Colunas é no FutNet - Tudo sobre  Colunas

Pesquisa personalizada
Reminiscência - Por Ariovaldo Izac
Jornalista esportivo há 22 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas. Atualmente é Editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Publicada em 17/06/2013
O atacante Romário jogou futebol profissionalmente até os 42 anos de idade, no Vasco da Gama, quando interinamente assumiu a condição de treinador em 2008. Não conta o ano seguinte quando admitiu a inscrição de seu nome como jogador do América (RJ), para a disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro da segunda divisão.

Avanços da medicina esportiva, novas técnicas de preparação física e de fisioterapia têm sido fundamentais para o prolongamento de carreiras de jogadores como Rivaldo e Rogério Ceni - 40 anos de idade -, Paulo Baier (Atlético Paranaense), Seedorf (Botafogo) e Zé Roberto (Grêmio), que já completaram 38 anos de idade.

Provavelmente nenhum deles terá condições de avançar no futebol profissional até os 47 anos de idade como o meia uruguaio Rubens Walter Paz Márquez, nascido em Artigas, fronteira com o Brasil, que encerrou a carreira em 2006 no Pirata Junior do Uruguai.

É reconhecido que nos últimos seis anos como atleta intercalou passagens em equipes amadoras e profissionais, registrando trajetória de 29 anos ligados a clubes e selecionado uruguaio, com 12 gols nas exatas 50 partidas vestindo a camisa celeste, entre elas nas Copas do Mundo de 1986 no México e 1990 na Itália, e no título conquistado do Torneio Mundialito de 1980, torneio amistoso comemorativo aos 50 anos da primeira edição da Copa do Mundo, disputado no Uruguai, com participações ainda de Brasil, Argentina, Alemanha, Itália e Holanda.

Embora seja um uruguaio com rica história no Peñarol, é impossível recapitular o histórico dele sem que seja dada conotação na passagem pelo Inter (RS), no período de quatro anos, a contar fevereiro de 1982. Ali justificou a fama de meia cerebral que pensa o jogo e cria as principais jogadas para o ataque. No primeiro ano de clube, na final do Campeonato Gaúcho, foi tido como o principal jogador na vitória sobre o rival Grêmio por 2 a 0, resultado que garantiu o título daquela temporada, assim como chegou ao tricampeonato em anos subsequentes.

Na temporada de 1982, o Inter excursionou à Europa e ganhou do Barcelona. O time base era formado por Benitez; Edevaldo, Mauro Pastor, André Luís e Bereta; Mauro Galvão, Ademir, Cléo e Rubens Paz; Paulo César e Silvinho. E se o time fazia sucesso na competição regional, não disputava título no Campeonato Brasileiro. Em 1985, por exemplo, foi desclassificado na fase semifinal ao perder para o Bangu por 2 a 1, no Estádio do Beira-Rio.

Ruben Paz atuou em equipes de expressão até os 34 anos de idade. Depois, trilhou longa estrada da volta no futebol em equipes de segunda divisão do Uruguai e da Argentina. “É saudável jogar futebol, e me fazia bem estar no meio dos jovens. O problema é o dia-a-dia, o treino”, revelou o uruguaio, que havia assumido a condição de auxiliar técnico no Peñarol, e projeta brevemente seguir a carreira solo.
Publicada em 12/06/2013
Numa coluna publicada em junho de 2006, dois anos após o encerramento da vitoriosa carreira de atleta, quando Silas havia se transformado num empresário de rede de pastelaria em Campinas (SP), pincei trecho de entrevista em que ele revelou o seu lado espiritual: "Em primeiro lugar sou cristão, em segundo lugar atleta. E ser um atleta de Cristo é não ter vida dupla. É entender que pecado é sempre igual. Não tem essa de pecadinho e pecadão".

Por que focar o treinador Silas? Porque ele assume o comando do elenco da Ponte Preta, revivendo épocas em que campineiros natos eram prestigiados pelo clube na função, casos de Cilinho, Zé Duarte, Robertinho Moreno, Celsinho Teixeira e Pardal.

