O Campeonato Brasileiro tem um novo líder. O Cruzeiro foi até São Januário, venceu o Vasco por 3 a 1 e assumiu a primeira posição do Brasileirão. Mesmo atuando na casa do adversário, a Raposa não tomou conhecimento da invencibilidade vascaína – em cinco jogos, a equipe cruzmaltina havia vencido quatro e empatado um – e venceu o confronto com propriedade. Os gols da Raposa foram marcados por Montillo, Wellington Paulista e Anselmo Ramon, com Rodolfo descontando para o Vasco.
Para alcançar a vitória, o Cruzeiro contou com uma boa atuação de Montillo, que encerrou um jejum que já durava nove jogos sem balançar as redes. O argentino abriu o caminho para a vitória celeste com um belo gol de perna esquerda nos minutos finais do primeiro tempo e deu uma bela assistência para o lindo gol de Wellington Paulista, que encobriu o goleiro Fernando Prass com uma finalização clínica.
Sem Juninho, o Vasco esbarrou na falta de criatividade de seu meio-campo e na falta de inspiração de seus principais jogadores. Dedé, ainda sem ritmo, encontrou dificuldades com o ataque cruzeirense, sobretudo com o veloz Fabinho e Diego Souza praticamente não foi visto em campo. A equipe de Cristóvão Borges subiu de produção quando Felipe foi deslocado para o meio-campo, mas as investidas ofensivas vascaínas foram bem anuladas pela bem colocada marcação cruzeirense.
Com a vitória, o Cruzeiro chegou a 14 pontos em seis jogos (quatro vitórias e dois empates) e assumiu a liderança, deixando o Vasco na segunda posição, com 13 pontos (quatro vitórias, um empate e uma derrota). Dessa forma, a Raposa agora é uma das três equipes invictas na competição, juntamente com Flamengo e Fluminense. As duas equipes voltam a campo no próximo sábado (30), pela sétima rodada do certame: o Cruzeiro recebe o São Paulo no estádio Independência, enquanto o Vasco recebe a Ponte Preta, em São Januário.
O JOGO
Sem Juninho Pernambucano, gripado, o técnico Cristóvão Borges optou por reforçar a marcação de seu meio-campo em detrimento da criatividade e mandou a campo três volantes – Nílton, Rômulo e Fellipe Bastos –, com Diego Souza isolado na armação. Do lado do Cruzeiro, o técnico Celso Roth também mandou três homens de marcação a campo. Leandro Guerreiro, Charles e Willian Magrão fechavam os espaços, incumbindo a Montillo a solitária tarefa de organizar a Raposa ofensivamente.
Ambos os lados conviveram com a mesma situação: três volantes marcando somente um armador. Com isso, coube aos próprios volantes a missão de tentar armar as jogadas de suas respectivas equipes. Do lado vascaíno, Fellipe Bastos era o que mais saía para o jogo, aparecendo nos flancos do campo a todo tempo, enquanto Charles, pelo Cruzeiro, rodeava o meio-campo, atuando no suporte a Montillo.
Roth dispôs sua equipe em um esquema assimétrico, com Willian Magrão preso pelo lado direito, incumbido de conter os avanços de Felipe, escalado na lateral-esquerda. O comandante celeste fez o contrário do lado esquerdo, colocando o atacante Fabinho para atuar naquele setor. Dessa forma, o jogador ficava encarregado de, ofensivamente, jogar nas costas de Fagner e, defensivamente, conter os avanços do camisa 2.
O primeiro tempo foi bastante burocrático e só apresentou chances de gol em sua metade final. Durante a primeira metade, ambas as equipes ficaram se estudando e “bateram contra a parede” nos espelhos táticos empregados por ambos os técnicos. Com Diego Souza apagado e bem marcado, o Vasco tentou ir ao ataque com Fagner, que apoiou incessantemente durante o início do jogo, e Eder Luís que, apesar da disposição, errava muitos passes. A Raposa tentava sair em contra-ataques com Montillo e Fabinho, mas a zaga vascaína mostrou estar bem posicionada.
Com dificuldades de penetração nas áreas adversárias, ambas as equipes tentaram chegar ao gol arriscando de fora da área. O Vasco tentou com Fellipe Bastos e Nílton, mas os volantes não capricharam na pontaria. A Raposa arriscou com Charles, que também não teve sucesso. A primeira chance efetiva de gol, surgida após uma jogada trabalhada, veio apenas aos 36 minutos de jogo: Diego Souza passou para Alecsandro, que girou e finalizou em cima de Charles.
