Tricolor & cia - Por Guilherme Bastos
Sou um Economista, mestrando em Administração, que gosto muito de escrever, adoro esportes, louco por futebol e fanático pelo Fluminense.
Publicada em 08/03/2010
Tudo bem, vencemos!
Tricolores do mundo,
Aparentemente, meu período de “exílio” na bucólica e paradisíaca Alfenas chegou ao fim. Tive a oportunidade de arrumar minhas malas ainda na quarta-feira e estar no Rio para assistir, depois de muitos meses, o jogo do Flusão com meus filhos do lado. Sim, assisti pela TV pois não me animei de ir ao Engenhão, de noite e debaixo de chuva (apesar da insistência de meu amigo Jofre). Mas a felicidade de estar em casa com a família foi muito grande, quase superou a tristeza pela perda de um contrato importante.
A vitória sobre o poderoso Tigres, no entanto, não me deixou muito feliz. Alias, para ser mais preciso, diria que me deixou bastante preocupado. O placar (3x0) não traduziu a atuação apática e sem brilho do time, principalmente no segundo tempo. Terminado o jogo, estava eu bastante preocupado com nosso futuro na Taça Rio e mesmo com o jogo pela Copa do Brasil.
Mas veio o domingo pós-dilúvio e, ao que tudo indica, nossos jogadores devem ter ficado debaixo daquela chuva torrencial que inundou o Rio e lavaram a alma. Pois só uma lavagem de alma “em regra” explica a bela atuação que tivemos contra a cachorrada. Não que considere o time deles bom (sempre disse que não era). Aliás, atribuo ao Joel o título da TG, pois conseguiu arrumar o time para jogar fechadinho e aproveitar os contra-ataques (tática padrão Joel de qualidade). Só que dessa vez não funcionou! Joel falou nas entrevistas pós-jogo que houve uma “pane geral” em seus jogadores. Discordo! Jogaram todos da mesma forma que jogaram contra mulambos e bacalhaus. Só que naqueles jogos, principalmente contra os mulambos, os adversários perderam dezenas de oportunidades. Dessa vez, o Flu também perdeu muitas (a primeira do Fred, então, foi inacreditável!) mas conseguiu fazer dois gols e saiu vitorioso. Para termos uma idéia, a estatística de chutes a gol foi 20x4 para o Flu, sendo que eles não chutaram nenhuma vez a nosso gol na segunda etapa. (fonte: Sportv)
Cabe ressaltar que no gol que sofremos (de pênalti) a jogada se inicia com impedimento de um zagueiro alvinegro, continua com uma falta de Herrera em Diguinho e termina com uma pixotada do Maicon (a segunda dele em lances semelhantes – a primeira foi ano passado). Como o garoto está realmente se transferindo para o CSKA, dou um desconto pois a cabeça deve estar aceleradíssima. Mas não fosse assim, eles não conseguiriam sequer acertar nosso gol!
Enfim, acredito que todos nós tricolores começamos a semana bem mais confiantes. Uma vitória convincente como esta deve gerar o entusiasmo necessário para passarmos pelo Confiança sem problemas. E nos prepararmos para enfrentarmos os reis do bacalhau. Mas não podemos esquecer que agora disputamos apenas vagas nas semi-finais. Ai sim vamos saber quem tem garrafa velha para vender.
Em tempo 1: Que golaço do Fred! Já vinha tentando acertar esse voleio há algum tempo. Demorou a acertar, mas ficou bonito!
Em tempo 2: A saída do Maicon é inevitável. E não adianta ficar chorando, reclamando que nossos jogadores saem muito cedo, etc etc. Que Wellington Silva (que ontem entrou muito bem mais uma vez) o substitua até o fim do ano, quando também sairá. Essa é a rotina de um clube mergulhado em dívidas. Agora, vai entender porque o Santos conseguiu segurar Robinho, Diego, Elano e agora, Neymar, Ganso e André e nós mal seguramos Wellington, Maicon e Alan...
Em tempo 3: Vale a pena uma olhada no post do excelente blog OCE que trata sobre a recente decisão da International Board (os chamados “velhinhos da FIFA”). Discussão prá lá de interessante (http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/07/international-board-decide-o-fator-humano-continua/).
Saudações Tricolores
Publicada em 01/03/2010
Tudo bem, vencemos. Mas...