Silas, 47 anos de idade, ainda rotulado de Atleta de Cristo, conhece os caminhos do Senhor desde que se entende por gente, porque veio de berço evangélico. Por sorte pôde desenvolver sua habilidade nos campinhos do bairro Vila Teixeira, em Campinas, onde morava na infância, porque não era membro de denominação pentecostal, na época extremamente doutrinária. Proibia o seu membro de jogar futebol, por julgar a prática um ato pecaminoso.

Silas foi levado às categorias de base do São Paulo em meados da década de 80, e teve a sorte de trabalhar com o paciencioso Cilinho (Otacílio Pires de Camargo), que lapidava jovens talentosos. Assim, integrou um grupo renovado e competente de jogadores, como os atacantes Muller e Sidnei, que se juntaram aos experientes Pita e Careca e Oscar, meia, atacante e zagueiro, respectivamente.

Silas foi ponta-de-lança de respeito no São Paulo. Fazia a bola girar, dava ritmo ao time, e chegava à área adversária para completar jogadas. Não era goleador, mas pegava bem na bola de média distância.

Essas virtudes os levaram às Copas de 1986 no México e 1990 na Itália, sempre como reserva. Na primeira convocação, registrou o histórico de ter entrado em campo apenas aos 41 minutos do segundo tempo, na partida contra a Costa Rica. Na segunda vez, entrou nas partidas contra Suécia, Costa Rica e Argentina. O time base do Brasil, comandado por Sebastião Lazaroni, foi de Taffarel; Ricardo Gomes, Mozer e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo e Branco; Müller e Careca. Daquele grupo, Silas, Jorginho, Taffarel e Alemão eram atletas tidos como ‘crentes’, alguns bem fervorosos, com bíblia embaixo do braço e insistentes pregações na tentativa de converter o próximo.

Na época, Silas jogava no Sporting de Portugal, e transferiu-se no ano seguinte para o Ceseno e depois Sampdoria da Itália. No retorno ao Brasil, em 1992, passou por Inter (RS) e Vasco, antes de jogar no argentino San Lorenzo. A última experiência no exterior foi no Kyoto Purple Sanga, do Japão. Em 2000 esteve no Atlético Paranaense e depois no Rio Branco de Americana (SP) e América de Minas.
Publicada em 03/06/2013
O meia Giovanni foi mais um dos exemplos de ídolos relegados, de quem sequer teve direito a partida de despedida no Santos, após brilhante carreira como jogador de futebol. Agora, de volta ao Estado do Pará, onde nasceu no dia 4 de fevereiro de 1972, deve ter refletido que poderia ter encerrado a carreira bem antes dos 38 anos de idade, que não precisaria registrar terceira passagem pelo Santos, clube que atingiu projeção no triênio de 1994 a 1996, que implicou em transferência ao Barcelona da Espanha, onde jogou ao lado de Ronaldo e Rivaldo.

O futebol clássico e objetivo que mostrava foi preponderante para que a remontada equipe santista embalasse e disputasse o título do Campeonato Brasileiro de 1995 contra o Botafogo (RJ). Após derrota por 2 a 1 no Estádio do Maracanã, o Santos tinha convicção que reverteria a vantagem no Estádio da Vila Belmiro, diante de 28.488 pagantes. Todavia, arbitragem danosa do mineiro Márcio Rezende Freitas impediu.

O juizão anulou gol legítimo do atacante santista Camanducaia e ainda validou gol em posição de impedimento do centroavante Túlio Maravilha, do Botafogo. Assim, com o empate por 1 a 1, foi a equipe carioca quem levantou o caneco, ocasião em que o time do Santos contava com esses jogadores: Edinho; Marquinhos Capixaba, Ronaldo Marconato, Narciso e Marcos Adriano; Carlinhos, Marcelo Passos, Giovanni e Robert; Jamelli e Camanducaia.