Logo após, o placar foi inaugurado. E pelo time visitante. Aos 40 minutos, Fernando Prass tentou repor a bola rapidamente para Eder Luís, aberto pela esquerda. O atacante dominou mal e a bola sobrou para Montillo, que avançou e passou para Léo, na ponta direita. O zagueiro, improvisado na lateral, cruzou para a área e Wellington Paulista tentou a finalização de primeira, acertando o zagueiro Dedé. A bola quicou e Montillo, na entrada da área, finalizou de primeira, com a perna esquerda, acertando o ângulo do goleiro Fernando Prass: 1 a 0. O argentino não marcava um gol há nove partidas.
Ciente de que a escalação de três volantes havia comprometido a ofensividade de sua equipe, Cristóvão Borges sacou, no intervalo, o volante Fellipe Bastos para a entrada do lateral-esquerdo Thiago Feltri. Com isso, Felipe foi deslocado para o meio-campo, formando uma dupla de meias com Diego Souza. A alteração, todavia, não provocou efeito algum, uma vez que o segundo tempo iniciou-se igualmente truncado e burocrático, com os contra-ataques cruzeirenses mostrando-se mais efetivos que o futebol de posse de bola do Vasco.
O time vascaíno conseguia avançar tranquilamente com a bola até a intermediária celeste, onde, então, encontrava um verdadeiro paredão. Marcando por zona com dois e às vezes até três jogadores, o Cruzeiro não encontrava problemas para anular os ataques do Vasco. Aos 12 minutos, Cristóvão tentou dar um novo gás à sua frente ofensiva e sacou Eder Luís – que errou sete passes enquanto esteve em campo – para a entrada de Carlos Alberto, avançando Diego Souza para o ataque.
Cinco minutos depois, o Vasco teve uma boa chance. Fagner cruzou da direita e Alecsandro antecipou-se à marcação para cabecear com força, mas a bola saiu ao lado do gol defendido por Fábio. A resposta cruzeirense veio logo em seguida: Wellington Paulista invadiu a área pela esquerda e chutou, para defesa tranquila de Fernando Prass.
Aos 18 minutos, entretanto, o goleiro vascaíno nada pôde fazer. Montillo arrancou pelo meio-campo e lançou Wellington Paulista. O camisa 9 cruzeirense visualizou Fernando Prass adiantado e sequer deu-se ao trabalho de dominar a bola, encobrindo o goleiro cruzmaltino com uma belíssima finalização: 2 a 0. Disposto a não deixar a Raposa matar a partida logo na metade do segundo tempo, o Vasco conseguiu uma reação rápida e, dois minutos após o belo gol de Wellington Paulista, conseguiu o empate: Fábio saiu mal do gol e o zagueiro Rodolfo completou de cabeça para diminuir a vantagem mineira: 2 a 1.
Com a segunda metade da etapa final se aproximando, o Vasco partiu para cima do Cruzeiro, buscando o empate a todo custo. O time da casa passou a atuar com a sua linha de zaga na altura do meio-campo e buscava o segundo gol, sobretudo, com bolas alçadas na área – jogada que se provou ineficiente. Aos 28 minutos, o atacante Fabinho sentiu e Celso Roth mostrou sua determinação em segurar o resultado ao colocar o meia Souza em campo. Três minutos depois, Willian Magrão e Wellington Paulista foram substituídos por Tinga e Anselmo Ramon, respectivamente.
E a estrela de Celso Roth brilhou. Quatro minutos após as substituições, a Raposa marcou o seu terceiro gol: Tinga foi lançado nas costas de Thiago Feltri e cruzou de primeira. A bola cruzou a extensão da pequena área vascaína e encontrou Anselmo Ramon, livre na pequena área. O atacante teve apenas o trabalho de empurrar para o gol de Fernando Prass: 3 a 1.
FICHA TÉCNICA
VASCO 1x3 CRUZEIRO
Competição: Campeonato Brasileiro – Sexta Rodada
Data/Hora: 23/06/2012, às 18h30 (de Brasília)
Local: Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Arbitragem: André Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por Fabrício Vilarinho da Silva (GO) e Fábio Pereira (GO)
Cartões amarelos: Felipe, Dedé (VAS); Mateus, Willian Magrão, Fabinho (CRU)
Cartões vermelhos: —
Gols: Montillo (40’/1ºT – 0x1), Wellington Paulista (18’/2ºT – 0x2) e Anselmo Ramon (35’/2ºT); Rodolfo (20’/2ºT – 1x2)
VASCO: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Felipe; Nílton, Rômulo, Fellipe Bastos (Thiago Feltri – intervalo) e Diego Souza (William Barbio – 37’/2ºT); Eder Luís (Carlos Alberto – 12’/2ºT) e Alecsandro. Técnico: Cristóvão Borges.
CRUZEIRO: Fábio; Léo, Mateus, Victorino e Everton; Leandro Guerreiro, Charles, Willian Magrão (Tinga – 31’/2ºT) e Montillo; Fabinho (Souza – 28’/2ºT) e Wellington Paulista (Anselmo Ramon – 31’/2ºT). Técnico: Celso Roth.