Tricolores do mundo,
Vencemos o poderoso “Frizão” com placar elástico e gols de todos os estreantes. Nossos laterais participaram ativamente do jogo, principalmente na parte ofensiva. Conca voltou a mandar no meio de campo. Fred voltou a marcar gol de pênalti. Wellington prodígio fez sua estréia tão sonhada no Maracanã com o manto sagrado. Enfim, poderíamos chamar de uma tarde tricolor perfeita.
Mas confesso que estou ficando mais critico e exigente. Alias, ficando não, mas resgatando um espírito crítico que ficou adormecido pelo pânico do rebaixamento e pela reação fantástica do final de 2009. Espírito crítico que renasceu graças à derrota ridícula contra a mulambada, a desclassificação para a final contra o Vasco e, cereja do sundae, o tenebroso empate contra o Confiança.
Na verdade, o que vimos ontem no Maraca foi um time muito superior ao outro e com muita vontade de vencer e convencer. Mas nada mais do que isso. O Friburguense, antigo Fluminense de Nova Friburgo, não ofereceu nenhuma resistência. Marcação frouxa e muito pouco talento entre seus jogadores. Resumindo, um Confiança com menos vontade de jogar. Fizemos o que temos que fazer sempre que tivermos essa possibilidade. Vencer com convicção. Afinal, quando poderemos ver novamente em campo nosso time armado com Fred, André Lima e Maicon (terminamos assim o jogo)? Acredito eu que em muito poucos jogos, sempre contra Friburguenses, Confianças e afins.
Espero, agora, por uma vitória consistente, uma atuação firme e decidida, contra um time grande. Teremos Vasco e Botafogo pela frente. Se queremos realmente ser campeões, temos que vencê-los e entrar nas semi-finais como favoritos. E, claro, confirmar nosso favoritismo. Time grande é isso! Nosso meio de campo tem que ter alternativas para uma marcação mais firme em Conca, nosso ataque tem que fazer gols quando poucas forem as chances, nossa defesa não pode deitar em berço esplêndido achando-se inexpugnável. Vamos enfrentar o Tigres e depois a cachorrada. Ai sim poderemos avaliar se o time se firmou e resgatou a atitude do fim do ano passado ou não.
Em tempo: Tinga tem sido um nome muito badalado no laranjal ao longo dos últimos dois anos mas especialmente nos últimos dias. Considero um bom nome mas não me parece uma posição que estejamos carentes. E a estréia de Wellington provou que tínhamos uma excelente opção para Maicon dentro de casa. Vai entender porque não a utilizávamos...
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Publicada em 23/02/2010
Pode ser falta de assunto... ou sobra.
Tricolores do mundo,
Semana de muita fofoca, alguma movimentação política, dor de cotovelo e nada mais.
As fofocas ficaram por conta da possível saída de Fred, dessa vez insufladas pelas declarações maldosas do recém-contratado técnico do chiqueiro. Claro que onde há fumaça, há fogo. Não sejamos tão tolos de achar que isso é só um factóide. Fred será sempre assediado. Está no Fluminense não por dinheiro nem por amor ao clube. Está aqui pelo sonho de disputar a Copa do Mundo. No entanto, mesmo que tenha chegado à conclusão que o Flu não é a vitrine ideal, sabe também que uma troca agora de quase nada adiantará. Até conseguir se adaptar à uma nova estrutura, poderá ser tarde demais. Assim, suas fichas estão todas apostadas no Tricolor. E por isso seu atual discurso motivador e incentivador (às vezes chegando às raias da bravata) tem um objetivo: o manter na mídia. Um título é fundamental para manter as poucas chances que restam.
Outra fofoca é a provável venda de Maicon. Essa me parece favas contadas. Se ele vai para a Ucrania, Russia ou um mercado menos pior eu não sei. Mas dificilmente nossos dirigentes poderão abrir mão de uma receita em euros, por menor que ela seja (tendo em vista que boa parte dos direitos sobre nosso “Bolt” pertencem à Traffic).
A partir dessa constatação (que precisamos de qualquer receita) entendemos um pouco mais a parte política do clube. Nesse ano teremos eleições e nosso clube ainda exerce muita atração, tanto aos bem quanto aos mal-intencionados. As últimas reuniões do Conselho Deliberativo mostraram a vergonha que ainda impera nas administrações clubísticas tupiniquins (afinal, não estamos sozinhos nisso). A discussão sobre orçamento de 2009 (sim, estão agora discutindo uma alteração de um documento que trata sobre um dinheiro já gasto!) e o de 2010 (outra peça de ilusionismo) só serviu para situação e oposição mostrarem suas garras e nossa vergonha. E, assim como é difícil entender as sutis diferenças entre PT e PSDB, também é difícil entender quem é situação e quem é oposição. Para completar, temos um grupo idealista, que tem seu grande valor, mas se comporta tal qual o PSOL, incompetente em encontrar um caminho virtuoso ao poder. Enfim, o micromundo futibolístico e o macromundo político sempre se conectam.
