo algumas falhas individuais de arrepiar careca, que Sousa motivado consegue jogar bem 45 minutos, que Wagner deixou seu belo futebol na Turquia e que Sóbis vive uma alternância de qualidade impressionante! Tiradas as lições, vamos nos concentrar no Zamora, que é realmente o que interessa nesse momento. Jogamos contra eles em casa e na casa deles em seguida. Duas vitórias em sequencia não só praticamente garantirá a classificação como também nos credenciará à melhor campanha da fase de grupos, nos dando o direito de decidir todas as partidas das fases eliminatórias em casa. Gosto muito de vencer Fla x Flus, odeio derrotas quando dominamos largamente o jogo, mas temos que ser pragmáticos. Libertadores vale o risco.
Em tempo: o presidente tricolor Peter Siemsen deu uma entrevista a Jorge Kajuru (sim, ele ainda está vivo!) tratando de forma bastante honesta sobre alguns assuntos polêmicos – saída de Muricy, saída de Emerson, relação com Unimed – e para quem se interessa pelos bastidores do clube é bastante interessante. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XJe6xyYqS4k
Saudações Tricolores
Publicada em 05/03/2012
Tricolores do Mundo,
A semana passou rápida. Duas peladas, uma derrota e uma vitória em jogos absolutamente desinteressantes e cá estamos, prontos e ansiosos, para o grande jogo da Bombonera.
A derrota contra o Resende do meio da semana atrapalhou um pouco os planos de Abel Braga, que contava descansar mais os jogadores que disputaram a semifinal e a final da Taça Guanabara. Sim, não chamo de time titular e reserva porque acredito realmente que times de futebol cada vez mais se parecem com times de outros esportes coletivos. Existe um time que inicia as partidas (ou campeonatos) mas eles serão alterados muitas vezes. Afinal, Rafael Sóbis, Rafael Moura, Souza, Valência (ou Edinho) e Jean, somente para citar alguns, seriam titulares na maior parte dos times brasileiros. Assim, justificamos a opinião de muitos jornalistas especializados que consideram o elenco tricolor um dos melhores do Brasil.
Voltando ao Cariocão, a derrota inesperada para o Resende fez com que tivéssemos que escalar jogadores que deveriam estar descansando, como Fred e Deco. E, convenhamos, nossa atuação ante ao “carrossel suburbano” de Nova Iguaçu não foi das mais entusiasmantes, a despeito da vitória. Pelo menos fizemos os três pontos, com dois gols marcados por Sóbis e um pelo jovem Matheus Carvalho em excelente jogada de Souza, todos jogadores que não iniciarão o jogo de quarta-feira. Como disse antes, temos elenco.
Estive na Bombonera no inicio deste ano. Obviamente, não resisti à tentação de entrar lá vestido com as três cores. Como eu, outros dois tricolores lá estavam. Buenos Aires estava repleta de tricolores. A despeito de uma ou outra brincadeira, fomos bem recebidos. Trata-se de um estádio pequeno, no meio de um bairro bastante popular em Buenos Aires, com quase nenhuma infraestrutura em seu entorno. Mas é um estádio onde o Boca escreveu sua história e a preserva de forma bastante profissional. Um pequeno museu recebe turistas todos os dias a 30 pesos a entrada e oferece um pedaço da história vencedora do clube, incluindo fotos com a Taça Libertadores ou a Taça Interclubes para fotos dentro do campo. Fiquei ali, imaginando um tricolor tirando fotos com a Taça Olímpica ou com a Libertadores que ganharemos em pleno Maracanã reformado ou então em um estádio que possamos chamar de nosso. Sim, eles estão anos-luz à nossa frente em termos de marketing e de estrutura. Mas como todo tricolor já sabe, marketing e estrutura não ganham títulos. O coração sim.
Em tempo: esta é somente a segunda rodada da primeira fase da Libertadores e já desperta toda essa emoção. Porque somos tão apaixonados por esse esporte e por esse clube? Coisas do coração tricolor...
Saudações Tricolores
Publicada em 27/02/2012
Tricolores do Mundo,
Como é bom gritar É CAMPEÃO!
Não importa se esse grito foi gerado por um título da Taça Guanabara, somente primeiro turno do nosso sempre criticado campeonato estadual. Defendo que um time para ser campeão precisa se acostumar a ser campeão. E levar para as Laranjeiras uma taça que não conquistávamos há 18 anos é um belo começo para um ano que temos expectativas continentais.
E melhor do que a simples conquista foi a forma que conquistamos. Depois de uma classificação sofrida para as semifinais, quando ficamos dependendo do resultado do jogo dos padeiros contra o Boavista, tivemos duas boas e convincentes atuações contra foguetes e padeiros. Na semifinal, enfrentamos um time com o melhor sistema de marcação do campeonato, tomamos o primeiro gol quando estávamos melhores no jogo, conseguimos empatar em gol de surpreendente calma de Leandro Euzébio (em belo passe de Deco), conseguimos manter a calma mesmo depois de Jean perder sua cobrança e esperar pela confirmação da fama de pegador de pênaltis de Cavalieri. Porém, continuávamos sem uma vitória em clássicos.
Enfim, a vitória veio na decisão contra o Vasco. Veio em alto estilo, com uma belíssima atuação de todo o time mas principalmente de Bruno, Diguinho, Thiago Neves, Deco e Fred. Claro que não há campeão sem sorte. Sim, acredito na chamada “sorte de campeão”! Senão, como explicar o gol perdido por Deivid na semifinal contra os padeiros e que definiu nosso adversário na final? Ou a bola na trave de Diego Souza que originou o contra ataque de Welington Nem e o pênalti para abrirmos o placar? Ou mesmo a cabeçada na trave de Dedé, logo após o gol vascaíno? Definitivamente, os deuses do futebol queriam nosso título!
Duas coisas ficaram claras: que nosso time esta começando a encaixar e que precisamos de jogos que realmente motivem os jogadores a procurarem seus limites. De nove jogos realizados pelo time campeão, apenas três ou quatro puderam ser considerados como “desafiantes”! É muito difícil conseguir atuações mais do que burocráticas quando se enfrenta Bangu, Olaria e outros quetais! Este campeonato estadual precisa ser revisto com urgência. Agora teremos duas rodadas totalmente desinteressantes antes do grande jogo contra o Boca na Bombonera. Este sim, um jogo que vale muito para qualquer jogador!
Em tempo: Luiz Roberto, narrador da Globo, ao fim do jogo: “E o Botafogo segue como único time grande do Rio que ainda não comemorou algum título no Engenhão!” Viraram time de jardineiros mesmo – aparam a grama para os outros jogarem!
Saudações Tricolores