Giovanni pegava bem na bola e por isso arriscava finalizações de média distância. Também era cobrador de faltas e explorava a estatura de 1,90m para marcar gols de cabeça. Assim, com diversidade de virtudes, passou a ser convocado à Seleção Brasileira. O histórico é de 20 partidas, seis gols, participação no título da Copa América de 1997 na Bolívia e, já na Copa do Mundo da França, ano seguinte, atuou na vitória por 2 a 1 sobre a Escócia.

Já em 1999, ao se desentender com o treinador Louis van Gaal, do Barcelona, Giovanni foi atuar no Olympiakos da Grécia, e fixado como atacante. A volta ao Brasil, novamente no Santos, deu-se em 2005 e se prolongou até dezembro de 2006, com a chegada do treinador Vanderlei Luxemburgo à Vila Belmiro, que optou por dispensá-lo.

Giovanni ainda tinha mercado fora do país e foi jogar no Al Hilall da Arábia Saudita, sem o brilho de outrora. Ali poderia ter encerrado a carreira, mas a convite de Rivaldo, então presidente do Mogi Mirim, topou jogar no interior paulista, apesar de que a meta para encerramento de carreira era no Santos, que o recontratou em 2009, ocasião em que ele já havia trazido de Belém para a Vila Belmiro o meia Paulo Henrique Ganso.

Um ano depois, relegado, Giovanni Silva Oliveira deixou os gramados abruptamente, irritado com a reserva. Restou a lembrança das passagens pelo trio paraense - Tuna Luso, Remo e Paysandu - e Sãocarlense no início de carreira.
Publicada em 27/05/2013
De uns tempos pra cá jogador de futebol passou a ser identificado por nome composto, o que contrasta com décadas passadas quando os apelidos eram comuns. Nos anos 60 e 70, locutores de futebol narravam jogadas de um atacante chamado pelo monossílabo tônico de ‘Dé’, que surgiu no Bangu e posteriormente passou por Vasco e Botafogo no futebol do Rio de Janeiro.

Dé, que atuava como meia-direita e centroavante, fazia muitos gols. Era rápido, habilidoso e sobretudo manhoso para cavar pênaltis. Quem acha que o ex-corintiano Jorge Henrique e o cruzeirense Dagoberto abusam ao simular lances de faltas dentro da área, devem saber que não há comparativo com a malandragem de Dé, capaz de tropeçar propositalmente nas próprias pernas com tamanha perfeição, e assim enganar árbitros. A percepção era de que ele tivesse sido calçado pelo adversário.

Dé era tão catimbeiro quanto indiscreto. Numa das preleções do saudoso treinador Otto Glória, véspera de uma partida do Vasco, ele quebrou a seriedade ao infiltrar-se ao lado do ‘treineiro’ na roda de atletas. Aí, repentinamente entortou um copo d’água em cima do papel da prancheta, ilustrada com desenho do esquema tático proposto, para desespero de Otto.

- Que é isso Dé? Tá maluco?

- Não, professor. Mas e se chover o que a gente faz?

Eram freqüentes atitudes inesperadas de Dé. Na época em que uma camada de areia fina cobria toda pequena área nos campos, o desajuizado Dé atirou um punhado de terra nos olhos do goleiro Andrada, do Vasco, durante cobrança de falta favorável ao Bangu. Aí a bola entrou e o gol foi validado.

Outro registro foi na função de treinador do Olaria, quando se irritou com um gol anulado favorável ao seu time. Simplesmente abandonou o banco de reservas e se dirigiu mais cedo ao vestiário. “Estou saindo para não ver esta pouca vergonha”.

Por sinal, foi no Olaria em que tudo começou para Dé no futebol. Em 1966, quando as partidas preliminares brindavam torcedores que chegavam mais cedo aos estádios, ele marcou três gols da equipe juvenil num empate por 4 a 4 com o Bangu, e por isso o treinador Martins Francisco, do time de Moça Bonita, recomendou a contratação dele.