A dor de cotovelo fica por conta de termos visto o pior dos assim chamados “quatro grandes” do futebol carioca sair com a Taça Guanabara nas mãos. A cachorrada fez a pior campanha mas, a bem da verdade, venceu dois clássicos e garantiu vaga na final do campeonato. Nos resta, apenas, acreditar no discurso ufanista de Fred e lutar para sermos finalistas também.
Em tempo: Matéria bastante interessante feita pelo Esporte Espetacular (http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1215384-7824-MULHERES+QUE+AMAM+FUTEBOL+SE+REUNEM+NUM+BAR+PARA+FALAR+SOBRE+A+PAIXAO+NACIONAL,00.html) onde diversas mulheres, torcedoras de times de todo o Brasil demonstram rapidamente seus conhecimentos sobre futebol. Numa época onde selvagens travestidos de torcedores se matam nos arredores dos estádios, tudo que o futebol precisa é da inteligência emocional feminina. Quem não viu, vale a pena.
Em tempo 2: o comentário acima não tem nenhuma relação com o Richarlyson, por favor!!
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Publicada em 17/02/2010
E quem deveria decidir não decide
Tricolores do Mundo,
Estive sem internet durante o Carnaval, por isso essa edição tardia.
Perdemos nos pênaltis, exatamente da forma que havíamos vencido nas ultimas duas vezes que encontramos os bacalhaus em semi-finais. É o fim do mundo? Não, de forma nenhuma! Jogamos bem e poderíamos ter vencido. Mas não vencemos. Como, aliás, não vencemos há 17 anos. Definitivamente, Fluminense e Taça Guanabara não têm conseguido combinar interesses.
Analisar derrota (apesar de termos empatado em zero no tempo normal) nunca é prazeroso. Obviamente, gostaria de estar escrevendo aqui sobre a expectativa de reencontrar o Império do Mal (aliás, do Amor...) e vingar aquela inefável derrota do turno. Mas, como isso não é possível, vamos procurar não nos ater ao óbvio, por mais difícil que isso seja.
Começamos a perder o jogo quando Maicon não se recuperou a tempo. A aposta de Cuca em Bruno Veiga como um segundo atacante de velocidade (ao invés de entrar com Alan, que procura mais a área) não deu certo. E tivemos um primeiro tempo de muita marcação e pouquíssimas oportunidades de gol. Verdade seja dita, nossos adversários, como previsto, entraram com uma disposição impressionante na marcação e nosso meio de campo, com sua criatividade toda concentrada em Conca, criou muito poucas oportunidades ao ataque.
Veio o segundo tempo e trouxemos Alan, que deu mais dinamismo ao ataque. Os bacalhaus se fecharam ainda mais, explorando os contra-ataques de forma bastante perigosa, principalmente com a dupla Phillipe – CA. Mas, sem duvida, as melhores oportunidades foram nossas. Eles concentraram suas ações pelo lado direito de nossa defesa, segurando o Mariano e deixando o pouco produtivo Julio César com mais liberdade. As entradas de Tiaguinho e Marquinho (é muito “inho” para um time só!) de nada adiantaram. E, se por um lado anulamos completamente o homem-gol deles (Dodô), por outro nosso homem que decide não foi feliz. Fred teve, pelo menos três boas oportunidades e não converteu nenhuma delas. Ou seja, não fez aquilo para o qual é pago para fazer. O sonho de seleção fica muito mais distante dessa forma. Não basta fazer muitos gols. Artilheiro tem que fazer os gols decisivos também.
É ai que o individual supera o coletivo. O esporte coletivo normalmente funciona de forma sinérgica, ou seja, o resultado final é maior que a soma das partes. Boas atuações individuais somadas geram uma atuação coletiva melhor. Ao contrário, atuações individuais abaixo da média geram um resultado coletivo pior.