No Bangu, Dé se juntou a Luís Alberto, Ubirajara, Jaime e Aladim, remanescentes daquele desmanchado time campeão carioca de 1966. E lá ele ficou até 1970, quando foi contratado pelo Vasco, onde jogou num time formado por Mazaropi; Toninho, Abel Braga, Renê e Marco Antonio; Zanata e Zé Mário; Fumanchi, Dé, Roberto Dinamite e Luís Carlos.

Domingos Elias Alves Pedra é o nome de registro de Dé, nascido em Paraíba do Sul, município do Rio de Janeiro, que completou 65 anos de idade em abril passado. Ele foi atleta do Sporting de Lisboa no biênio 1975-76, enquanto na Arábia Saudita teve passagens quer como jogador, quer como treinador.
Publicada em 20/05/2013
Quando se imagina que o regime estritamente profissional no futebol encurta espaço a boleiros fumantes, logo surgem exemplos que derrubam por terra esta afirmação. O meia Douglas, do Corinthians, é um dos tabagistas, de certo pressionado diuturnamente para abandonar o vício, como foram ex-jogadores como o goleiro Marcos, meias Neto, Zenon, Sócrates e o atacante Casagrande, décadas passadas.

O tema em questão justifica-se porque 31 de maio é o
Dia Mundial de Combate ao Fumo, criado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Só no Brasil morrem 200 mil pessoas a cada ano por causa do cigarro.

Substâncias maléficas do cigarro caem na corrente sanguínea e facilitam acúmulo de gordura, que impedem a circulação correta do sangue no organismo. Conseqüências: gangrenas - que resultam em amputação de membros - e falta de oxigenação nos órgão.

O fumante tem consciência disso e ainda é alertado nos invólucros de cigarros de figuras em forma de caveira, fato que contrasta com o período em que ele era persuadido através de propagandas no rádio e televisão, até que fossem proibidas em 1971. Anos depois, apertou-se o cerco contra viciados, com proibições em aviões, ônibus, restaurantes e locais de aglomerações de pessoas, sem que isso fosse suficiente para sensibilizá-lo.

No período de vigência, tais propagandas eram estreladas por galãs de cinema e passavam a impressão de glamour. O ex-meia Gerson Nunes de Oliveira, tricampeão mundial no México pelo Brasil, e fumante inveterado, gravou comercial da marca de cigarro Vila Rica com slogan que induzia o fumante a levar vantagem em tudo. Ele jamais previa que o slogan se transformaria na ‘Lei do Gerson’, atribuída aos espertões.

No passado, boleiro fumava até pouco antes de entrar em campo. O atacante Servilho - já falecido - um dos melhores cabeceadores que passaram pelo Palmeiras, assistia parte de jogos preliminares com cigarro entre os dedos na década de 60. Os ex-meia Américo Murolo, também ex-palmeirense, fumava até em intervalos de partidas, no banheiro. O saudoso Sócrates, num jogo do Corinthians em Americana (SP) contra o Rio Branco, apanhou um cigarro do bolso de um amigo, e só após três tragadas o atirou num canto do fosso que dá acesso aos vestiários do Estádio Décio Vitta.

Nos tempos de boleiros fumantes convivia-se com os “serrões”. O são-paulino Benê, já falecido, era capaz de consumir um maço de cigarro de colegas. O ex-lateral-direito Deleu, seu companheiro de clube e avesso ao fumo, bronqueava quando alguém acendia cigarro perto dele. E nas caronas avisava: “Fedô de cigarro não entra no meu carro”.

Foi o período em que treinadores como Oswaldo Brandão, Ênio Andrade e Ébua de Pádua Lima (Tim) davam mau exemplo ao provocarem fumaceira no banco de reservas.
Anterior
Copyright © 2002-2011, FutNet - Todos os direitos reservadosClicky