E o ápice do individual é a disputa de pênaltis. Aquele momento solitário, onde cada jogador se vê face a face com seu destino. Portanto, nada de crucificar Alan, garoto ainda e que perdeu o pênalti mais importante que já bateu até agora em sua vida profissional. Nesse tipo de decisão, sempre vai haver, pelo menos, um “vilão”. Dessa vez, o “vilão” estava do nosso lado. Mas cabe registrar que Maicon perdeu um pênalti na decisão do mundial sub-20 ano passado e agora Alan perdeu este pênalti. Não considero isso uma coincidência. Isso denota um problema na formação psicológica dos atletas de Xerém e que precisa ser trabalhado já. Considerar que isso é coisa normal do jogo me parece erro crasso.
Que venha o segundo turno, recheado de jogos da Copa do Brasil. Desde o inicio da temporada, nossa comissão técnica disse que a TG serviria quase como uma pré-temporada. Tudo certo para tirar um pouco a pressão do grupo, mas valia título e isso é o que mais a torcida tricolor quer nesse momento. Mas historicamente somos mais produtivos no segundo turno. E temos time para vencer.
Em tempo: Meu cumpadre Daniel Billio é responsável pela programação do “TAM nas Nuvens” e produziu um belo compacto com a história do Tricolor, também disponível no Youtube no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0jSnzQj8TRE&feature=player_embedded. Vale o registro: a assessoria de imprensa do Flu, ao contrário das de outros grandes clubes, ajudou muito pouco. Não fosse o diretor tricolor de boa cepa, ou não teríamos o filme ou ele não faria jus a nossa história. Parabéns Danuca!!
Saudações Tricolores
Publicada em 08/02/2010
Afinal, elas combinam muito bem com bacalhau
Tricolores do mundo,
Aconteceu tudo como o previsto. As semi-finais sonhadas pelos organizadores do campeonato se formaram. Pegamos os bacalhaus e a cachorrada encara a mulambada. Vejo nosso jogo bem mais equilibrado do que o deles, mas não podemos desprezar a experiência de Billy Joel Santana em campeonatos cariocas. A mulambada, como já disse, pega um freguês eterno tentando se reerguer. Mas muitíssimo pressionada pela necessidade de vencer o primeiro turno a qualquer custo pois o segundo será todo atrapalhado pelos jogos da Libertadores. Pode ter alguma surpresa ai.
Já o jogo de quarta-feira de cinzas será um teste definitivo para esse chamado grupo de guerreiros. Não jogamos bola desde o segundo tempo do Fla x Flu. Foram duas exibições bastante fracas, sendo esta ultima, contra o Olaria, um verdadeiro show de horrores. Claro que estávamos bastante desfalcados, mas enfrentamos um time bastante desfalcado também e que, de positivo, apresentou apenas uma boa disciplina defensiva. Na verdade, o Olaria jogou muito mais contra os mulambos no meio da semana. Por sorte nossa, o elenco deles é ainda pior que o nosso!
Cabe destacar mais uma boa atuação de Bruno Veiga, que começa a se firmar como reserva no grupo. E, claro, a volta de Digão, nosso deus de ébano da raça tricolor. Sempre com bastante disposição não só para se antecipar às jogadas do ataque adversário mas para carregar a bola para o ataque, foi bom ver o garoto retornando. Mas ficou só nisso. Mesmo jogando com um jogador a mais boa parte do jogo, produzimos muito pouco.
Vamos enfrentar um time bastante organizado mas que também não tem jogado muita bola não. Carlos Alberto, que vem sendo tratado como ídolo, continua em sua gangorra técnica, alternando altos e baixos. Obviamente, deve entrar com disposição extra para enfrentar seu time do coração e isso pode ser um ponto a favor do bacalhau da colina. Ressalte-se também a subida de produção do Phillipe Coutinho, garoto de 17 anos e que já está vendido ao futebol europeu. Alias, o Flu tem um caso semelhante em seu elenco (Wellington) que pelo menos poderia estar dando ar de sua graça nos próximos meses, antes de partir para a Europa. Claro que, em nosso caso, a competição por vaga no meio de campo é maior que na colina. Mas gostaria de ver o garoto em campo, pelo menos em jogos como o de ontem.
Enfim, passaremos uma longa semana esperando o jogo. Carnaval no meio para descontrair (ou desconcentrar). Temos tempo de recuperar os lesionados e, principalmente, recuperar o espírito guerreiro que andou meio esquecido nos últimos dias. Quero muuuuito encontrar a mulambada na final da TG.
Em tempo: comentário que rola pelas ruas carnavalescas do Rio: para completar o “Império do Amor” tá faltando o falecido Lafond...
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com